Candidato a deputado por Campinas tem carro baleado
Um veículo estacionado na Rua Aba, no bairro Recanto do Sol I, em Campinas, foi atingido por disparos de arma de fogo.
O carro estava adesivado com material de campanha eleitoral do candidato a deputado estadual Vini Oliveira, que se encontrava no interior de um estabelecimento comercial próximo no momento dos disparos.
A área foi preservada para os trabalhos periciais.
O policiamento na região foi intensificado e as equipes realizam diligências com o objetivo de localizar possíveis autores da ação.
Quem é Vini?
Aos 24 anos, Vinícius de Oliveira Sandoval, o Vini Oliveira, é candidato a deputado estadual por Campinas nas eleições de 2026, com o número 23234 pelo Cidadania.
Nascido em Campinas, ele se tornou nacionalmente conhecido em 2024, quando foi eleito vereador com 11.423 votos — o segundo mais votado daquele pleito e o mais jovem da história da Câmara Municipal da cidade.
Autodeclarado direitista, somava mais de 100 mil seguidores em redes sociais já na época da eleição.
A trajetória meteórica, porém, ganhou um capítulo inédito e turbulento. Em setembro deste ano, Vini entrou para a história política de Campinas por um motivo negativo: tornou-se o primeiro vereador cassado por Comissão Processante na história da Câmara.
A cassação por quebra de decoro parlamentar foi aprovada em 9 de setembro, com 23 votos favoráveis, 5 contrários e 1 abstenção — eram necessários pelo menos 22 dos 33 parlamentares.
O processo teve como base o parecer da CP, relatado pelo vereador Otto Alejandro (PL), que apontou que Vini teria extrapolado os limites da atuação fiscalizatória ao se reunir com representantes da empresa Smile enquanto a licitação do transporte público municipal ainda estava em andamento.
Para a comissão, o vereador teria usado a função parlamentar como pretexto para obter informações e denunciar concorrentes do certame, criando dúvidas sobre sua imparcialidade e a lisura do processo.
A defesa sustentou que não havia provas de quebra de decoro, alegou que o vídeo usado na denúncia foi obtido ilegalmente e manipulado, e classificou a sessão como ilegal, citando cerceamento de defesa. “Fiscalizar não é crime, fiscalizar não é falta de decoro, ao contrário, é o que o cidadão deseja”, argumentou o advogado. Após a cassação, Vini disse ser vítima de “perseguição política” e atacou vereadores da cidade.
Não foi o primeiro processo: ainda no primeiro ano de mandato, ele enfrentou uma CP sobre supostas irregularidades em fiscalização no Hospital Dr. Mário Gatti, mas o relatório pediu a absolvição e o caso foi arquivado. Em 2025, ele também assumiu a presidência municipal do Cidadania em Campinas — e, segundo análises políticas locais, rompeu ainda durante a campanha de 2024 com Rafa Zimbaldi, então principal nome do partido na cidade.
Candidatura sob risco
Mesmo cassado, Vini segue na disputa pela Assembleia Legislativa com o registro de candidatura deferido, mas a situação pode ser reavaliada pela Justiça Eleitoral.
A vereadora Mariana Conti, autora do processo que levou à cassação, acionou o Ministério Público Eleitoral pedindo análise de eventual inelegibilidade de oito anos.
Além disso, a Justiça Eleitoral o condenou ao pagamento de multa de R$ 5 mil por impulsionar vídeo contra um adversário na disputa.

