terça-feira, 25, agosto, 2026, 23:42
CIDADESJUNDIAÍPOLÍCIA

Justiça marca júri de Marcola pelo assassinato de PM de Jundiaí

A Justiça de São Paulo marcou para os dias 11, 12 e 13 de maio de 2027 o júri popular de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC). As sessões estão previstas para as 9h, no Plenário 8 da 1ª Vara do Júri da Capital, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

O líder da facção responde pelo homicídio consumado e pela tentativa de homicídio de policiais militares ocorridos em 12 de maio de 2006, em Jundiaí. Na ocasião, o soldado Nelson Pinto, de 44 anos, foi morto a tiros, e o colega de corporação Marcelo Henrique dos Santos Moraes, então com 24 anos, foi atingido por oito disparos e sobreviveu.

Segundo a denúncia do Ministério Público, oito acusados, utilizando quatro motocicletas, cercaram o carro em que os policiais estavam e atiraram contra eles. Marcola e Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, teriam ordenado a ação de dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista.

O MP também apontou que a ordem foi repassada aos integrantes da facção em Jundiaí, com a participação de Gelson Gomes, o Gelsinho, apontado como chefe do PCC na cidade e acusado de fornecer o local da reunião em que os executores foram informados das ordens de ataque.

Julgamento

O Ministério Público formalizou a denúncia em 4 de setembro de 2006 — o julgamento ocorrerá, portanto, cerca de 21 anos após os fatos. Os acusados foram pronunciados em 2009 e, em 2019, o processo foi transferido para outra comarca por questões de segurança. Em 2023, segundo a defesa, a Justiça paulista reconheceu o excesso de prazo na tramitação da ação penal. Atualmente, a prisão de Marcola decorre de condenações em outros processos.

Crimes

O episódio, que completa duas décadas, integra o contexto dos Crimes de Maio, um dos períodos mais críticos da segurança pública paulista. A ofensiva, atribuída ao PCC, foi uma retaliação à transferência de 765 detentos para a Penitenciária de Segurança Máxima de Presidente Venceslau às vésperas do Dia das Mães. A ordem de atacar policiais e autoridades, transmitida de dentro dos presídios, deflagrou rebeliões simultâneas em 74 unidades prisionais e uma onda de ataques a bases, viaturas e delegacias, com ônibus incendiados e o transporte público paralisado.

Em nove dias, a ofensiva do crime organizado e a reação das forças de segurança deixaram 564 mortos — 505 civis e 59 agentes públicos — e 110 feridos. Os ataques só cessaram de forma coordenada em 14 de maio de 2006, após reuniões entre representantes do governo paulista e integrantes da facção.

Defesa

Em nota, o advogado Bruno Ferullo classificou o julgamento agendado para o próximo ano como incompatível com as garantias constitucionais. Segundo a defesa, “o prolongado decurso de tempo é incompatível com a garantia constitucional da razoável duração do processo, prevista no artigo 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal, comprometendo não apenas o direito do acusado a um julgamento tempestivo, mas também a própria produção e preservação da prova, especialmente diante dos efeitos que o tempo pode produzir sobre a memória das testemunhas e os elementos probatórios”.

Marco Willians nega a autoria dos fatos que lhe são imputados e afirma que apresentará suas razões de defesa perante o Tribunal do Júri, valendo, até lá, a presunção de inocência.

 

Há 20 anos PM foi morto em emboscada em Jundiaí