Polícia investiga mordidas de ratos em corpos

O delegado do 4º Distrito Policial de Jundiaí, Paulo Sérgio Martins, determinou abertura de Inquérito Policial (IP) para apurar denúncias de que ratos estão comendo partes dos corpos de falecidos, no interior do Instituto Médico Legal (IML), órgão pertencente ao Governo do Estado e do Serviço de Verificação de Óbito (SVO), que pertence à Prefeitura. Os dois funcionam no mesmo prédio do Cemitério do Montenegro.

De acordo com a denúncia feita ao delegado Paulo Sérgio Martins, uma família recebeu o corpo de parente com partes comidas por ratazanas. A Fundação Municipal de Ação Social (FUMAS) foi comunicada do fato e pagou todas as despesas para tratamento do falecido, um homem que faleceu no último dia 28.

A família procurou o delegado Paulo Sérgio, que determinou a elaboração de boletim de ocorrência de Vilipêndio de Cadáver.

O delegado requisitou ao chefe dos investigadores, Júlio Guereta, para que inicie as apurações dos fatos. À princípio houve informações de que o caixão da vítima teria caído e o corpo sofrido danos, o que os familiares contestaram na Delegacia.


O IML de Jundiaí pode até ser interditado, como ocorreu em Bragança Paulista, onde a Secretaria de Segurança Pública (SSP) teve de fazer reformas no prédio, devido mau estado de conservação.

O “Jornal da Região” relatou, no início do ano, que Jundiaí vinha atendendo os mortos da Seccional de Bragança, quando o IML de lá foi interditado para as reformas.

Cenas horríveis

Famílias relataram na Delegacia de Polícia que já suspeitavam de algo errado no prédio, que funciona dentro do Cemitério Nossa Senhora do Montenegro.

De um falecido os ratos teriam comido uma das mãos. De um outro foi o rosto e o pior caso é de falecido que ficou sem um olho.

A Zoonose de Jundiaí foi comunicada do problema das ratazanas no IML. Equipes estiveram no Cemitério – localizado na rua Nelson Vilaça, no Jardim do Lago -, para fazer serviços de desratização, com aplicação de veneno.

Diante dessas denúncias, a Polícia Civil de Jundiaí vai intimar todos os responsáveis pelos departamentos, a fim de darem depoimentos no Inquérito Policial.

Projeto só no papel

Há pelo menos 20 anos o Governo do Estado fala que vai construir um novo prédio para o Instituto Médico Legal.

O saudoso diretor, José Roberto Asta Bussamara, havia feito até projeto de instalação da unidade ao lado do Hospital Universitário. A verba do Estado acabou não saindo.

Posteriormente foram apresentadas propostas de construção em um terreno que era utilizado como estacionamento, ao lado do Cemitério do Montenegro. Mas como sempre o Governo alega falta de recursos financeiros para a realização das obras e nesses 20 anos o mesmo prédio sofreu adaptações e ficou no mesmo lugar.

Nota da Prefeitura

O Instituto Médico Legal (IML) ainda não foi notificado sobre o inquérito ou investigação citado. O serviço estadual funciona no mesmo prédio que o Serviço de Verificação de Óbito (SVO).
O SVO informa que de forma imediata à constatação do problema acionou a empresa prestadora do serviço de controle de pragas e roedores para a tomada de providências. Cabe reiterar que o prédio conta com manutenção periódica e atende aos padrões recomendados para a prestação do serviço, além de passar por limpeza diária.
A última ação de combate às pragas foi realizada no dia 4 de julho de 2019, com prazo de validade de 30 dias, portanto estando dentro de vigência. Além das medidas já realizadas, o local receberá barreiras mecânicas nas portas, como forma de reforçar a proteção do ambiente. Diante do fato, o SVO lamenta o ocorrido e expressa solidariedade às famílias.
Jundiaí pleiteia junto ao Estado parceria para a construção de um novo prédio para o atendimento do SVO e Instituto Médico Legal (IML). O projeto arquitetônico já está pronto e será apresentado à esfera estadual. Atualmente, por dia, os serviços realizam 6 atendimentos.
Diante do fato, o SVO lamenta o ocorrido e expressa solidariedade às famílias.

Nota da Secretaria de Segurança Pública

A Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC) informa que o Instituto Médico Legal (IML) segue todas as normas técnicas, de higiene e segurança previstas em Legislação, passam por dedetização, desratização constantes. Além disso, os protocolos de sanitários e de higienização das salas são rigorosamente seguidos. A unidade de Jundiaí passou por desratização em 04/07 deste ano, sendo válido por 30 dias.

O prédio em que funciona o IML de Jundiaí é o mesmo do Serviço de Verificação de Óbito (SVO), órgão municipal, mas com entrada separara e atividades distintas, realizadas por profissionais do Estado. Somente a SPTC ou a Secretaria da Segurança Pública respondem pelo IML, que realiza uma média de 48 atendimentos, entre exames diversos (20 a 30 no IML e 15 no Fórum) e 3 necropsias no IML por dia.

Com relação ao caso, o IML de Jundiaí recebeu o corpo de um homem, de 30 anos, para necropsia às 18 horas do dia 28/07. Durante exame, não foram identificadas lesões similares a mordidas de roedores na vítima. O corpo foi liberado às 07h30 para o preparo da funerária.

O 4ºDP de Jundiaí investiga as circunstâncias em que o corpo foi lesionado, por meio de inquérito policial.

 

 

 

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