Recicladora brasileira é reconhecida no principal evento mundial sobre economia circular
Uma iniciativa brasileira de economia circular ganhou destaque internacional nesta quarta-feira (16), durante o Fórum Mundial de Economia Circular 2026 (WCEF), realizado em Gandhinagar, na Índia. O reconhecimento ocorreu durante a sessão “Catalisadores de mudança: liderança jovem e inovações na economia circular”, dedicada a soluções inovadoras e ao papel das novas gerações na construção de modelos de negócios mais circulares.
O reconhecimento coincide com o aniversário de 16 anos de atuação da organização, que possui plantas dedicadas à reciclagem em Cabreúva e Campinas, no interior de São Paulo.
O CEO da empresa, Marcelo Souza, que também preside o Instituto Nacional Aplicado de Economia Circular (INAEC), e é coordenador do Departamento de Economia Circular do CIESP Jundiaí, argumenta que os avanços obtidos desde a fundação são fruto da própria evolução do debate em torno da economia circular. “Quando começamos, há quase 20 anos, o conceito de economia circular ainda estava engatinhando em nosso continente. No entanto, à época, já sabíamos do potencial produtivo do Brasil, aliado ao olhar sustentável e ambiental pelo qual o país é reconhecido mundialmente.”
Atuação sustentável e exemplo de superação
Antes do reconhecimento internacional, a empresa administrada por Souza teve uma trajetória marcada por desafios, reinvenção e crescimento.
Depois de atravessar um dos períodos mais conturbados de sua história, quando a continuidade das operações chegou a ser ameaçada, a empresa conseguiu reestruturar sua atuação e ampliar sua presença no setor de economia circular.
Essa volta por cima já havia recebido reconhecimento no Brasil. Em 2025, a organização integrou o EXAME Negócios em Expansão, iniciativa da revista EXAME que destaca empresas brasileiras que se sobressaem por sua trajetória de crescimento.
“Agora, a participação no WCEF 2026 amplia essa trajetória para o cenário internacional, inserindo uma experiência brasileira entre as iniciativas apresentadas em um dos principais espaços globais de discussão sobre economia circular”, analisa o executivo.
Expectativas para o futuro
Souza acompanha de perto os debates do WCEF 2026 ao lado do gerente de Negócios, Henrique Mendes. Para ele, os avanços tecnológicos em torno da inteligência artificial irão ditar os rumos das operações relacionadas à sustentabilidade e à economia circular.
“A meu ver, a economia circular irá superar o patamar de uma economia de materiais. O conceito será também uma economia de dados e informação. IA, rastreabilidade, identificação de materiais, digitalização, extensão da vida útil, remanufatura e reciclagem estão cada vez mais conectadas”, analisa.
Pensando na produção e na reciclagem, Souza argumenta que a mudança deve começar ainda na concepção dos produtos. “Pensar em reciclagem somente no fim da vida útil é algo que precisamos superar. Como projetar um produto para durar mais, para que possa ser reparado, reutilizado, remanufaturado e, só quando essas possibilidades se esgotarem, reciclado? No fim das contas, a pergunta é simples: por que esperar um produto virar resíduo para começar a pensar no que fazer com ele?”
O WCEF 2026
O World Circular Economy Forum é uma iniciativa reconhecida globalmente na qual países, empresas e personalidades se reúnem para discutir como o mundo pode abandonar o modelo de desperdício baseado em “extrair, produzir e descartar” e adotar um modelo que priorize a reutilização, a recuperação e a reciclagem de recursos.
A edição de 2026 tem como tema “Economia Circular: Transição para as Pessoas e a Prosperidade”. O tema reflete como a circularidade deixou de ser tratada apenas como uma preocupação ambiental e passou a ocupar espaço nas discussões sobre geração de empregos, crescimento econômico e bem-estar social, especialmente nos países em desenvolvimento.

