Heroínas da vida real: o presente delas é a saúde dos filhos

Mais que um dia especial, com homenagens e trocas de presentes, o Dia das Mães para três mulheres que acompanharam a permanência de seus bebês, recém-nascidos, na UTI Neonatal do Hospital Universitário de Jundiaí (HU), será um dia de celebrar e agradecer pela vida de seus pequenos guerreiros.

Todos superaram a prematuridade. Em comum, essas mulheres têm a esperança de passar o próximo domingo em casa, ninando seus rebentos, com amor e afagos que por vezes chegaram a desacreditar que pudessem lhes dar.

A UTI ficou para trás e agora, na UCINca (Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Canguru) do HU, elas contam cada minuto, na expectativa de voltar para casa com os filhos nos braços, levando na bagagem a amarga experiência que as tornaram ainda mais fortes.

Mãe de anjo
Com 24 semanas de gestação, a bombeiro civil Carolina da Silva, 25 anos, recebeu o diagnóstico de centralização da circulação fetal. O problema causa alterações na circulação de sangue oxigenado paro o feto. Não teve jeito, precisou ficar internada e acompanhar dia a dia a evolução de sua gravidez.

Dois meses se passaram. Quando chegou à 32ª semana de gestação, veio ao mundo o pequenino Rafael. O ideal é que o bebê nasça em torno da 40ª semana de gravidez. A prematuridade fez com que o bebê necessitasse ficar na UTI Neonatal. “No começo você vê seu filho com vários fios, dentro de uma incubadora, realizando vários exames e fica assustada”, conta a mãe sobre o momento mais difícil. “Com o tempo aprende a confiar na equipe médica e vai compreendendo para quê serve cada fiozinho ligado”, diz.

Rafael permaneceu por um mês na UTI, sempre na companhia da mãe. Ganhou peso e cresceu. Para Carolina, que tem outra filha de seis anos, Ana Clara, a experiência mudou sua vida. “Passar por tudo isso me tornou mais forte. Aprendi a lidar e entender o sofrimento do outro. Hoje quando eu vejo uma mãe que acaba de receber a notícia de que o filho precisa ir para a UTI, consigo passar esperança, acolher e dar forças”, diz.

Neste domingo, Rafael completa um mês e oito dias. “Ter saído da UTI e estar aqui – se refere à UCINca – onde fico 24 horas ao lado dele aumenta ainda mais a esperança, sentimos que estamos cada vez mais perto do dia de ir para casa. Se isso ocorrer antes do dia das mães, será especial demais”, comenta ela com um largo sorriso.

Jovem de fé
Outra mãe que tem esperanças de passar seu primeiro dia das mães em casa, com a filha nos braços, é Nandiellen Santos Martins, 17 anos, auxiliar administrativo. A pequena Cecília completa 61 dias de vida neste domingo. Cinquenta e cinco dias foram na UTI Neonatal. “Com três meses de gestação, eu tive ameaça de aborto”, conta a jovem mãe sobre a gravidez turbulenta. Ao completar a 28ª semana de gestação, entrou em trabalho de parto e, devido ao mecônio – quando o bebê defeca antes de nascer, foi preciso realizar as pressas a cesárea.

Para desespero da mãe, foi necessário manter Cecília na UTI Neonatal. “Ela nasceu pesando 1 quilo e 70 gramas, com 35 centímetros, precisava ganhar peso e amadurecer o pulmãozinho”, relembra Nandiellen. “Demorei 18 dias para poder pegar minha filha nos braços, só conseguia passar a mão no corpinho dela dentro da incubadora, mas sabia que tudo isso era para o bem dela”, explica com olhar amoroso para a filha.

Na fé a jovem se agarrou para superar os momentos mais complicados. “O mais difícil foi ver minha filha entubada por seis dias. Me apeguei com Deus, rezei muito e pedi para manter minha força e não me deixar levar pelo desespero”, diz. “Sempre fui muito madura para minha idade, mas passar por tudo isso me fez amadurecer muito mais. Hoje eu sei que tudo acontece no tempo de Deus”, diz confiante.

Para este domingo, ela só tem um desejo: “Meu maior presente será estar ao lado dela, ela ter muita saúde e poder estar em casa”.

Haja coração
Pela segunda vez na vida a dona de casa Ana Carolina Ramos, 25 anos, se viu na agonia de acompanhar um filho na UTI Neonatal. Davi nasceu no dia 1º de maio, logo na 37ª semana de gestação. “Por causa do pulmão ele precisou ficar uns dias na UTI, mas daí a médica suspeitou de um probleminha no coração. Quando eu soube entrei em desespero, pois havia acontecido exatamente a mesma coisa com minha filha que hoje tem seis anos”, diz.

Aceitar não foi fácil. “No começo questionei: mais uma vez vou passar por tudo isso? Mas logo me lembrei da minha filha, Nicoli, que hoje está muito bem. Isso me deu força”, relata. “A fé me faz acreditar que meu filho vai sair dessa, assim como aconteceu com a Nicoli. Este é o maior teste da minha vida”, diz ela. E sobre o dia das mães, declara: “Vai ser o dia mais feliz da minha vida se eu puder passar o domingo com os meus dois filhos nos meus braços”, vislumbra a heroína que não esmorece à luta.