Família de jovem baleado em abordagem policial denuncia irregularidades e alega denúncia caluniosa sobre veículo
A família do jovem de 29 anos baleado acidentalmente durante abordagem da Polícia Militar no bairro Jardim Tamoio, em Jundiaí, denuncia uma série de irregularidades no caso e garante que ele é trabalhador e não está envolvido em crimes.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a prima do rapaz, Thaís Milena, apresenta esclarecimentos que, segundo ela, não constam no Boletim de Ocorrência do Inquérito Policial da Polícia Civil.
Thaís detalhou cronologicamente os fatos e revela que o antigo proprietário da caminhonete Amarok teria feito denúncia caluniosa de roubo do veículo.
O antigo dono, morador de Bebedouro, registrou Boletim de Ocorrência de furto da caminhonete no dia 27 de janeiro, alegando que desde 2 de janeiro a Amarok tinha sido levada por ladrões.
Segundo a prima do jovem, o motivo teria sido a chegada de multas provenientes de um intermediário que ficou com a Amarok até o repasse para a loja de veículos onde foi realizada a compra.
Thaís afirma que, no momento da aquisição na loja, foi feita consulta aos sistemas do Detran e não havia qualquer restrição sobre o veículo.
A familiar também questionou a forma como o caso foi tratado tanto pelo Hospital São Vicente de Paulo, que teria impedido o contato de todos com o primo baleado, quanto pelo Plantão Policial de Jundiaí, onde, segundo ela, trataram o rapaz “que é vítima como bandido”.
Thaís enfatizou que para a família o jovem é um “menino de ouro” e muito trabalhador.
Ela questiona ainda o disparo feito pela policial militar ao descer da viatura, fato que, segundo afirma, não foi destacado pela mídia. O tiro teria ocorrido sem “abordagem”, conforme relatou.
O delegado do Plantão Policial de Jundiaí, Elvis Rodrigues Rocha, destacou em seu despacho que a policial militar não havia sido ouvida na Delegacia porque prestava depoimentos para a Corregedoria da Polícia Militar, e que caberá ao delegado do 3º Distrito Policial dar sequência ao Inquérito Policial. O rapaz baleado também não foi ouvido porque estava em atendimento cirúrgico no São Vicente.
“Diante do exposto, determino o registro do presente Boletim de Ocorrência para fins de apuração do delito, inicialmente, em tese, de lesão corporal culposa, a fim de que sejam analisadas as circunstâncias do disparo, a conduta dos policiais militares envolvidos, o nexo causal, bem como eventual responsabilidade penal, administrativa ou disciplinar, garantindo-se o contraditório e a ampla defesa”, informou o delegado.
No despacho, Elvis Rodrigues Rocha explicou ainda que os policiais militares envolvidos não foram apresentados à Delegacia por estarem sendo ouvidos no procedimento de Inquérito Policial Militar (IPM) nº 49bpmi 002/06/26 de Jundiaí, onde estão sendo realizados os procedimentos relativos aos fatos, incluindo a apresentação das armas de fogo e demais procedimentos de competência da Justiça Militar Estadual.
O delegado do 3º Distrito Policial, Marco Antônio Ferreira Lopes, deverá ouvir todos os envolvidos para esclarecimentos, além de solicitar as imagens das câmeras corporais dos policiais militares.
Veja o vídeo de Thais, com todos os esclarecimentos.
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