Médicos defendem Fase Vermelha por 30 dias

MÔNICA BERGAMO

(FOLHAPRESS) – Médicos que integram o centro de contingência para a Covid-19 e que aconselham o governador de São Paulo, João Doria, em relação a medidas para combater a doença acreditam que o prazo de 15 dias estabelecido por ele para restringir atividades econômicas terá que ser prorrogado.

A razão: o número de internações seguirá crescendo nos próximos dias, com pressão sobre todo o sistema de saúde e elevação da taxa de ocupação das UTIs do estado. Estudos mostram que em cerca de duas semanas o colapso pode ser total.

Por isso, a situação terá que ser reavaliada depois de 15 dias e o prazo, fatalmente prorrogado.

Doria, que sempre ouve o grupo de médicos para tomar as decisões, anunciou nesta quarta (3) o endurecimento de medidas de isolamento social em todo o estado de SP, que regrediu para a fase vermelha. Terão que fechar a partir de sábado lugares e atividades como bares, restaurantes, comércio, academias de esportes e concessionárias. Escolas e igrejas seguem abertas.

“Os próximos 15 dias vão ser importantes para segurar a mobilidade populacional. Mas quem se infectou nos últimos dias e está se infectando ainda agora só vai sobrecarregar o sistema de saúde daqui a sete dias, ou mais”, diz o infectologista Marcos Boulos, professor sênior da Faculdade de Medicina da USP e integrante do centro de contingência.

“Por isso o sistema seguirá pressionado e é muito provável que seja necessária uma extensão do prazo para a manutenção das medidas tomadas agora, talvez até com maior rigidez”, afirma ele.

Uma pessoa que se infecta hoje com o novo coronavírus só vai manifestar sintomas, em geral, daqui a três ou cinco dias. Em muitos casos, a internação em um hospital ocorre mais tarde, depois de até dez dias do início dos sintomas.

Por isso Boulos diz que o sistema seguirá pressionado daqui a duas semanas, exigindo a prorrogação das medidas por pelo menos mais 15 dias.

Outros médicos compartilham da mesma opinião. “É praticamente um consenso”, afirma Boulos.

Integrantes da equipe de Doria confirmaram que outros profissionais levaram a mesma opinião ao governo. Houve a decisão, no entanto, de fechar atividades por 15 dias para depois reavaliar o problema.