quinta-feira, 4, junho, 2026, 11:30
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60 bombeiros trabalham para salvar a Cinemateca Brasileira

(FOLHAPRESS) – Um incêndio, já controlado, atingiu um depósito da Cinemateca Brasileira, na zona oeste de São Paulo, na noite desta quinta-feira (29). O prédio fica localizado na rua Othão, número 290, na Vila Leopoldina, e, segundo o Corpo de Bombeiros, não há vítimas.

O incêndio começou durante a manutenção, por parte de uma empresa terceirizada, no ar condiciado de uma sala no primeiro andar do imóvel. Ela e outra sala adjacente, que abrigam o acervo histórico de filmes da entidade, foram atingidas, bem como um terceiro ambiente dedicado a arquivos impressos.

Segundo a capitã Karina Paula Moreira, do Corpo de Bombeiros, estima-se que 400 m2 foram tomados pelas chamas, com labaredas que atingiram seis metros de altura. Ela também afirma que não há como saber, por enquanto, o que foi queimado e o que foi preservado.

O prédio em questão não é a sede principal da Cinemateca, que fica na Vila Clementino, na zona sul da capital paulista. Mas o depósito atingido pelas chamas também abriga parte importante de seu acervo, como filmes de 35 mm e 16 mm, feitos de material altamente inflamável. Eles seriam cópias para exibição, não os rolos originais, que ficam em outro local.

Além deles, também ficam guardados ali o acervo da Programadora Brasil -iniciativa do antigo Ministério da Cultura para exibição de conteúdo em circuitos não comerciais-, equipamentos museológicos, como projetores antigos, e documentos, incluindo quatro toneladas de arquivos sobre políticas públicas para o audiovisual, recentemente transferidas do Rio de Janeiro.

As ruas nos arredores do imóvel foram interditadas e havia muita fumaça no local. Bombeiros chegaram a escalaram o teto do edifício para controlar as chamas. Esta é a quinta vez que a entidade enfrenta um incêndio -situação semelhante já havia ocorrido em 1957, 1969, 1982 e 2016.

No ano passado, esse mesmo prédio foi atingido por uma enchente que danificou 113 mil cópias de DVDs.

O governador do Estado de São Paulo, João Doria, se manifestou sobre o ocorrido em suas redes sociais. “O incêndio na Cinemateca de São Paulo é um crime com a cultura do país. Desprezo pela arte e pela memória do Brasil dá nisso: a morte gradual da cultura nacional”, escreveu.

Paloma Rocha, cineasta e filha de Glauber Rocha, que acompanha a situação da Cinemateca há anos, diz que essa é uma tragédia anunciada, já que a entidade estava sem técnicos monitorando seu acervo há pelo menos um ano, quando o governo federal demitiu funcionários dali após o fim do contrato de gestão que mantinha com a Acerp, a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto.