Novo sensor antecipa alta de diabetes
Conviver com o diabetes tipo 2 exige atenção constante. A rotina de picadas no dedo, a contagem de carboidratos e o medo de oscilações na glicemia, principalmente durante o sono, causam um desgaste físico e emocional que muitas vezes passa despercebido. Nesse cenário, a Roche Diagnóstica lança no Brasil o Accu-Chek SmartGuide, um sistema de monitoramento contínuo da glicose (CGM) que antecipa as crises em vez de apenas registrá-las.
O Brasil ocupa o 6º lugar mundial em número de casos de diabetes, com cerca de 16,6 milhões de adultos afetados (entre 20 e 79 anos), segundo o Atlas Global da Federação Internacional de Diabetes (IDF). Cerca de 6,5 milhões deles dependem diariamente de insulina. Um estudo publicado no The Lancet Diabetes & Endocrinology mostra que 93,3% das pessoas diagnosticadas estão em tratamento, mas só 35,4% mantêm a glicose na faixa adequada.
O sensor usa algoritmos de inteligência artificial para prever a tendência da glicemia. Assim, o paciente pode agir antes de um episódio de hipoglicemia (queda severa) ou de hiperglicemia (alta de açúcar no sangue).
Alerta com 30 minutos de antecedência
A hipoglicemia é um dos maiores temores de quem convive com o diabetes tipo 2, sobretudo entre os que usam insulina ou medicamentos que aumentam o risco de quedas bruscas. Sem controle a tempo, o quadro pode causar confusão mental, suor frio, desmaios e intercorrências graves.
O dispositivo avisa o risco de queda com 30 minutos de antecedência, o que permite tomar medidas rápidas. Também tem a predição noturna, que monitora o risco de hipoglicemia durante o sono, em uma janela de 7 horas, período mais vulnerável a emergências silenciosas na madrugada.
O sistema ainda projeta, de forma visual, o comportamento da glicose nas 2 horas seguintes. O recurso vai além das setas de tendência tradicionais e ajuda a planejar refeições e atividades físicas.
Para o médico João Salles, diretor do Departamento de Medicina da Santa Casa de São Paulo, a previsão alivia uma das maiores dores do tratamento. “Para o paciente com DM2, a maior barreira no tratamento costuma ser a ansiedade gerada pela imprevisibilidade. Eles sentem medo de sair de casa e ter uma crise de hipoglicemia, ou de dormir e passar mal durante a noite”, afirma.
Decisões compartilhadas no consultório
Segundo Salles, o monitoramento contínuo também melhora a qualidade das informações que chegam ao médico. Em vez de dados isolados de testes de ponta de dedo, que mostram apenas momentos específicos, o sensor entrega um histórico completo do comportamento metabólico do paciente.
“Ter acesso a previsões de 2 horas e alertas de tendências noturnas nos dá um mapa muito mais refinado. Isso possibilita discussões mais ricas e decisões compartilhadas, onde o paciente aprende a correlacionar suas escolhas alimentares e de exercícios com a tendência futura da glicose”, explica o médico.
Os dados são compartilhados com as equipes de saúde pela plataforma Accu-Chek Care, desenvolvida para médicos e outros profissionais. O sistema permite acompanhar o progresso clínico do paciente em tempo real e reúne as leituras em relatórios simplificados, o que facilita a análise dos padrões de oscilação e apoia decisões de tratamento mais ágeis e precisas.
Resistente à água e com leitura a cada 5 minutos
O sensor é resistente à água, discreto e pode ser usado continuamente por até 14 dias. Ele faz leituras automáticas da glicose a cada 5 minutos e transmite os dados por Bluetooth para smartphones Android e iOS compatíveis.
Após a calibração inicial com o glicosímetro, o Accu-Chek SmartGuide é validado para apoiar decisões terapêuticas diretas, como o cálculo e a aplicação de doses de insulina, o que dá mais autonomia ao paciente no dia a dia.
“Esse lançamento reforça o nosso compromisso com a inovação ao colocar no mercado um produto que transforma o modo como o paciente convive com o diabetes”, diz Débora Schultz, diretora comercial de Near Patient Care (NPC) da Roche Diagnóstica. Segundo ela, a empresa atua há mais de 20 anos no monitoramento do diabetes, em mais de 100 países.

