sábado, 25, julho, 2026, 07:56
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Veja os detalhes da perseguição da PM que terminou em confronto e morte de procurado da Justiça

FRANCISCO MORATO – Uma perseguição policial que se estendeu de Franco da Rocha a Francisco Morato terminou em confronto armado na manhã de domingo (28), resultando na morte de um homem de 24 anos que estava foragido da Justiça. O caso foi registrado como “homicídio decorrente de oposição à intervenção policial” na Delegacia de Polícia de Francisco Morato, sob responsabilidade do delegado Dr. Leonardo Pontes B. Montenegro, que atuava no Plantão Policial de Jundiaí.

Início da perseguição

A ocorrência teve início por volta das 10h30, quando equipes da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) tentaram efetuar a abordagem de uma motocicleta Honda CG 125 Fan em Franco da Rocha.

O condutor, no entanto, não obedeceu à ordem de parada e empreendeu fuga em alta velocidade, de acordo com o Boletim de Ocorrência. Familiares do rapaz morto contestam a versão e dizem que os fatos narrados são falsos.

O Boletim de Ocorrência diz que a perseguição mobilizou diversas equipes policiais, que realizaram o acompanhamento por vias e áreas de difícil acesso.

O fugitivo tentou despistar os policiais, entrando em ruas estreitas e realizando manobras arriscadas na tentativa de escapar do cerco policial.

Fuga a pé e invasão de residência

No bairro Água Vermelha, em Francisco Morato, o condutor perdeu o controle da motocicleta, que caiu ao solo.

Abandonando o veículo, ele prosseguiu a fuga a pé, adentrando uma área de mata fechada às margens de um córrego.

As equipes passaram a verbalizar e gesticular para que o indivíduo se rendesse, mas ele continuou em fuga.

Segundo o relato policial, era possível apenas visualizar a vegetação se movimentando, pois os policiais estavam do lado oposto do córrego e não havia contato visual direto.

Em determinado momento, foi ouvido o barulho de um portão.

Posteriormente, constatou-se que o fugitivo havia ingressado pelo fundo de uma residência no bairro Água Vermelha, pulando de casa em casa.

Um morador da região, que presenciou parte da fuga, apontou para os policiais a residência onde o homem havia se escondido.

Enquanto parte das equipes mantinha o cerco externo, a equipe de Força Tática conseguiu permissão para adentrar o imóvel.

Momentos de tensão

Ao chegarem à casa indicada, os policiais foram alertados por uma moradora, que saiu do imóvel em desespero carregando uma criança no colo.

Ela gritava que o fugitivo havia corrido para o quarto de seu filho.

Um policial permaneceu na porta da residência enquanto a mulher informava que seu marido ainda estava dentro da casa.

Foi realizada verbalização pela equipe policial, conseguindo fazer com que o morador saísse do imóvel em segurança.

O homem informou aos policiais que acreditava não haver mais ninguém no interior da residência, pois não havia visto o fugitivo.

Diante da situação de risco, os policiais solicitaram apoio com escudo balístico para garantir a segurança durante a progressão no interior da residência, para revista geral.

Após a chegada do equipamento de proteção, foi realizada nova verbalização e, em seguida, efetuada a entrada no imóvel com varredura cômodo por cômodo.

Confronto armado

Ao chegar no quarto indicado pela moradora, a equipe de Força Tática se deparou com o fugitivo, que estava escondido no local portando um revólver calibre .38 em punho.

A arma estava municiada com cinco cartuchos aparentemente picotados e tinha a numeração suprimida.

Segundo o relato dos policiais militares envolvidos na ocorrência, ao ser verbalmente ordenado a sair do cômodo e se render, o homem sacou a arma e a apontou em direção aos agentes, configurando iminente risco à integridade da equipe.

Diante do que foi classificado como “injusta agressão” e da “ameaça iminente representada pela arma apontada” contra os policiais militares, houve confronto armado.

Os policiais reagiram efetuando disparos contra o fugitivo, que foi atingido aparentemente por dois tiros na região do abdômen.

Socorro e óbito

Imediatamente após o confronto, foi solicitado socorro médico.

