quinta-feira, 4, junho, 2026, 10:03
CIDADES

Estudantes de faculdades pedem descontos nas mensalidades

Os estudantes de várias faculdades estão pedindo nas redes sociais descontos nas mensalidades. Eles dizem que durante a quarentena tiveram redução dos salários ou não receberam nada. Alguns foram demitidos e consideram o ano perdido. Outros chegaram a comentar que estão trancando as matriculas agora, para não “virar bola de neve”. Sem falar na “qualidade” do ensino à distância.

Uma das leitoras do “Jornal da Região” disse que a empresa em que trabalha paralisou as atividades no início da quarentena e já demitiu 40 funcionários. Ela tentou negociar com a faculdade onde estuda, mas não conseguiu falar pessoalmente com ninguém pelos canais normais.

Um jovem contou que trabalha na Krupp e a empresa dispensou todos os estagiários, sem perspectiva de retorno às atividades tão cedo e não tem como continuar pagando a mensalidade.

Um outro aluno comentou que tentou de todo jeito falar com a Tesouraria da escola onde estuda, mas encontrou apenas os seguranças: “Fica difícil assim, porque as mensalidades estão vencendo”, disse.

“Num momento de grande sofrimento no mundo todo, muitos perderam seus empregos e estão sem renda”, comentou outra aluna.

“Como a gente fica? Daqui a pouco tem o período de rematrícula. Mas sem aulas presenciais. O EAD é péssimo”.

“Mandei mensagem para a Tesouraria e disseram que não existe possibilidade de dar descontos”, disse outra aluna.

Respostas

O diretor da Faculdade de Educação Física de Jundiaí, David Poit, disse que se reuniu com um grupo de alunos. Ficou acertado que haverá negociação aluno por aluno, conforme suas condições financeiras.

A Unifaccamp (Universidade de Campo Limpo Paulista) informou ao “Jornal da Região” que também está negociando caso a caso, desde o início da quarentena por causa da pandemia do Coronavírus.

Em nota enviada pelo Procon ao “JR”, o órgão entende que houve a celebração de um contrato anual de ensino entre as faculdades e os alunos. Portanto os estudantes devem pagar as mensalidades.

No caso das escolas particulares, o órgão tentou negociar redução de custos, mas entendeu que há gastos extras por causa das transmissões das aulas on line. O Procon orientou os pais a não pagarem apostilas e materiais extras e que tentem obter descontos pelas aulas não fornecidas durante a quarentena.

O jornal procurou a Unip mas a Assessoria de Imprensa não deu resposta.

Na UniAnchieta a direção resolveu emitir um comunicado direto para os alunos informando que não tem como conceder descontos. A Faculdade Anhanguera também emitiu um comunicado.

Veja os comunicados abaixo

 

A Faculdade Anhanguera enviou nota ao “Jornal da Região” esclarecendo sua posição em relação aos pedidos dos alunos sobre as mensalidades. A instituição respondeu que houve investimentos adicionais para manter o ensino online. Confira a nota:

“A Anhanguera de Jundiaí informa que vem acompanhando a evolução do COVID-19 e seu maior compromisso é com a segurança de todos, além da continuidade dos estudos. Como medida preventiva, as aulas presenciais, assim como as atividades administrativas, estão suspensas. Para manter a qualidade do conteúdo e garantir suporte total aos nossos alunos, as aulas continuam sendo ministradas pelos professores de forma remota. Os docentes seguem utilizando a mesma estrutura das aulas presenciais e trabalhando em jornada integral para que não haja qualquer prejuízo ao currículo e calendário escolar, em total consonância com as Portarias nº 343 e 345*, de 17 e 19/03/2020 respectivamente, do Ministério da Educação. Não houve, portanto, qualquer redução de custos para a instituição, pois nossos professores continuam atuando intensivamente na preparação e transmissão das aulas, bem como na elaboração de atividades e exercícios, oferecendo também todo o suporte pedagógico aos alunos. O professor interage com os alunos, em momentos que podem ser síncronos ou assíncronos, tirando suas dúvidas e orientando-os em seus estudos.

A instituição esclarece, também, que investimentos adicionais precisaram ser direcionados à plataforma interativa como forma de viabilizar a transmissão das aulas online e os demais recursos oferecidos aos alunos. Por fim, o planejamento financeiro das instituições de ensino particulares, que ocorre antes do início das aulas, segue a regra imposta pela lei nº 9.870/1999 e, uma vez que o valor cobrado mensalmente corresponde a uma parcela do custo total do ano ou semestre letivo em curso, entende-se que as mensalidades escolares não devem sofrer qualquer impacto. A Anhanguera de Jundiaí lamenta o cenário atual, mas reitera que não mede esforços para a adoção das melhores práticas educacionais, assim como a manutenção da qualidade do corpo docente e preservação da saúde e segurança de seus alunos e funcionários.”