Jovem relata como venceu a depressão
A família de Nathália Soares – jovem que morreu aos 29 anos nesta semana, em Jundiaí -, lançou uma campanha nas redes sociais para que as pessoas passem a falar mais sobre a depressão, ajudando quem está sofrendo da doença. Tudo o que era possível foi feito pela jovem (que teve acompanhamento de psicólogo, psiquiatra, amigos e familiares). Ela passou mal no estacionamento do Paço Municipal, foi socorrida, mas não resistiu e morreu de hemorragia no Hospital Pitangueiras da Sobam/Amil.
Os familiares pedem para as pessoas ajudarem quem está com depressão e que não é frescura.
Outra jovem, a promotora de eventos de 29 anos Kethilyn Almeida, disse que passou por todas as fases da depressão e venceu a luta.
Outras cerca de 40 pessoas não suportaram a doença, neste ano, na região de Jundiaí.
Veja o relato que Kethilyn Almeida enviou ao “Jornal da Região”.
“Pretendo aqui relatar meu testemunho do que vivenciei nesse período. Primeiro, por crer em um Deus que faz milagres. Por fim, por ter sido eu a protagonista. Afinal, quem está afundado nas profundezas do mar e se salva, é a melhor pessoa para falar sobre a tempestade que enfrentou em sua vida e não se afogou. Peço que leiam com carinho e que possa ajudar alguém que esteja precisando.
O INICIO
Minha primeira crise de pânico aconteceu em 2012, quando eu tinha 23 anos, e seguiu com altos e baixos até meados de 2013 para 2014, quando gradativamente passou dos limites.
No dia seguinte acordei com os mesmos sintomas. Quando deu 19:45 da noite – me lembro bem do horário -, comecei a sentir dores fortes no peito e muita falta de ar. Entrei em um desespero que chorava de soluçar. E piorou a situação.
Minha face paralisou. Meu coração estava a Mil por hora. Gritei meu Pai para me ajudar. Ele veio correndo, desesperado. Me levou imediatamente para o hospital, onde fiz vários exames. E não deu em nada. O medico disse que a falta de ar que eu sentia poderia ser tireóide.
Marquei o ultrassom para fazer na Região da garganta, no pescoço, pra ver o que estava causando essa falta de ar, para confirmar se era inicio de tireoidismo. O resultado não deu em nada. ‘Gloria a Deus por isso’.
O FUNDO DO POÇO
Pois é. Realmente cheguei a não ter mais esperança em mim. Os dias foram se passando e, cada dia se desencadeava uma doença psicológica nova. Comecei a sentir muitos calafrios, falta de ar constantemente, insônia, dores fortes no peito, visão turva, tremedeira… Passei a ter medo de andar sozinha. Eu achava que eu iria passar mau na rua. E não teria ninguém para me socorrer. Não tinha mais desejo de fazer minhas obrigações e hobbies.
Os dias foram se passando e aquilo só piorava. Me lembro que fui fazer as sobrancelhas na casa de uma amiga, onde passei mau. O coração ficou acelerado e senti dores forte no peito novamente. Achei que ia enfartar. Coloquei na cabeça que eu tinha problemas de coração, porque as dores eram muito forte. E mais uma vez fui ao hospital, onde dessa vez fiz o Eletrocardiograma e ecocardiograma. O doutor tentava me acalmar. Foi o mesmo doutor que me atendeu na primeira crise.
Foi quando ele saiu da sala com o resultado e disse que não era nada. A partir daquele momento coloquei na cabeça que tinha problema no coração. Até esqueci a falta de ar. Cada vez que surgia uma doença psicológica nova, eu esquecia da outra. E assim eu passava a semana toda indo para hospital. E nunca era nada.
Foi quando os médicos disseram que eu estava com “Síndrome do Pânico” e ansiedade excessiva. Foram passando meses e eu só piorava, a ponto da minha irmã mais velha ter que me dar comida na boca. Eu não queria ver a luz do dia. Parecia uma morta viva. Eu tinha medo de comer. Achava que se comesse qualquer tipo de alimento eu morreria engasgada. Acreditam?

Eu realmente já me via no fundo do poço. Não via mais solução pra minha vida. Não tinha ânimo de levantar da cama. Não conseguia ir trabalhar, queria viver minha vida só deitada, com medo de encarar a realidade da vida e, sabendo que meus dias seriam tudo igual: médicos, exames etc.
Me lembro que uma Tia minha chorava em cima de mim, na cama, em me ver naquela situação, tão nova. 
