sexta-feira, 18, setembro, 2026, 22:41
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Desconfiança no STF bate recorde histórico, diz pesquisa Datafolha

ANA LUIZA ALBUQUERQUE

(FOLHAPRESS) – A desconfiança em relação ao STF (Supremo Tribunal Federal) cresceu em meio à grave crise enfrentada pela instituição, chegando a 48% os entrevistados que afirmam não confiar na corte, mostra pesquisa Datafolha.

Esse é o maior percentual desde o início da série histórica, em 2012. Também é a primeira vez que o descrédito em relação ao Supremo supera numericamente o observado em outras três instituições que já alcançaram patamares superiores a 65%: a Presidência, o Congresso e os partidos políticos.

Entre os entrevistados, agora 42% afirmam desconfiar da Presidência, 45%, do Congresso, e outros 45%, dos partidos.

Em março deste ano, no levantamento anterior, a desconfiança diante do STF era de 43%.

Na última semana, o plenário do Supremo protagonizou um embate entre ministros após a revelação, em relatório apresentado por André Mendonça, de que Alexandre de Moraes mantinha conversas suspeitas com o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro.

Nesta pesquisa, 14% dizem confiar muito no Supremo, enquanto outros 35% afirmam confiar um pouco. Na anterior, os mesmos índices eram de 16% e 38%, respectivamente.

O Datafolha ouviu 2.001 pessoas, em 125 municípios, de terça (15) a quinta-feira (17). O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-04029/2026.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo.

O descrédito em relação ao STF é maior entre os homens (54%) do que entre as mulheres (43%). A desconfiança também fica acima da média entre quem tem renda familiar superior a cinco salários mínimos (60%) e entre quem avalia o governo do presidente Lula (PT) como ruim ou péssimo (75%).

Considerando os que declaram voto em Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais, 69% não confiam no Supremo, frente a 22% entre quem pretende votar no petista.

Nas últimas semanas, o filho de Jair Bolsonaro (PL) vem utilizando a crise na corte como um elemento de mobilização político-eleitoral, buscando associar o petista a Moraes. O senador já defendeu o impeachment do ministro, de Flávio Dino e de Cristiano Zanin, e costuma repetir que, se eleito, terá a prerrogativa de fazer quatro novas indicações para o Supremo.

O PL também foca em eleger uma grande bancada no Senado para pautar o impeachment de ministros.

O crescimento da desconfiança em relação ao STF é um ponto fora da curva na pesquisa Datafolha que avalia o índice de confiança do brasileiro nas instituições.

No caso de outras sete órgãos ou Poderes —Presidência, Congresso Nacional, partidos políticos, imprensa, Forças Armadas, Poder Judiciário e grandes empresas brasileiras—, o descrédito se manteve estável ou caiu em relação ao levantamento anterior, de março.

A maior queda se deu em relação aos partidos: a desconfiança passou de 52% para 45%. O mesmo índice já foi de 69% em junho de 2017, o máximo da série histórica.

Em relação a março, o descrédito oscilou negativamente no caso da imprensa (36% para 33%), das grandes empresas brasileiras (26% para 23%) e das Forças Armadas (27% para 25%). Ele se manteve estável em relação à Presidência (de 43% para 42%).

Já no caso do Poder Judiciário como um todo, a oscilação da desconfiança foi positiva: agora 38% a manifestam, frente a 36% no levantamento anterior. Outros 43% afirmam confiar um pouco, e 17% dizem confiar muito.

Ao mesmo tempo, na comparação com a pesquisa de março, cresceu o índice dos que confiam muito no Congresso (de 5% para 11%), nos partidos (de 5% para 9%), na imprensa (de 15% para 22%), nas grandes empresas (de 20% para 29%) e nas Forças Armadas (de 26% para 34%).

O índice de alta confiança na imprensa aumenta conforme o avanço da idade: é de 14% entre jovens de 16 a 24 anos, de 20% na faixa intermediária, de 35 a 44 anos, e de 30% entre os mais velhos, com 60 anos ou mais. Outra tendência observada é que a confiança na imprensa diminui à medida que progride a escolaridade.