quarta-feira, 12, agosto, 2026, 16:03
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Mãe salva filha de 12 anos de cometer suicídio após estupro virtual pelo Discord

A Polícia Civil investiga um caso de aliciamento de uma adolescente de 12 anos na região de Jundiaí, após a mãe salvar a filha de estupro virtual e até do suicídio. Um homem – ainda não identificado – vinha obrigando a menina a enviar vídeos sexuais e até de automutilação. Desesperada tentando salvar a filha a mulher chegou a levá-la em uma psicóloga, que não teria identificado a “origem” do problema, que era o aplicativo Discord.

A mãe registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil, que decretou “Segredo de Justiça” até a conclusão das investigações.

Quatro meses

A menina teria sido induzida a enviar fotos íntimas e a se ferir, sob ordens de um usuário desconhecido, com quem conversava há cerca de quatro meses. A cada ligação ele fazia novas exigências para a garota.

A autoridade policial considerou que houve estupro virtual com cenas de sexo explícito, induzimento, instigação ou auxílio a suicídio e ainda automutilação.

As atitudes da mãe salvaram a filha, do contrário seria mais um número de situação semelhante denunciada pela primeira-dama Janja, contra o Discord, que permitiu uma sala ao vivo onde menina se matou na frente de outras 200 pessoas.

Aliciamento

Segundo o relato da mãe, a adolescente vinha apresentando comportamentos estranhos há cerca de dois meses, como ficar muito tempo no quarto e passar horas no celular.

Após ser encaminhada a uma psicóloga, a profissional teria afirmado que “a menina estava bem”.

No dia 9 de agosto, ao verificar o celular da filha, a mãe encontrou vários aplicativos baixados, entre eles o Discord, Roblox, TikTok e Instagram.

Ao conferir as mensagens, constatou que a adolescente conversava com usuários do Discord. Algumas mensagens foram apagadas e podem ser recuperadas por meio de perícia da Polícia Técnica Científica.

Conteúdo

Nas conversas de texto e áudio, a vítima enviou vídeos e fotos nuas, foi ensinada a acessar os aplicativos e recebeu mensagens relacionadas a sexo, assassinato, além de fotos e vídeos de cenas com sangue.

A adolescente também foi ensinada a se ferir, chegando a causar cortes em partes do corpo e enviar fotos dos ferimentos para esses grupos.

Em algumas mensagens, um dos usuários ainda dizia que iria se matar e que a menina beberia o sangue.

A vítima relatou que conversava com esse usuário há cerca de quatro meses, por mensagens de texto e áudio e chamadas de vídeo, mas nunca viu com quem estava conversando, pois somente ele a via.
 
Investigação

A mãe chegou a entrar em contato com um dos usuários pelo aplicativo Discord e, ao ouvir a voz dele, percebeu que não se tratava de um adolescente de 14 anos, como ele se identificava.

O pai da vítima, ao acessar o aplicativo de jogos Roblox, conversou com outros usuários e levantou a suspeita de que havia outros adolescentes passando pela mesma situação.

Há indícios de que os perfis eram usados por um homem mais velho, que iniciava conversas com crianças e adolescentes como amigo e, depois, passava a pedir fotos íntimas e a induzi-las a se ferirem.

Todo o material foi apreendido pela Polícia Civil, que guarda o material em “Segredo de Justiça”.

Governo suspende lives do Discord

O Governo Federal determinou a suspensão das transmissões ao vivo do aplicativo Discord no Brasil, após a morte de uma menina de 13 anos durante uma live na plataforma.

A decisão partiu da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que considerou que a empresa não toma as medidas necessárias para garantir a segurança de crianças e adolescentes.

A medida começará a valer em até três dias. As lives e outros recursos de compartilhamento de vídeo ficarão suspensos até que a empresa comprove a adoção de medidas para corrigir as falhas apontadas.

Preocupação

O caso ganhou forte repercussão após a cobrança pública da primeira-dama Janja Lula da Silva, que defendeu a retirada imediata da plataforma do ar no país. Em declaração, a primeira-dama afirmou que é preciso atuar junto ao Judiciário para tirar a rede do funcionamento, classificando o aplicativo como uma rede perigosa para o público jovem.

A pressão do governo federal sobre o Discord avançou para uma etapa institucional. A Advocacia-Geral da União (AGU) cobrou da empresa medidas concretas para corrigir falhas nos mecanismos de proteção de crianças e adolescentes, e chegou a estudar uma ação judicial contra a plataforma.
 
Denúncias

As investigações apontam que o grupo envolvido no caso usava o Discord e também o aplicativo de mensagens Telegram. De janeiro a julho de 2026, o número de denúncias contra o Discord cresceu 54% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo um recorde na série histórica.

A ANPD abriu um processo de fiscalização para apurar possíveis falhas do aplicativo. Entre os pontos investigados está a ausência de verificação de idade dos usuários, apontada como um dos fatores que permitiram a exposição de menores a conteúdos e interações perigosas.

Resposta

Diante da pressão, o Discord apresentou à AGU um plano de segurança voltado à proteção de crianças. O compromisso foi firmado em reunião com a Advocacia-Geral da União e ministérios, e o documento passa agora por nova análise da Polícia Federal e da ANPD.

Especialistas ouvidos sobre o caso, no entanto, alertam que tirar o Discord do ar pode não resolver o problema. A avaliação é que os criminosos podem migrar para outros serviços ou driblar o bloqueio, empurrando os usuários para plataformas fora do alcance da lei brasileira.

Repercussão

A postura da primeira-dama gerou reações no cenário político. A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) acionou o Ministério Público Federal para solicitar investigação sobre a atuação de Janja no caso. Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou o pedido de bloqueio, criticando o que chamou de prioridade invertida do governo.

O caso reacendeu o debate sobre a regulação das redes sociais no Brasil e a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de crianças e adolescentes, tema que deve seguir em discussão nos próximos dias.

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FOTO: DEPOSITPHOTOS