quarta-feira, 9, setembro, 2026, 18:30
POLÍCIA

Quadrilha de agiotas que movimentou R$ 52 milhões é presa pela Polícia Civil

A Polícia Civil de São Paulo realizou, nesta quarta-feira (9), a Operação Bogotá, contra uma organização criminosa formada por colombianos suspeitos de atuar com empréstimos ilegais e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, a quadrilha movimentou R$ 52,5 milhões com o esquema de agiotagem.

Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nas cidades de Santos, Guarujá e São Paulo. As apurações foram conduzidas pela Delegacia Seccional de Polícia de Registro e contou com o apoio da Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santos.

O alvo da prisão foi localizado em um quarto de sublocação na Ponta da Praia, em Santos. No imóvel, os policiais apreenderam dois celulares e um notebook, que serão submetidos à análise pericial. As buscas também são realizadas em endereços ligados ao investigado.

“A organização criminosa atuava por meio do esquema de “gota a gota”, que consiste na concessão de empréstimos informais com juros abusivos e cobrança de dívidas por meio de ameaças e violência”, explica o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter-6), Luiz Carlos do Carmo.

As investigações contra essa organização se iniciaram em meados de maio de 2026, quando a Polícia Civil de Registro descobriu o esquema de agiotagem. No decorrer das apurações, as equipes identificaram 41 envolvidos, parte deles já foi presa em operações anteriores.

Segundo o delegado seccional de Registro, Marcelo Freitas, as apreensões de celulares, computadores e documentos deram embasamento para aprofundar ainda mais essas diligências.

Durante as investigações, os policiais identificaram integrantes do núcleo financeiro da organização que atuava em Campinas. Parte dos investigados fugiu do país, e dois deles foram recentemente localizados e presos na Colômbia após a inclusão dos nomes na Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

“Foi uma denúncia que nos permitiu identificar todo um esquema criminoso estruturado por trás do crime de agiotagem, que incluía, também, a lavagem de dinheiro. Conseguimos o bloqueio judicial dos bens dos investigados, porque não basta apenas identificá-los, temos que conseguir atingir todo o patrimônio obtido com o dinheiro ilícito”, pontuou o delegado.

O homem preso foi identificado após um episódio ocorrido em agosto. Segundo a Polícia Civil, ele entrou em um restaurante em Santos e fotografou um magistrado e seus familiares. O suspeito usaria essa imagem para realizar ameaças.

A relação dele com integrantes da organização foi posteriormente identificada a partir da análise de aparelhos apreendidos na primeira fase da operação. No celular de um dos investigados, os policiais encontraram contatos anteriores e diretos do suspeito e de sua esposa. O magistrado fotografado havia proferido decisões judiciais que atingiram integrantes do bando, incluindo medidas de quebra de sigilo e bloqueio de patrimônio.