quarta-feira, 23, setembro, 2026, 07:33
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Novo triplica candidatos, abre os cofres e projeta gastar mais de R$ 70 milhões na eleição

Por Pedro Augusto Figueiredo

(ESTADÃO) – Para não repetir o desempenho de 2022, quando a bancada da sigla encolheu de 8 para 3 deputados federais, a direção do Partido Novo triplicou o número de candidatos lançados em todo o País, decidiu investir pelo menos R$ 70 milhões nesta eleição e apostar em nomes que já foram testados nas urnas.

“Em termos de cláusula de barreira está bem pacificado [que o partido irá superar], mas [queremos] crescer de verdade e fazer uma bancada robusta. A preço de hoje, ter entre 15 a 20 deputados é muito possível”, afirmou o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, ao Estadão.

O Novo não conseguiu superar a cláusula de barreira há quatro anos. Dessa vez, os partidos precisam eleger 13 deputados federais ou ter ao menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal, com no mínimo 1,5% em 9 Estados. O resultado é necessário para que o partido volte a ter acesso ao horário eleitoral gratuito e ao Fundo Partidário.

Essa será a primeira eleição geral na qual o Novo utilizará recursos públicos. A não utilização da verba era uma bandeira do partido. A proibição foi revertida em 2023, com os votos favoráveis de 85% dos filiados da sigla.

À época, o Novo argumentou que, se devolvido, o dinheiro do Fundo Partidário seria distribuído para outros partidos e que a mudança era necessária para o partido crescer em meio à proibição de doações empresariais e limitação das doações individuais.

Utilizando apenas recursos privados, o Novo gastou R$ 38 milhões em 2018, valor que subiu para R$ 63 milhões em 2022. Agora, o orçamento parte de R$ 70 milhões, considerando apenas os dois fundos públicos, e será complementado pelas doações que a legenda captar ao longo da campanha eleitoral.

“Nós acumulamos um valor relativamente alto de Fundo Partidário e a gente vai usar quase todo esse recurso juntamente com o Fundo Eleitoral, de R$ 37 milhões”, afirmou Ribeiro. “Isso nos coloca em um patamar de largada muito mais forte”, acrescentou ele

Até o momento, a direção nacional já transferiu R$ 58 milhões para os candidatos da sigla em todo o País, entre recursos públicos e privados.

A campanha presidencial de Romeu Zema (Novo) recebeu R$ 4,1 milhões. Candidatos ao Senado, Ricardo Salles (Novo-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR) receberam R$ 2,8 milhões e R$ 1,9 milhão, respectivamente.

O partido também repassou R$ 2,3 milhões para a campanha do deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) e R$ 1,7 milhão para a também deputada Adriana Ventura (Novo-SP). Ambos disputam a reeleição.

O otimismo da direção do Novo é baseado ainda em dois outros fatores. O partido lançou 1.298 candidatos para todos os cargos, quase o triplo da eleição anterior – no caso da Câmara dos Deputados, apenas o PL lançou mais nomes.

Segundo Eduardo Ribeiro, parte desses candidatos é formada por deputados, vereadores ou ao menos têm experiência em campanhas anteriores.

Além de Adriana Ventura, em São Paulo, o Novo deposita as fichas principalmente na economista Marina Helena, que disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, e em Pedro Pôncio, que se apresenta como ex-integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Pôncio tem o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O partido também lançou como candidata Cláudia do Batom, irmã de Débora Rodrigues dos Santos, condenada à prisão por ter utilizado um batom para pichar a estátua da Justiça no 8 de Janeiro.

Nikolas apoia pelo menos outros três candidatos do Novo que são vereadores no Sul do País e tentam chegar à Câmara dos Deputados: Guilherme Kilter, de Curitiba (PR); Hiago Morandi, de Caxias do Sul (RS); e Beatriz Borba, de Biguaçu (SC).

Outras apostas do Novo são o advogado Jeffrey Chiquini (PR), que atua na defesa do ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL), Filipe Martins, o deputado estadual Felipe Camozzato (RS), e o vereador de Recife, Eduardo Moura (PE).