quarta-feira, 30, setembro, 2026, 00:15
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Depois de Nossa Senhora, PT explora envolvimento de Flávio com prostitutas

VICTOR LACOMBE E ANA LUIZA ALBUQUERQUE

(FOLHAPRESS) – O PT buscou explorar em redes sociais nesta terça-feira (29) uma reportagem do site PlatôBR segundo a qual Flávio Bolsonaro (PL) participou anos atrás de festas com garotas de programa, foi chantageado por um ex-sócio e recebeu de presente em 2022 um relógio de R$ 305 mil de um lobista.

O perfil do PT no X (ex-Twitter) publicou um post citando “orgias bancadas com dinheiro de origem suspeita”. “Jornal revela participação de Flávio Bolsonaro em orgias, Rolex de R$ 300 mil e até mensalidades de academia de luxo pagas por empresários e lobistas a Flávio durante governo do pai”, afirma a publicação do partido.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, José Guimarães (PT), também publicou sobre o tema: “Não é fofoca. São registros!”.

O candidato do PL à Presidência foi questionado por jornalistas, durante agenda em uma academia de jiu-jitsu em São Paulo, a respeito das mensagens relatadas pelo PlatôBR, mas não quis responder. A assessoria da campanha foi procurada, mas também não se manifestou a respeito do assunto.

De acordo com o site, o empresário Alexandre Santini, que foi sócio de Flávio na loja de chocolates investigada pelo Ministério Público no caso das “rachadinhas”, guardou mensagens trocadas com o senador do PL e ameaçou vir a público com imagens das festas.

Santini, segundo o PlatôBR, teria ainda documentos mostrando que o hoje candidato do PL à Presidência recebeu um relógio de R$ 305 mil de um advogado lobista.

A Folha de S. Paulo ainda não conseguiu confirmar as informações publicadas pelo site.

O PlatôBR cita mensagens que teriam sido enviadas por Santini para organizar, com a presença de Flávio, orgias com garotas de programa. Os dois romperam, segundo a reportagem, porque o empresário alegava que o filho de Bolsonaro lhe devia dinheiro. Santini teria, então, mostrado os supostos registros à mulher do senador, Fernanda Bolsonaro.

O PlatôBR mostra imagens de uma troca de mensagens atribuída a Santini e Flávio. Nela, segundo o site, o empresário acusa o senador do PL de ter tratado diretamente com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques sobre interesses de um cliente de um advogado lobista.

Procurado pela reportagem, Kassio disse que “atende parlamentares de todos os partidos, que defendem interesses distintos, e isso é praxe entre todos os gabinetes do Supremo, não representando prejuízo para a isenção dos magistrados”.

Flávio e Santini foram sócios em uma franquia da Kopenhagen que, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, era usada para lavar dinheiro do esquema da “rachadinha”, que teria envolvido a devolução de parte dos salários de assessores de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O filho de Bolsonaro foi denunciado no caso e sempre negou as acusações.

Em 2021, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou todas as decisões do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, por ter entendido que o processo deveria ter corrido na segunda instância, já que Flávio era deputado na época dos fatos e tinha direito ao foro especial. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal também anulou relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, que embasaram a denúncia contra o senador.

Nesta terça, em São Paulo, Flávio participou do evento na academia de jiu-jitsu com a presença do influenciador Pablo Marçal, que está inelegível, disse estar se integrando à equipe do candidato do PL e insinuou poder integrar um futuro governo.

Flávio disse que Marçal é um “grande empreendedor” e vai “ajudar nessa parte de empreendedorismo e mobilidade social”.