FALECIMENTOS – 11.09.22
MARIA THEREZA BRUNIALTI PESCARINI, de 87 anos, viúva. Morava no Jardim Ana Maria. Sepultamento em Vinhedo.
CANDIDA DO PRADO BRUNO, de 97 anos, viúva. Morava na Vila Boaventura. Sepultamento no Memorial Parque da Paz.
OLGA FARNESI, de 101 anos, viúva. Morava na Vila Rafael de Oliveira. Sepultamento no Morumbi, em São Paulo.
MARIA RITA ALVES BRANDÃO, de 73 anos, casada. Morava no Parque Guarani, em Várzea Paulista. Sepultamento em Jarinu às 12 horas.

EVANDRO AFONSO PEREIRA (foto), de 50 anos, casado. Morava na Vila Alvorada. Sepultamento às 11 horas no Desterro. (Filho do radialista Afonso Pereira da Rádio Cidade AM e engenheiro em Jundiaí)

Homenagem
O jornalista Fábio Pescarini prestou uma homenagem a sua mãe, Maria Thereza Pescarini.
Mãe
Estava com a cabeça longe voltando para São Paulo, numa noite dessas, pensando em você sem parar, quando começou a tocar Purple Rain, aquela música do Prince. E incrivelmente chovia em plena estiagem.
Chuva púrpura, vermelho, sangue, a notícia horrível daquela médica insensível. E minha cabeça misturava tudo.
Mas púrpura poderia remeter a purpurina. Ao brilho das lantejoulas das fantasias de balé que enchiam a sala de casa.
Gerações de meninas dançaram vestidas por você nos tradicionais festivais de fim de ano. Azar de quem veio depois, ficou na ponta dos pés sem o mesmo glamour.
Durante anos você vestiu a nata da sociedade de Jundiaí. Difícil a cidade encontrar uma estilista tão talentosa depois de suas tesouras, agulhas e linhas.
Achar alguém tão perfeccionista. A moça do coral de Vinhedo desenhou, cortou e costurou o próprio vestido de noiva.
E afirmam as fotografias, ficou perfeito naquela mulher vaidosa, que até o fim da vida fazia questão de ir todos os sábados ao salão cuidar dos cabelos, esses que tentaram maltratar agora.
Diziam que você se parecia com Judy Garland. Mas sabe que via traços de Marilin Monroe?
Carrego a lembrança de seu Karmann Guia –você combinava muito com aquela réplica de Porsche, o carro que adolescente usei para aprender a dirigir.
Outro dia, de bobeira naquela poltrona horrível do hospital, fiquei vendo as coisas que publiquei aqui nos últimos meses para passar o tempo. E li uma carta que escrevi para 2021, em referência ao fim do ano passado. No texto eu reclamava por ter levado meu pai, mas lembrava que ele nos aproximou numa franqueza que nunca tivemos antes
Nestes últimos meses nos tornamos confidentes. E plantamos 36 mudas de maracujá, que reguei ontem e crescem lindas.
Também falamos do passado. Você queria que eu fosse médico. Mas orgulhosa disse outro dia para a enfermeira que eu era um jornalista famoso.
Quem me dera, mãe. Famosa sempre foi você, a tia Nega, uma referência para a família –meus primos Brunialti e Gaudenci podem confirmar.
Obrigado por ajudar a educar meu filho, aquele da foto que você mostrava para todo mundo e chamava de galã, frase de quem parecia artista de cinema
O texto que escrevi até aqui foi com a cabeça longe olhando o limpador de para-brisa pra lá e pra cá, misturado com o olho marejado pelo melancólico fim daquela música, numa mistura de violino, acho, e guitarra. Só fui digitar agora que não consigo dormir e porque não há mais o que fazer. A notícia que eu não queria ouvir veio nesta madrugada.
Mas o algoritmo do Spotify entendeu que eu “precisava voltar” para a estrada naquela’ noite. E botou para tocar Mama I’ Coming Home, do Ozzy. O choro virou gargalhada pela coincidência. Eu realmente voltei para você neste último ano e meio.
Obrigado, mãe, até por me ensinar a gostar de ouvir Gigliola Cinquetti. E por ter dado a receita da maionese de todo Natal. Vou tentar deixar parecida.
Está amanhecendo e ouço algum passarinho. Deve ser aquele que você colocava pão na janela para ele bicar.
Se existe Reino dos Céus, ele está mais glamouroso hoje.
Valeu, mãe. (Fábio Pescarini)


