sexta-feira, 28, agosto, 2026, 18:22
JUNDIAÍSAÚDE

Jundiaí reduz em 93,5% casos de dengue no primeiro trimestre de 2026

Prevenir e controlar as arboviroses exige atuação contínua e articulada, que vai além do combate aos criadouros. Em Jundiaí, a Prefeitura reúne ações de campo, monitoramento entomológico, fiscalização e tecnologias complementares para o controle do Aedes aegypti. E essas ações resultam na queda do número de casos de dengue no município. Em 2026, Jundiaí registrou no primeiro trimestre 212 casos, contra 3.278 no mesmo período de 2025, queda de 93,5%.

Até o momento a cidade confirmou 469 casos. Em 2025, foram 8.142 casos, enquanto 2024, marcado por alta transmissão em todo o país, terminou com 22.733 confirmações.

Entre as ferramentas estão as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), tecnologia implantada em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde. As estações funcionam como armadilhas estratégicas para atrair fêmeas do mosquito, transmissoras da dengue.

As EDLs estão em quatro bairros prioritários: Jardim Tamoio, Ivoturucaia, Novo Horizonte e Santa Gertrudes. Mensalmente, as equipes verificam as estações, repõem os insumos e coletam dados de cada território.

Na comparação entre os períodos anteriores e posteriores à implantação das EDLs, houve redução dos casos de dengue nas quatro regiões. No Jardim Tamoio, os registros passaram de 688 para 60 (-91,3%); em Ivoturucaia, de 349 para 23 (-93,4%); no Novo Horizonte, de 789 para 25 (-96,8%); e em Santa Gertrudes, de 839 para 32 (-96,2%).

“Os dados mostram uma mudança importante no cenário epidemiológico. E esse trabalho da Vigilância é permanente, uma vez que os indicadores da dengue são dinâmicos, dependendo também de questões ambientais e climáticas e da participação da própria população, por isso o acompanhamento é contínuo para ajustar as estratégias sempre que necessário”, explica Vanessa Giovani, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS).

Outra frente essencial é o trabalho dos Agentes de Combate às Endemias (ACEs), que atuam diretamente nos territórios. Além de identificar e eliminar criadouros, os profissionais mapeiam áreas prioritárias, acompanham indicadores, realizam bloqueios e orientam a população.

“O trabalho do ACE é muito mais amplo do que a aplicação de larvicida. Ter uma equipe dimensionada de acordo com a realidade do município é fundamental para que todas essas atividades sejam realizadas com qualidade e continuidade”, afirma Luís Gustavo Grijota Nascimento, coordenador da VISAM.

Equipes da VISAM em trabalho de campo

Durante as visitas, também são coletados dados
Jundiaí possui 192.813 imóveis tributáveis. Considerando o parâmetro de um ACE para cada 800 a 1.000 imóveis, usado como referência no planejamento, a necessidade técnica estimada é de 193 a 241 agentes. “Por esse motivo, eventualmente, é necessária a adequação da capacidade operacional dentro do planejamento da gestão para garantir a continuidade das ações”, complementa Vanessa.

As estratégias consideram a ocorrência de casos, a presença do vetor, as condições ambientais e climáticas, os indicadores entomológicos e as características de cada território. Os dados são acompanhados continuamente para orientar as ações de controle, que também dependem da circulação viral, da densidade do mosquito e da participação da população.

Mais de 80% dos criadouros identificados estão dentro ou no entorno imediato dos imóveis, em locais que podem acumular água, como caixas-d’água, calhas, ralos e pratos de plantas. Por isso, além do trabalho das equipes municipais, os moradores devem manter os imóveis livres desses recipientes e permitir o acesso dos agentes durante as vistorias.

A eliminação de recipientes que acumulam água, a manutenção dos imóveis e o acesso das equipes de Vigilância são medidas simples, mas fundamentais para reduzir ambientes favoráveis à proliferação do mosquito.