Ari conclui faculdade após perder 100% da visão

Neste domingo (13) é o Dia da Pessoa com Deficiência Visual e o voluntário Ariosto Francisco Conceição, de 55 anos, tem muito a comemorar. Recém-formado em Serviço Social pela unidade Anhanguera de Jundiaí, ele adquiriu a deficiência há 15 anos e conta que ao concluir a faculdade realizou um sonho de criança.

Por seis anos, Ari, como é chamado, trabalhou como agente legislativo na Câmara de Jundiaí, mas pediu licença sem remuneração por dois anos para trabalhar como motorista para um deficiente físico. “Quando fui trabalhar com um deficiente físico, não imaginava que pudesse me tornar um também. Quando descobri que estava com glaucoma já era tarde demais. Perdi 100% da visão e precisei reaprender a viver”, diz.

Na época, Ari tinha 40 anos e nunca havia frequentado o ensino superior. Segundo ele, primeiro foi preciso formar os filhos. “Com sacrifício meus dois filhos se formaram, também na Anhanguera, e apesar da deficiência, aos 50 anos, achei que era hora de ir atrás do meu sonho.”

Com orgulho e resignação, ele diz que só depois de perder a visão entendeu seu propósito de vida. Ele acredita que a data, criada para diminuir o preconceito e a discriminação, deve ser comemorada. Hoje, Ari atua como voluntário em vários projetos e em um deles, no Instituto Luís Braile de Jundiaí, tem se vestido de Papai Noel para ações de Natal. Como presidente da União dos Deficientes de Jundiaí e Região, garante que sua formação acadêmica é um de seus diferenciais. “Ter tido acesso e apoio durante os anos da graduação foram fundamentais para que eu concluísse os estudos. Recebi todo o suporte necessário da Anhanguera, desde acessibilidade até tutoria nas aulas”, conta.

O aposentado diz que em 2019 sofreu um infarto e precisou de três safenas mamárias. “Foi outro baque e achei que não conseguiria me formar, mas mais uma vez contei com o apoio da faculdade”, lembra. O coordenador do curso, Natanael Benedito de Souza, afirma que Ari é um exemplo de superação. “Ele pegou o diploma agora em novembro e apesar de ter zero porcento de visão não demonstrava a deficiência. Demos todo o suporte necessário, mas o mérito é dele, que é muito esforçado”, finaliza.