Perseguidor não aceita separação e destrói a vida de mulher, em Jundiaí
Uma ocorrência registrada no Centro de Jundiaí, expõe uma realidade brutal enfrentada por milhares de mulheres brasileiras: a impossibilidade de se livrar de perseguidores e agressores, mesmo após o fim do relacionamento e a busca por ajuda das autoridades.
A vítima, de 38 anos, foi socorrida pela Polícia Militar após ser agredida a socos e chutes e ameaçada de morte com uma faca pelo ex-companheiro, de 39 anos.
Mas o que deveria ser um caso isolado revela um padrão de violência que já destruiu completamente a vida da mulher.
A escalada da violência
Segundo o boletim de ocorrência elaborado pela equipe da delegada Fernanda Monteiro de Souza, as agressões são reiteradas, com registros policiais anteriores. A vítima relatou que o homem não aceita o término do relacionamento, que durou alguns meses, e passou a persegui-la constantemente.
As consequências dessa perseguição foram devastadoras: a mulher perdeu diversos empregos após o agressor aparecer em seus locais de trabalho, perdeu sua residência devido aos danos causados pelo homem e, atualmente, vive em situação de rua.
A mulher disse que dormia em frente da Catedral no Centro de Jundiaí quando foi acordada com pontapés pelo ex-companheiro, que estava embriagado e sob efeito de drogas.
Portando uma faca de aproximadamente 30 centímetros, o homem proferiu ofensas e acusações.
Ao tentar se levantar, a vítima foi atingida por um soco no rosto, que causou lesão na região ocular, além de um golpe no ombro.
Quando o agressor sacou a faca, ela conseguiu correr para o interior de uma farmácia, de onde foram acionados os policiais.
Medidas protetivas sem efetividade
Um detalhe preocupante da ocorrência evidencia uma falha no sistema de proteção: embora a vítima tenha conseguido medidas protetivas de urgência contra o agressor, o homem ainda não havia sido intimado da decisão judicial.
Ele foi cientificado das medidas apenas no momento da apresentação na Delegacia, após já ter cometido nova agressão.
A mulher também relatou ter registrado ocorrência recente na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) por agressões semelhantes, inclusive com lesões visíveis, mas não conseguiu realizar o exame de corpo de delito porque o agressor a impediu e a persegue em todos os lugares para onde vai. Ela perdeu esperanças.
Um problema estrutural
O caso reflete dados alarmantes sobre a violência contra a mulher no Brasil.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registra uma denúncia de violência doméstica a cada dois minutos.
Especialistas apontam que o problema vai além do registro de ocorrências e da concessão de medidas protetivas: há falhas na notificação dos agressores, na fiscalização do cumprimento das medidas e no acompanhamento das vítimas.
O fenômeno da “violência pós-separação” é conhecido nos estudos sobre violência de gênero.
Muitos agressores intensificam o comportamento violento quando percebem a perda de controle sobre a vítima, resultando em perseguição, ameaças e agressões cada vez mais graves.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência doméstica podem acionar:
Central de Atendimento à Mulher: 180
Polícia Militar: 190
Delegacia de Defesa da Mulher de Jundiaí: (11) 4521-3382
O agressor foi preso em flagrante e autuado pelos crimes de lesão corporal, ameaça e descumprimento de medida protetiva. Agora a decisão sobre o futuro cabe à Justiça.


