Exposição no Solar do Barão dá status de patrimônio à Maria dos Pacotes
A Unidade de Gestão de Cultura apresenta a exposição inédita “Patrimônios Culturais de Jundiaí”, em cartaz no Museu Histórico e Cultural Solar do Barão até 15 de novembro.
Com entrada gratuita, ocupa 13 diferentes espaços, entre salas e um corredor, rendendo homenagens a lugares e personalidades relevantes da história da cidade.
Um destaque é Maria dos Pacotes, que ganha status de patrimônio imaterial de Jundiaí a partir de agora, ela que é tema de um livro de autoria do jornalista e escritor Edu Cerioni lançado em 24 de agosto último e com edição esgotada. O autor informa que em breve vai lançar o e-book “Maria dos Pacotes”.
O texto de apresentação do espaço dedicado para a Maria dos Pacotes no Solar foi escrito pelo próprio Edu Cerioni, que assina também uma página do extinto Jornal “Bom Dia” colada à parede e pelo qual o jundiaiense ficou sabendo em janeiro de 2009 sobre a morte de Carlota Edith Barbieri, “a donas das ruas”. A manchete do “Bom Dia” informa “Carlota vai. Mito fica”.
O corredor é enfeitado ainda com fotos feitas por Regina Kalman e com reprodução de seus famosos pacotes pendurados por todo o teto. Além disso há um painel interativo para que o visitante registre suas memórias com a homenageada. São dezenas de recados já escritos ou desenhados.
A exposição estava programada para abrir em agosto, mês do patrimônio na cidade e junto com o lançamento do livro, mas foi adiada por conta de reformas no Solar.
QUEM FOI
Conhece a Carlota Edith Barbieri? Poucos vão dizer que sim. E aí, conhece a Maria dos Pacotes? Jundiaí praticamente toda vai saber de quem se trata, afinal é nossa figura folclórica número 1.
Mulher de roupas escuras que parecia se esconder na própria sombra, maltrapilha e suja, que tinha uma boca dura para soltar palavrões em letão e se defender de quem mexia com ela, nasceu em 5 de agosto de 1923 e faleceu em 5 de janeiro de 2009. Ficou os últimos cinco anos de vida fora das ruas, depois de ter sido atropelada por um caminhão. Mas por coisa de quase 40 anos, rodou por toda a cidade e marcou época.
Perambulava sempre solitária e carregando vários pacotes embrulhados por jornais, situação que nos levava a imaginar por que assumiu essa vida, já que tinha família e um lugar para ficar. Ouvia-se dizer que acabou assim porque o noivo a deixou no altar, e depois ‘pirou’, mas nada disso passa de lenda. Na verdade, era uma mulher doente, que sofria de esquizofrenia e ficou 12 anos internada no Hospital Psiquiátrico do Juquery.
Sua morte foi atestada como sendo por infarto do miocárdio. Ela foi enterrada ao lado de ilustres como ela também deveria ser tratada. Os vizinhos próximos de cemitério dão nomes a ruas, ela não. São as ruas em que ela vagava sem querer agradar a ninguém.
O Museu fica na rua Barão de Jundiaí, 762 – Centro, e pode ser visitado, gratuitamente, de terça-feira a domingo, inclusive feriados, das 10h às 17h.


