quinta-feira, 8, outubro, 2026, 22:41
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Pesquisa Datafolha aponta que Flávio Bolsonaro chegou a 52%

IGOR GIELOW

(FOLHAPRESS) – O primeiro levantamento do Datafolha feito após a definição da disputa de segundo turno da eleição presidencial mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 52% em votos válidos e o presidente Lula (PT) com 48%.

Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e são a métrica do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para contabilizar o placar final no dia do pleito.

Em votos totais, que no caso da pesquisa também incluem indecisos, Flávio fica com 49% e Lula, com 45%. Indecisos, ponto focal de uma corrida que pode ser definida nos detalhes, são apenas 1%. Já dizem que vão votar em branco ou anular outros 5%.

A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Os dois candidatos estão em um empate técnico no limite extremo da margem, mas estatisticamente isso é considerado improvável, indicando vantagem para Flávio.

No primeiro turno, realizado no domingo passado (4), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou 47,03% dos válidos, ante 45,16% do petista.

O Datafolha foi às ruas na terça (6) e na quarta (7), em um trabalho encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo registrado com o código BR-02949/2026 no TSE. Foram entrevistados 2.520 eleitores em 153 municípios. O nível de confiança é de 95%.

O levantamento mostra Flávio com intenção mais destacada, contando aqui os votos totais, entre os 42% de moradores do populoso Sudeste (50% a 42%), entre os que integram a classe média baixa que ganha de 2 a 5 salários mínimos (56% a 38%), os 15% de sulistas (58% a 35%) e os 28% de evangélicos (69% a 25%).

O presidente, mantendo o padrão do primeiro turno, vai melhor entre os 47% mais pobres (52% a 41%), 28% menos instruídos (55% a 41%), 49% de católicos (53% a 41%) e 27% de nordestinos (61% a 35%).

A aferição dos pesquisadores ocorreu em meio a momentos díspares das campanhas que polarizaram toda a disputa até aqui.
Flávio surfa o otimismo do resultado expressivo da direita no primeiro turno e o fato de que acabou à frente de Lula, após estar atrás ou empatado com o presidente nas pesquisas até a véspera —ainda que os levantamentos sejam instantâneos da disputa, não previsões.

Na véspera do voto, o Datafolha fotografou Lula com os mesmos 45% dos válidos da quinta (1º) e Flávio oscilando dois pontos para cima, chegando a 42%. Na urna, só o senador ficou acima do rival —dentro da margem de erro, se fosse uma pesquisa.

Seja como for, o senador vendeu a partir da segunda (6) uma imagem de virada irrefreável, que temperou ao colher apoio de partidos como o PP e Republicanos e rivais como Ronaldo Caiado, cujo PSD, entretanto, não se alinhou a ninguém.

Flávio tem uma posição vantajosa entre os eleitores de candidatos que ficaram para trás no primeiro turno. Segundo o Datafolha, 46% daqueles que votaram em Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Caiado e Romeu Zema (Novo) dizem migrar para o senador agora.

Já Lula fica com 32% desses votos, enquanto 15% dizem que irão de branco ou nulo.

O presidenciável do PL tem falado como eleito, e já delineou planos que antes não eram ouvidos em público, como o de mudanças constitucionais no sistema político e no Judiciário, uma obsessão do clã Bolsonaro no embate com o Supremo Tribunal Federal que viu o patriarca por fim preso.

Também prometeu suspender a reforma tributária, que passará a valer em etapas a partir de 2027, propor o fim da reeleição e a eventual extensão de mandatos do Executivo. Se isso estava perdido em linhas de seu programa de governo enviado ao TSE, nunca foi enunciado claramente por Flávio.

Após a divulgação da pesquisa Datafolha nesta quinta, Lula disse que o “único jeito é ganhar voto”. “Eu tenho 17 dias para isso e a minha obrigação é trabalhar, pagar esses votos.”

Do lado de Lula, além do desânimo natural para uma equipe que parecia otimista em excesso, há o problema da abstenção, que no primeiro turno atingiu recordistas 21,08%. Foram 33,4 milhões de eleitores, numa disputa em que o presidente ficou 2,2 milhões de votos atrás de Flávio.

O petista tem melhor intenção de voto em grupos que costumam faltar mais, com os menos escolarizados. Fazer esse eleitor ir às urnas foi foco do presidente no seu discurso admitindo o revés, na noite do domingo, e a aferição do Datafolha sobre a migração dos nanicos do pleito mostra que o caminho é incontornável.

Depois sobrevieram as usuais acusações sobre de quem foi a culpa, se do governo com má avaliação ou da campanha, criticada por aliados e pelo próprio Lula.

O presidente disse nesta quarta (7) que sua jornada foi a “mais desorganizada” das sete eleições ao Planalto que disputou desde 1989.

Enquanto isso, a lavagem de roupa suja entre seus coordenadores e balões de ensaio, como postar o vice Geraldo Alckmin (PSB) na Fazenda em caso de vitória, começaram a ser soltos. O petista também conta com a votação do fim da escala 6×1, pauta popular que o opõe a Flávio, no Senado na semana que vem.

Ainda falta uma tática clara ao petista, que tem escasso tempo e também tenta mirar o público das redes sociais: o horário eleitoral começa já nesta sexta (9), e o segundo turno será daqui a três domingos, no dia 25.

Desde a redemocratização, nenhum candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno acabou vencedor. No pleito passado, quando enfrentou em 2022 o pai de Flávio, Lula iniciou a disputa do tira-teima marcando 53% a 47% sobre Bolsonaro nos válidos. Acabou vencendo por 1,8 ponto percentual.