Jornal Washington Post diz que Flávio fugiu porque não acredita na Justiça do Brasil
(FOLHAPRESS) – O jornal americano The Washington Post afirmou, em editorial publicado nesta quarta-feira (28), que a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos expõe problemas na democracia brasileira.
“Perder uma eleição não deveria levar candidatos a fugir de seus países. Mas foi o que aconteceu com Flávio Bolsonaro, que chegou a Miami na quarta-feira, três dias após sua derrota no segundo turno da eleição presidencial no Brasil, por temer uma prisão iminente”, escreveu o periódico, propriedade do bilionário americano Jeff Bezos.
O texto intitulado “Quando juízes se tornam promotores” afirma que, ainda que a fuga não prove a inocência do senador do PL nos processos criminais a que responde, o fato de Flávio não acreditar “que possa ter um julgamento justo” representa “uma acusação contra a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental”.
O jornal americano também criticou o que considera uma concentração excessiva de poderes no STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo o editorial, os ministros da corte passaram a acumular funções de “investigadores, acusadores e julgadores”, afirma o texto, citando processos relacionados a ataques à democracia e à disseminação de desinformação.
O Washington Post citou nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, autor da decisão de apreender os passaportes de Flávio.
“Em 2024, Moraes demonstrou até onde estava disposto a ir. Ele ordenou o bloqueio do X, a plataforma de redes sociais, em todo o Brasil e determinou que Apple e Google dificultassem o acesso dos usuários do X a softwares que pudessem contornar a proibição”, afirmou.
Para a publicação, a decisão foi um “ataque flagrante à liberdade de expressão” que “colocou o Brasil em uma espécie de lista de países párias que inclui China, Irã e Turcomenistão” *.
Segundo o jornal, a concentração de poderes do STF também ameaça a confiança no sistema de Justiça e cria um ambiente de incerteza para cidadãos e investidores. “O Estado de Direito exige autoridade baseada em leis e constituições, procedimentos previsíveis, recursos efetivos, punições proporcionais e proteção aos acusados”, afirmou o editorial.
- Estado Pária: Termo geopolítico usado para descrever uma nação cuja conduta é rejeitada pelas normas da comunidade internacional.

