Ex-professora da Unifaccamp é finalista de Prêmio Nobel

A professora Doani Emanuela Bertan está entre os dez finalistas do Global Teacher Prize 2020, conhecido como Prêmio Nobel da Educação. Ela representa o Brasil e concorreu, na fase anterior, com mais de 12 mil inscritos de mais de 140 países. O resultado oficial será conhecido no dia 3 de dezembro.

Doani ministrou aulas para os cursos de Licenciatura e Pedagogia da Unifaccamp por mais de cinco anos, com as disciplinas de libras e educação inclusiva. “Tenho um grande carinho pela Instituição. Todos me acolherem bem e nunca esquecerei dessa época e dos meus alunos”, lembra a professora.

Para concorrer ao prêmio, que é organizado pela Varkey Foundation em parceria com a Unesco, é necessário atender a alguns critérios, como ter uma prática inovadora que possa ser replicada e atingir muitas pessoas. A professora conseguiu isso com o canal no YouTube “Sala 8”, que ensina gratuitamente libras. Ali, ela professora se destacou com vídeo aulas, orientações em PDFs e até proposta de atividades.

A ideia de gravar os vídeos surgiu em 2017, da necessidade de ter mais materiais de aprendizagem para surdos. Doani recebia muitas dúvidas de seus alunos após a aula e, para ajudar, era preciso fazer uma chamada de vídeo com cada um. O ‘Sala 8’ foi um dos canais pioneiros, todo pensado e com foco em Libras, tendo como prioridade reforçar o ensino para crianças.

“Precisamos ir além da igualdade. Nem todos os seres são iguais, equidade é a palavra-chave, não basta só fazer o básico”, conta a professora, que começou com as aulas virtuais por um problema pontual, que, neste ano, virou algo mundial já que todos os educadores precisaram se adequar a esse mundo da internet.

“Fiz a inscrição no programa ‘Educador Nota 10’ há um tempo atrás e, no ano passado, recebi um e-mail para me inscrever no Global Teacher Prize. Fiz o cadastro no último minuto e meu coração quase saiu pela boca quando recebi uma chamada de vídeo anunciando que eu tinha sido selecionada”, relata Doani.

A educadora da escola EMEF Julio de Mesquita Filho, em Campinas, diz que está se acostumando com as entrevistas. São mais de seis entrevistas ou lives por dia. “Minhas bandeiras estão sendo enxergadas e ouvidas. Estamos conseguindo uma repercussão grande e, com isso, consigo abrir as pautas de educação bilíngue para surdos, e busco valorização e reconhecimento do professor, para que possa usar recursos tecnológicos para o bem dos alunos”, agradece a professora.