quarta-feira, 3, junho, 2026, 23:15
CIDADESJUNDIAÍ

Mais pacientes relatam falta de remédios na Farmácia de Alto Custo

O “Jornal da Região” trouxe o caso da moradora de Jundiaí, Deborah Yoshida, que fez um apelo público nesta semana após enfrentar dificuldades no acesso à sua medicação de uso contínuo para o tratamento de Esclerose Múltipla, na Farmácia de Alto Custo. Agora, mais um cidadão vem enfrentando problemas para manter o seu tratamento após sofrer traumatismo craniano. O leitor Eder Cassiano Calsavara disse que precisa tomar todos os dias remédios que estão em falta.

Desde o dia 15 de abril, Deborah vem sendo obrigada a reduzir pela metade a dose diária prescrita do remédio Fumarato de dimetila 240mg, devido à falta do medicamento na Farmácia de Alto Custo, serviço responsável por seu fornecimento.

“Tenho tomado apenas um comprimido ao dia em vez de dois, porque fui informada de que o remédio está em falta e até agora o estoque não foi regularizado”, relata Deborah. Ela afirma que tem feito contatos semanais com a farmácia responsável, mas não obteve previsão concreta de reposição.

A situação preocupa médicos e familiares, já que a subdosagem pode comprometer o controle da doença. A Esclerose Múltipla é uma enfermidade neurológica crônica que exige tratamento contínuo para evitar surtos e a progressão dos sintomas. A interrupção ou redução das doses, segundo especialistas, pode trazer riscos significativos à saúde do paciente.

Deborah fez um apelo direto às autoridades de saúde: “Peço ajuda para que cobrem uma solução. É um descaso com a saúde de quem depende dessa medicação.”

Traumatismo

E ela não está sozinha. Outro morador de Jundiaí, Éder Cassiano Calsavara, também enfrenta dificuldades semelhantes.

Após sofrer um traumatismo craniano, Éder faz uso diário do medicamento Mirtazapina, um antidepressivo que atua também no controle de distúrbios do sono e alterações de humor, comuns em pacientes neurológicos.

No entanto, assim como o remédio de Deborah, a Mirtazapina também está em falta na Farmácia de Alto Custo.

“É desesperador depender de um remédio essencial e não saber quando vamos conseguir de novo. Não é um luxo, é questão de sobrevivência e dignidade”, afirmou Éder à reportagem.

Casos como os de Deborah e Éder não são isolados.

Problemas no fornecimento de medicamentos de alto custo têm sido recorrentes em diversas regiões do país, afetando pacientes com doenças crônicas, neurológicas, psiquiátricas e autoimunes. A falta de regularização no estoque coloca em risco a saúde de centenas de pessoas que dependem diariamente desses tratamentos.

A reportagem procurou a Secretaria Estadual de Saúde para comentar sobre a falta dos medicamentos e aguarda um posicionamento oficial.

Enquanto isso, os pacientes e suas famílias seguem na angústia da incerteza, esperando por uma resposta rápida e eficaz que garanta a continuidade dos tratamentos e a preservação da qualidade de vida.