Coronel do Exército atira no próprio filho, para se defender de ataque
Um coronel reformado do Exército, de 77 anos, atirou no próprio filho, de 44 anos, em Itatiba. O disparo de revólver calibre .38 atingiu o antebraço direito do filho, que foi socorrido e internado na Santa Casa. O delegado reconheceu a legítima defesa e não lavrou prisão em flagrante contra o pai, que indiciou o filho por ameaça e vias de fato.
Segundo o pai, a confusão começou por um motivo banal: ele pediu ao filho que deixasse duas ou três rosquinhas de um pacote para a mãe. O filho, que sofre de depressão e reside com a família na casa dos pais desde julho, se transtornou, amassou o pacote com socos, bateu duas vezes na porta da geladeira e agarrou o pai pela cabeça, dizendo que iria matá-lo.
O idoso se desvencilhou, subiu para o quarto e pegou a arma registrada no Exército.
O filho o perseguiu e entrou enfurecido no cômodo, momento em que o disparo foi efetuado na direção ao lado dele, mas acabou atingindo o antebraço.
A mãe relatou que o filho chegou a chutar a porta do quarto dos pais, quebrava objetos da residência e chamava os pais de “demônio”, e que o casal dormia com a porta trancada por medo.
Ela acredita que o filho precisa de ajuda psicológica, pois fala em se matar.
Um vizinho médico estancou o sangramento do ferido até a chegada do resgate, que o levou ao hospital.
O pai entregou espontaneamente a arma aos policiais militares, permaneceu no local e indicou onde o filho estava ferido.
O delegado Deyvison e Lima de Menezes, do Plantão Policial de Itatiba, reconheceu provisoriamente a legítima defesa própria, considerando o histórico de agressividade, o único disparo efetuado, a região não vital atingida e o comportamento do idoso após o fato.
O filho foi indiciado por ameaça e vias de fato contra pessoa maior de 60 anos, com fiança arbitrada em R$ 1.625.
Ele permaneceu internado sob custódia e escolta policial.
O escrivão Mario lavrou o registro.
A arma e as munições foram apreendidas e o Exército foi oficiado para informar sobre o registro do revólver.