Um dia minha irmã me levou para passear no shopping para eu poder tomar um ar. Eu fui, mas, fui descabelada, pálida, sem pentear o cabelo, com olheiras, de chinelos havaianas. Não tinha mais desejo de me arrumar como antes. Meu cérebro sempre estava em sentindo de alarme. Alarme falso, achando que a qualquer momento eu poderia ter um treco e morrer ali mesmo. Paramos no MC DONALD onde minha irmã pediu lanches com batatas fritas. E eu em pânico, suando frio, dizendo para ela que não poderia comer. Que se comesse iria morrer. E se eu engasgasse?
Começamos a andar pelo shopping e eu só queria estar em casa na minha cama.
No dia seguinte, já tinha minha primeira consulta marcada com uma psicóloga. Cheguei até o local com meu Pai, porque eu não podia andar sozinha. Sempre tinha que ter alguém comigo, porque os ataques vinham inesperadamente.
O remédio foi comprado. E minha vontade de melhorar era tão grande que eu estava disposta a tudo, e naquela mesma noite tomei o tal remédio. Chegando a madrugada, comecei a passar mau: coração acelerado mais que o normal, vomitei, senti que minha língua estava enrolando.
Dali em diante não via mais cura pra mim, quando eu supliquei a Deus por ajuda. Meus amigos da Igreja e alguns familiares e amigos me acolheram. Entraram em campanha por essa situação. Me lembro que nossa Pastora – Irmã Maria José – me adotou em oração. Cuidava de mim com tanto amor e carinho. Tomava minhas dores, tinha a paciência de JÓ comigo, porque aguentar alguém nessa situação com tantas síndromes, não é fácil. Tem que amar mesmo. Me lembro que num culto eu ganhei um livro da Irmã Maria José falando de como vencer o gigante: a depressão, Síndrome do pânico, e a ansiedade.
ESPERANÇA
No dia seguinte acordei um pouco animada. Mas quando eu menos esperava, as crises vinham de novo. E a luta continuava. Resolvi enfrentar meus medos e ir no Centro da cidade nesse dia. Porém, passei mal.
Onde eu ia, levava uma garrafa de água comigo, porque eu achava que se não tivesse água perto de mim quando eu saía, poderia passar mau.Suplicava a Deus por ajuda. Me lembro que em uma noite orei tanto que dormi orando. E nessa mesma noite pedi pra Deus pra por um psicólogo enviado Dele, para poder me ajudar com as palavras certas. Pedia pra Deus um psicólogo que fosse homem e evangélico, que pudesse me ajudar sem receitar remédios.
O AGIR DE DEUS.
No dia seguinte um amigo me ligou dizendo que tinha um psicólogo, e falou do meu caso para ele. Eu fiquei feliz e perguntei onde era o local, quanto ele cobrava. Sabe o que esse meu amigo me respondeu? Kethilyn, Ele não cobra nada. Ele é evangélico e atende gratuitamente. Ele é Pastor.
Se lembram da minha oração acima? (Rs) Só Deus para nos surpreender. Entrei em contato com esse psicólogo e ele conseguiu me agendar.
Cheguei ao consultório, claro, sempre acompanhada porque ainda estava no tormento dessas doenças. Me apresentei ao doutor que se apresentou. Ele viu nos meus olhos meu pedindo de socorro. Meu olhar caído e triste. Ele notou como eu tremia, como eu respirava diferente. A minha aparência sofrida, pálida, descabelada, e horrível.
E o doutor era exatamente igual ao que eu pedi a Deus na oração. Incrível! Ele acolheu minha causa. A primeira coisa que fez não foi falar da psicologia. Ele pediu pra eu levantar da cadeira para fazermos uma oração a Deus. E que Ele se fizesse presente Ali, no nosso meio, durante todas consultas. 
Contei minha situação para ele. E ele me disse: ‘Kethilyn, vou fazer de tudo para te ajudar’.
SUPERAÇÃO, DEUS FAZ MILAGRES
Teve uma dia que cheguei para mais uma consulta com ânimo. Tinha até me esquecido da falta de ar e dores no peito, porque elas já não existiam mais, 
Até que chegou o dia quando eu fui à ultima consulta para me despedir e agradecer ele por tudo que fez por mim, pela paciência, atenção. Por tudo, eu já me sentia curada, liberta de toda aquela aflição. Dei um último abraço no doutor e me despedi.
Obs. Coloquei uma carta fazendo mais agradecimentos de baixo da porta do seu consultório e sai.
Não é fácil reagir na hora do medo. Mas é preciso. Eu saía com medo, ia para igreja com medo. Cantava com medo, dormia com medo, trabalhava chorando e me sentindo apavorada achando que teria um treco. Mas ia trabalhar lutando com isso, acreditando na possibilidade da cura. Eu fui vencendo. Venci o medo crendo em Jesus, insistindo na Fé.
Kethilyn Almeida


