Polícia da Capital faz operação em postos da Bandeirantes contra furtos em carros
FÁBIO PESCARINI
(FOLHAPRESS) Criminosos têm usado um dispositivo eletrônico que bloqueia o sinal do alarme e impede o travamento das portas para furtar malas, notebooks e outros objetos de carros estacionados em postos de combustíveis das rodovias paulistas. O aparelho é conhecido pela polícia como “Chapolin”.
Na quarta-feira (4), policiais do 46º Distrito Policial (Perus), na zona norte da capital, cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Santo Amaro, na zona sul. A ação teve origem em queixas de furtos em postos próximos às rodovias Anhanguera e Bandeirantes e ao Rodoanel Mário Covas.
De acordo com o delegado Newton Fugita, titular do 46º DP e responsável pelo caso, foram apreendidos cartões bancários, celulares e outros objetos que podem pertencer às vítimas. Ninguém foi preso na operação.
A investigação começou em fevereiro, após o furto de malas de um carro estacionado em um posto perto de Perus. Os objetos foram recuperados na ocasião. Segundo o delegado, foi preciso analisar imagens de câmeras de segurança, o que tornou o caso complexo.
Como agem
Conforme a polícia, olheiros acompanham a chegada dos veículos ao estacionamento. Quando as vítimas descem para ir ao banheiro ou fazer uma refeição, o grupo aciona o bloqueador.
O alarme não é ativado e o carro permanece destrancado, mesmo que o motorista acredite ter fechado as portas.
“Uma das vítimas garante que trancou o carro, porque o veículo até fez aquele barulhinho de trancado”, relatou Fugita.
Na região do 46º DP, segundo ele, os alvos são principalmente carros de famílias em passeio.
Casos em Jundiaí
A prática se espalhou por outras regiões do estado.
No interior, há vítimas que tiveram notebooks levados durante viagens de trabalho.
Segundo boletins de ocorrência obtidos pela Folha, entre 20 e 27 de outubro foram registrados oito furtos com esse perfil em um único posto da rede Lago Azul, no km 58 da Rodovia dos Bandeirantes, em Jundiaí.
Em quatro casos, as vítimas só perceberam a falta dos objetos depois de deixar o local.
Na noite de terça-feira (20), dois funcionários de uma empresa saíram da zona norte de São Paulo rumo ao centro de distribuição em Louveira e pararam por 45 minutos no restaurante do posto. Ao chegar ao destino, notaram que os notebooks e um monitor portátil haviam sido levados.
No mesmo dia, outra vítima encontrou o carro destrancado na volta ao veículo, mas só soube do furto do notebook corporativo na manhã seguinte, em seu escritório, em Campinas.
Na terça-feira (27), um motorista afirmou ter guardado a bolsa com o equipamento no porta-malas e trancado o carro antes de ir ao banheiro e tomar um café. O furto só foi descoberto quando ele foi descarregar o veículo em um hotel de Campinas. Uma mulher também relatou ter percebido a ação apenas ao chegar a Araraquara.
Posto e prisões anteriores
A reportagem tentou contato com a rede Lago Azul por telefone e por e-mail, mas não obteve resposta até a publicação.
Segundo relatos, a empresa fixou avisos no estacionamento pedindo que os clientes confirmem se o veículo foi realmente trancado, e o local conta com câmeras de monitoramento.
Em setembro, a Polícia Militar Rodoviária prendeu duas pessoas a partir do sinal do rastreador de um dos equipamentos furtados.
Elas estavam em um carro com placas frias em um posto da Rodovia Carvalho Pinto, em Caçapava, no Vale do Paraíba.
Na operação desta quarta-feira, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que participaram oito viaturas e 16 policiais civis. Os investigados poderão responder por furto qualificado e associação criminosa, e a Polícia Civil segue apurando a participação de cada envolvido.
Dicas para o motorista
Ao desembarcar, confira se as portas realmente travaram, puxando a maçaneta, e não confie apenas no som ou na luz do alarme. Evite deixar notebooks, bolsas e eletrônicos à vista ou dentro do veículo durante paradas.

