sábado, 19, setembro, 2026, 18:12
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Flávio Bolsonaro diz que Lula tenta comprar os pobres e aumentou Bolsa Família por desespero

ALÉXIA SOUSA E PRISCILLA MILNITZ PEREIRA

(FOLHAPRESS) – O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou neste sábado (19), em ato de campanha em Joinville (SC), que o presidente Lula (PT) aumentou o valor do Bolsa Família em um “ato de desespero” para tentar obter votos.

O reajuste de 15,04%, anunciado pelo governo na quinta-feira (17), eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro.

“O desespero está tão grande que o Lula fez uma confissão nos últimos dias. Num ato de desespero, ele aumentou o Bolsa Família. Ele deu a prova de que ele não pensa no povo brasileiro. Ele só pensa nele”, afirmou Flávio.

O anúncio ocorreu a pouco mais de duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O argumento do governo é que o reajuste busca repor as perdas causadas pela inflação observada desde a reformulação do programa, em vigor desde março de 2023, de 15,04% até agosto deste ano.

Flávio afirmou que Lula decidiu reajustar o benefício em resposta ao cenário eleitoral e acusou o presidente de tentar “comprar o voto dos mais pobres”.

A crítica ocorre em um contexto semelhante ao de 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputava a reeleição, ampliou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600. O aumento de R$ 200, equivalente a 50%, começou a ser pago em agosto daquele ano e tinha validade até dezembro.

Durante a campanha, Bolsonaro passou a defender que o valor de R$ 600 fosse mantido de forma permanente a partir de 2023.

Na sexta-feira (18), o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), reconheceu a validade do decreto que reajustou o Bolsa Família e afirmou que a medida não afronta as regras eleitorais. Segundo Mendes, trata-se de uma atualização dos valores de um programa social já existente, sem criação de novo benefício, mudança nos critérios de elegibilidade ou ampliação do número de beneficiários.

Durante o comício, Flávio também relacionou o reajuste à perda de poder de compra provocada, segundo ele, pela inflação. O candidato afirmou que o governo “gasta muito, aumenta a inflação” e que os R$ 600 “não compram mais nada hoje”. Disse ainda que o valor não permite “encher o carrinho como dava lá atrás com o presidente Bolsonaro”.

Flávio também classificou Lula como “um símbolo das ideias velhas, de um governo analógico e um governo com burocracia”. Entre as propostas apresentadas pelo candidato estão a redução da carga tributária sobre a folha de pagamento e medidas para estimular o empreendedorismo.

Ao falar sobre Santa Catarina, Flávio apresentou o estado como exemplo de desenvolvimento e atribuiu o desempenho local ao perfil da população e à gestão de partidos de direita. “Por que aqui dá certo? Uma coisa foi dita: nunca foi governado pelo PT”, afirmou.

O candidato disse que pretende usar a experiência catarinense como referência caso seja eleito e citou uma parceria com o governador Jorginho Mello (PL) e com Adriano Silva (Novo), candidato a vice-governador na chapa de Mello.

Na área de segurança pública, o candidato voltou a defender que facções criminosas como PCC e Comando Vermelho e milícias sejam enquadradas como grupos terroristas. Também afirmou que pretende usar o sistema prisional de Santa Catarina como referência para programas de trabalho destinados a presos de menor periculosidade.
Críticas ao STF

Ao defender a eleição de candidatos de direita ao Senado, Flávio também atacou o STF e o ministro Alexandre de Moraes. “Foram os ministros do Lula no Supremo Tribunal Federal que promovem uma força-tarefa para proteger o Alexandre de Moraes. Foi o presidente Lula quem indicou o Paulo Gonet para ser procurador-geral da República e o reconduziu”, afirmou.

Em seguida, disse que, enquanto há brasileiros “sem comida na mesa”, integrantes do governo estariam “tomando uísque Macallan, fumando charuto caro e rindo da cara do povo”. Flávio também defendeu mudanças na composição do STF e o impeachment de Moraes durante o discurso.