O homem foi atendido por uma ambulância do município e conduzido com urgência à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Francisco Morato.

Apesar dos esforços da equipe médica, o óbito foi constatado pelo médico plantonista.

No local do confronto foi apreendido o revólver calibre .38, marca Taurus, com numeração suprimida, contendo cinco munições, sendo uma já deflagrada.

A arma ficou à disposição da autoridade policial para perícia e demais procedências cabíveis.

Material apreendido

Além do revólver utilizado pelo fugitivo, foram apreendidas as armas institucionais dos policiais militares envolvidos no confronto para realização de perícia balística, conforme protocolo em casos de intervenção policial com resultado letal.

Também foi recuperada a motocicleta Honda CG 125 Fan utilizada na fuga, que estava registrada em nome de terceiro.

Foragido da Justiça

Durante os procedimentos na delegacia, constatou-se que o homem morto no confronto era procurado pela Justiça.

Havia contra ele um mandado de prisão em aberto, conforme os autos do processo que tramitava na comarca.

A informação foi confirmada através de consulta aos sistemas policiais e judiciais, revelando que o fugitivo possuía passagem pelo sistema de justiça criminal e estava em situação irregular perante a lei, conforme boletim de ocorrência da Delegacia de Polícia Civil de Francisco Morato.

Família relata “terror”

Um morador da residência invadida, de 30 anos, prestou depoimento na delegacia relatando os momentos de terror vividos por sua família.

Ele contou que, na manhã de domingo, foi alertado por uma vizinha de que havia um indivíduo transitando pelas residências da rua, sendo perseguido pela polícia.

Ao entrar em sua casa para avisar a esposa sobre a situação, o fugitivo passou por ele e por sua mulher, ingressando abruptamente no quarto do casal.

“Foi tudo muito rápido. Ele entrou correndo e se escondeu no nosso quarto. Minha esposa pegou nossa filha no colo e saímos. Estávamos apavorados”, relatou a testemunha.

Na sequência, os policiais chegaram ao local, efetuaram a abordagem e determinaram que o casal permanecesse no quintal do imóvel, sob a supervisão de um agente, enquanto outros adentravam a residência para localizar o fugitivo.

Classificação legal do caso

O caso foi registrado sob o Boletim de Ocorrência SY4776-1/2025 e classificado como “homicídio decorrente de oposição à intervenção policial”, conforme determina a Resolução Conjunta MJ/DPF/CSP nº 2, de 13 de outubro de 2015.

A resolução estabelece que, em casos de morte decorrente de resistência à legítima ação policial de natureza preventiva ou repressiva, a autoridade policial deve verificar se os executores se valeram, moderadamente, dos meios necessários e disponíveis para defender-se ou para vencer a resistência.

Segundo a norma, a polícia só pode usar força letal em situações de autodefesa ou para cessar uma agressão iminente, como alegado no relato da equipe policial, situação em que o indivíduo apontou uma arma de fogo em direção aos agentes.

Perícia e investigação

Foi requisitado exame pericial do local do confronto, com o objetivo de documentar a cena e coletar evidências que possam esclarecer todos os detalhes da ocorrência.

A perícia deve analisar a trajetória dos disparos, posicionamento dos envolvidos e demais elementos técnicos relevantes para a investigação.

Todo o material apreendido, incluindo as armas de fogo e a motocicleta recuperada, foi encaminhado para análise pericial.

As armas institucionais dos policiais também passarão por exames balísticos para confirmação dos disparos efetuados durante o confronto.

O delegado Dr. Leonardo Pontes B. Montenegro, responsável pelo caso, determinou que fossem tomadas todas as providências legais cabíveis.

O inquérito policial será instaurado para apurar as circunstâncias da morte e verificar a legalidade da ação policial.

A Corregedoria da Polícia Militar também será comunicada do ocorrido, conforme protocolo em casos de intervenção policial com resultado de morte, para que sejam realizadas as apurações administrativas necessárias.

O corpo do homem foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Franco da Rocha, para realização de exame necroscópico, que determinará com precisão a causa da morte e o número de disparos que atingiram a vítima.