Padrasto é preso por agredir companheira e enteada
Um homem de 51 anos foi preso em flagrante na madrugada deste sábado (05) após agredir fisicamente sua companheira e enteada de 12 anos em uma residência no bairro Parque Eloy Chaves, em Jundiaí. O caso foi registrado como violência doméstica e lesão corporal contra menor.
Segundo o boletim de ocorrência, o acusado chegou em casa por volta da meia-noite após frequentar bares, visivelmente alterado pelo consumo de álcool. Ele iniciou uma discussão com a companheira, de 47 anos, acusando-a de ter desligado a internet da residência.
Durante a briga, o homem desferiu um tapa no rosto da enteada, uma estudante de 12 anos, após acordá-la e discutir com a menor. A menina conseguiu ligar para o pai biológico pedindo socorro. Quando o pai chegou ao local para buscar a filha, o agressor passou a agredir também a companheira.
De acordo com o relato da vítima, o suspeito a prensou contra a parede, colocando a mão em sua boca e pescoço. Para se defender, ela mordeu o dedo do agressor. A mulher revelou à polícia que essa não foi a primeira agressão sofrida, mas que nunca havia registrado ocorrência anteriormente.
A Prisão
A Guarda Municipal foi acionada pelo pai da menor e se deslocou até a residência.
Os agentes encontraram o suspeito dormindo e, ao acordá-lo, constataram que ele estava embriagado. Ele foi conduzido à delegacia sem resistência e não houve necessidade de uso de algemas.
Durante o interrogatório na delegacia, o homem exerceu o direito de permanecer em silêncio. Segundo o boletim, ele demonstrou postura irredutível, chegando a afirmar à escrivã que “não dava para falar com mulher, porque mulheres se defendem”. O suspeito se recusou a assinar o interrogatório e a nota de culpa.
Medidas Protetivas
As vítimas solicitaram medidas protetivas de urgência, que foram concedidas pela autoridade policial. Fotografias das lesões corporais foram anexadas ao boletim de ocorrência.
O delegado Daniel Ghetti Do Prado, responsável pelo caso, destacou no despacho enviado para a Justiça que ficou evidente o temor das vítimas em relação ao agressor, justificando a necessidade das medidas protetivas. “Conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em casos de violência doméstica, a palavra da vítima possui especial relevância devido à natureza clandestina desses crimes”.
O homem foi encaminhado ao Centro de Triagem de Campo Limpo Paulista, onde permanece à disposição da Justiça.
As vítimas foram devidamente orientadas sobre seus direitos assegurados pela Lei Maria da Penha, incluindo a possibilidade de requerer medidas protetivas ao Ministério Público ou diretamente à autoridade judicial. Também foram informadas sobre a rede de apoio disponível para garantir seus direitos.
O caso será encaminhado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para prosseguimento das investigações.
A menor de idade não prestou depoimento na delegacia, conforme estabelece a Lei de Escuta Especializada.
Mulheres que sofrem qualquer tipo de violência dos companheiros dentro de casa também podem ligar 24 horas por dia no telefone 190. A PM criou a “Cabine Lilás”, onde policiais femininas são preparadas para escutas dos problemas enfrentados pelas vítimas e o que podem fazer.


