Homem de 37 anos morre por intoxicação de metanol em Jundiaí
Um homem de 37 anos faleceu na tarde desta terça-feira (14) no Hospital São Vicente de Paulo após estar internado com intoxicação por metanol. O caso marca mais um óbito relacionado à contaminação de bebidas no Brasil, fenômeno que tem crescido alarmantemente nos últimos meses.
A vítima permaneceu internada no Hospital São Vicente de Paulo entre 3 e 14 de outubro, quando faleceu.
Durante todo o período de hospitalizações, a equipe médica realizou diversos procedimentos na tentativa de salvá-lo.
A Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Jundiaí havia comunicado anteriormente à família a confirmação do quadro clínico de intoxicação por metanol.
Segundo relatos da família à Delegacia de Polícia Civil, a vítima morava sozinha na região do Retiro.
O caso será encaminhado para investigação pela equipe do 5º Distrito Policial, sob comando do delegado Rafael Diorio Costa.
O delegado do Plantão Policial de Jundiaí, Pedro Henrique Craveiro, requisitou ao Instituto Médico Legal (IML) a coleta de amostras para exames pelo Instituto de Criminalística, procedimento que ocorrerá nesta quarta-feira (15), durante exames necroscópicos.
O delegado disse que solicitou coleta de material para análise das visceras e toxicológico, além da necropsia.
Os laudos devem levar cerca de 30 dias para ficarem prontos e serão feitos em São Paulo. pelo IML Sede.
CRISE NACIONAL DE CONTAMINAÇÃO
O óbito em Jundiaí ocorre em meio a uma crise nacional de contaminação de bebidas alcoólicas por metanol. Segundo o Ministério da Saúde, até segunda-feira (13), foram registradas 213 notificações de intoxicação, sendo 32 casos confirmados e 181 em investigação, além de 320 suspeitas descartadas.
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas confirmou que o estado acumula 22 casos — sete confirmados e 15 em apuração — entre os quais cinco mortes ligadas à suposta ingestão da substância, com um óbito confirmado na capital paulista e quatro mortes ainda sob investigação.
A ORIGEM DO METANOL NAS BEBIDAS
Investigações apontam que o metanol chegava ao país pelo porto localizado no Paraná, com documentação que indicava destinação legítima a empresas químicas ou de biodiesel para uso industrial, mas motoristas desviavam o produto diretamente para postos de combustíveis.
Há suspeita de que o fechamento recente de distribuidoras e formuladoras de combustível ligadas ao crime organizado está por trás das intoxicações por bebidas adulteradas em bares e casas noturnas.
SINTOMAS E PREVENÇÃO
Os consumidores devem estar atentos aos sintomas que podem indicar intoxicação por metanol.
Sinais de alerta incluem visão turva, dor de cabeça intensa, náusea, tontura ou rebaixamento do nível de consciência.
O caso é considerado suspeito quando o paciente que ingeriu bebida alcoólica apresenta persistência ou piora de sintomas como embriaguez persistente, desconforto gástrico e alteração visual, entre 12 horas e 24 horas após o consumo.
Os sintomas iniciais podem incluir torpor e sensação de efeito alcoólico muito rápido, e em casos mais graves, o metanol pode causar comprometimento neurológico, perda de visão e, se não houver atendimento rápido, danos permanentes.
RECOMENDAÇÕES
Em caso de suspeita, estabelecimentos devem interromper a venda do lote suspeito, isolar os produtos para perícia, e se um cliente apresentar sintomas como visão turva, dor de cabeça ou náusea, deve-se encaminhá-lo para atendimento médico urgente e acionar o Disque-Intoxicação.
O Ministério da Saúde recomenda a procura por atendimento médico imediato em casos de suspeita de intoxicação, evitando automedicação.
As autoridades policiais de Jundiaí prosseguem com as investigações para determinar a origem da bebida consumida pela vítima e identificar possíveis envolvidos na distribuição de produtos contaminados.


