Proporção de famílias de casal sem filhos quase dobra em 22 anos
Da Agência Brasil, com dados da Agência Regional do IBGE em Jundiaí/SP
Nas últimas duas décadas, o Brasil viu quase dobrar a proporção de famílias formadas por casais sem filhos. O Censo 2000 mostrou que a parcela de lares com essa configuração era de 14,9%. Já em 2022, a participação saltou para 26,9%.
A constatação está no suplemento Nupcialidade e Família do Censo 2022, divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Quando o IBGE soma as famílias formadas por casais sem filhos, estão incluídos os lares nos quais moram apenas os dois cônjuges e também os endereços nos quais casais moram com algum parente que não seja filho de um dos dois.
De acordo com o IBGE, nas últimas décadas houve mudança na estrutura de família. “Maior participação da mulher no mercado de trabalho, baixas taxas de fecundidade e o envelhecimento da população influenciaram no aumento do percentual de casais sem filhos”, afirma o estudo.
Confira alguns dados das cidades da região de Jundiaí
Jundiaí
Famílias sem filhos pequenos são maioria em Jundiaí. Em 2022, o município contabilizava 102.564 famílias. Destas: 71,3% (73,1 mil) não tinham filhos com menos de 10 anos; 21,6% (22,2 mil) tinham um filho; 6,4% (6,5 mil) tinham dois filhos; e 0,7% (741) tinham três ou mais filhos nessa faixa etária.
Várzea Paulista
Em 2022, o 25.952 famílias foram contabilizadas na cidade. Destas: 67,8% (17,6 mil) não tinham filhos com menos de 10 anos; 23,0% (5,97 mil) tinham um filho; 8,1% (2,1 mil) tinham dois
filhos; e 1,11% (289) tinham três ou mais filhos nessa faixa etária.
Campo Limpo Paulista
Em 2022, o município contabilizava 16.522 famílias. Destas: 67,1% (11 mil)) não tinham filhos com menos de 10 anos; 23,6% (3,9 mil) tinham um filho; 8,2% (1,3 mil) tinham dois filhos; e 1,04% (172) tinham três ou mais filhos nessa faixa etária.
Itupeva
Em 2022, o município contabilizava 17.096 famílias. Destas: 65,8% (11,2 mil) não tinham filhos com menos de 10 anos; 24,2% (4,1 mil) tinham um filho; 8,9% (1,5 mil) tinham dois filhos; e
1,12% (192) tinham três ou mais filhos nessa faixa etária.
Jarinu
Em 2022, o município contabilizava 8.855 famílias. Destas: 65,4% (5,8 mil) não tinham filhos com menos de 10 anos; 24,2% (2,1 mil) tinham um filho; 8,6% (763) tinham dois filhos; e 1,8% (156)
tinham três ou mais filhos nessa faixa etária.
Mais informações de Jundiaí
O percentual de pessoas com 10 anos ou mais que viviam em união no município de Jundiaí cresceu em relação a 2010. Em 2010, 53,72% da população nessa faixa etária estava em uniões consensuais. Em 2022, essa proporção subiu para 55,95%, tendo o crescimento ligeiramente acima do que ocorreu no estado de São Paulo, que foi de 50,7% em 2010 para 51,7% em 2022.
Aumenta o número de separados, divorciados e viúvos. O percentual de pessoas que não viviam em união, mas já haviam vivido, também aumentou: passou de 13,11% em 2010 para 15,19% em 2022. Apresentou aumento menor que o estado de São Paulo, que foi de 14,4% em 2010 e de 18,2% em 2022.
Jundiaí registrou diferenças por sexo e faixa etária nas uniões. No município, mulheres viviam mais em união, em comparação com os homens, até os 34 anos, enquanto eles se mantinham mais frequentemente em união nas idades mais avançadas. Entre as mulheres, o pico ocorreu entre 40 e 44 anos, quando 76,7% viviam em união. Já entre os homens, a faixa etária mais comprometida era a de 50 a 54 anos, em que 80,3% viviam em união.
Casais com filhos
No sentido oposto, o Censo verificou que, pela primeira vez desde 2000, a proporção de casais com filhos representa menos da metade das 61,2 milhões de famílias identificadas.
Em 2000, os lares que abrigavam casais com filhos eram 63,6%. Dez anos depois, a parcela somava 54,9%. Já o Censo 2022 revela 45,4%.
Entre outras composições familiares, a pesquisa censitária encontrou em 2022:
13,5% formadas por mulheres sem cônjuge com filhos
3,8% formada por mulher sem cônjuge com filhos e com parentes
2% formadas por homem sem cônjuge com filhos
0,6% formadas por homem sem cônjuge com filhos e com parentes
O levantamento do IBGE considera famílias apenas pessoas que moram juntas e têm relação de parentesco entre si, isto é, não leva em conta, por exemplo, dois estudantes que compartilham um imóvel.
Unipessoais
Assim como aumentou a parcela de casas com casais sem filhos, cresceu a participação de unidades domésticas unipessoais, aquelas onde mora apenas uma pessoa. Em 2010, eram 12,2% dos lares, passando a 19,1% em 2022. Equivale dizer que, de cada cinco unidades domésticas no país, uma tem apenas um morador. No período de 12 anos, o número de pessoas nessa situação saltou de 4,1 milhões para 13,6 milhões.
Apesar desse aumento em pouco mais de uma década, a proporção brasileira de lares unipessoais fica abaixo da verificada em uma série de países, como Finlândia (45,34%), Alemanha (41,1%), França (37,78%), Dinamarca (37,57%) e Itália (36,64%).
No Reino Unido, a proporção é 30%, à frente de Estados Unidos (27,6%). Na nossa vizinha Argentina, unipessoais são 16,2% dos lares.
O IBGE identificou que no Brasil é praticamente igual o número de homens (6,84 milhões) e mulheres (6,78 milhões) que moram sozinhos. No entanto, há diferença por faixa etária. Até os 54 anos, os homens são maioria entre as pessoas que moram sozinhas. Na faixa etária de 55 a 59 anos, há equilíbrio, e de 60 anos em diante, as mulheres predominam nesse grupo.
De acordo com o pesquisador do IBGE Marcio Mitsuo Minamiguchi, a predominância feminina nos grupos de maior idade é explicada pelo fato de que elas vivem mais.
“Mulheres são mais longevas”, diz ele, acrescentando que os homens vivem mais em união conjugal nessas idades. “Eles formam casal em maior medida”, aponta.


