Escola particulares suspendem aulas na Capital

ISABELA PALHARES E ALINE MAZZO

(FOLHAPRESS) – Mesmo autorizadas a continuar abertas durante a fase vermelha em São Paulo, escolas particulares da capital optaram por suspender as atividades presenciais nas próximas duas semanas, que podem ser as mais críticas da pandemia. Em Jundiaí, professores estão pedindo uma posição da Prefeitura e já se manifestam a favor do fechamento das escolas. A Prefeitura divulga decreto no final da tarde.

Colégios que decidiram manter as aulas presenciais da forma como estavam acontecendo no último mês, com até 35% dos alunos, também verificaram que muitos pais optaram por manter os filhos em casa por temor da nova onda de infecções.

A partir de sábado (6), todo o estado entrará na fase vermelha, a mais restritiva. O governador João Doria (PSDB) autorizou que as escolas continuem abertas para receber até 35% dos estudantes por considerar a educação básica como serviço essencial.

Na capital paulista, esse já era o limite máximo estabelecido para o atendimento presencial, portanto, na prática, as escolas não precisariam adotar nenhuma mudança. No entanto, colégios particulares optaram por ser mais restritivos. Outros, que estavam descumprindo a regra municipal, dizem que vão voltar a atender 35% dos alunos.

É o caso do colégio Equipe, em Higienópolis, na região central. A direção decidiu suspender a partir de segunda (8) as aulas presenciais para todas as turmas.

“Pelos dados da cidade, do estado, do Brasil todo, decidimos pela suspensão. Por mais que a gente tenha protocolos bem elaborados e implementados, não é o momento de fazermos pessoas circularem e se colocarem em risco”, disse a diretora Luciana Fevorini.

Pelas condições das famílias dos alunos e com a experiência anterior do ensino remoto, o colégio avaliou que as aulas podem continuar de forma mais segura a distância nesse período. A direção informou que poderá atender presencialmente casos pontuais.

“A orientação do governador é para atendermos os mais vulneráveis, o que não é a nossa realidade do ponto de vista da segurança alimentar ou física dos alunos. Mas podemos atender filhos de pais que não tiverem com quem deixá-los por causa do trabalho.”

O colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, zona oeste, também optou por suspender todas as aulas presenciais e pediu para que os pais só levem os filhos à escola em “caso de extrema necessidade”. Os alunos que forem para a unidade irão acompanhar as atividades virtuais junto com os demais que permanecerem em casa.

“Nesse período crítico, embora os colégios possam permanecer abertos, há um apelo para a redução da circulação de pessoas nas ruas e da frequência de alunos e educadores nas escolas”, diz carta assinada pelo diretor Fabio Aidar, enviada às famílias.

O diretor destacou ainda que, nos últimos dias, houve um “aumento preocupante” de casos de familiares de alunos e professores contaminados ou suspeitos de contaminação, colocando a comunidade escolar em risco.

“Entendemos que nosso compromisso histórico com a educação deve considerar, mais uma vez, a orientação da saúde e que reduzir a frequência de estudantes e de educadores no campus é uma forma de diminuir riscos para o coletivo, especialmente diante do colapso do sistema de saúde.”

O colégio Humboldt, em Interlagos, na zona sul, ainda mantém as aulas presenciais para 35% dos alunos, mas disse incentivar as famílias para que mantenham os filhos em casa com atividades online. A direção ainda estuda limitar as turmas do ensino médio para a modalidade a distância.

Assim, o colégio priorizaria o atendimento às crianças menores, onde há maior dificuldade para manter o ensino remoto. “Procuramos atender a demanda das famílias pelas aulas presenciais e, ao mesmo tempo, dar nossa contribuição para uma menor circulação de pessoas na cidade de São Paulo”, diz em nota.

No colégio Santa Maria, também na zona sul, as aulas presenciais foram mantidas em esquema de rodízio, como já vinha ocorrendo. No entanto, as próprias famílias têm comunicado preferir manter os filhos em casa.

Segundo a unidade, uma turma de 2º ano do ensino fundamental tinha no início da semana apenas 3 alunos em atividades remotas. Nesta quinta (4), já eram 17 crianças acompanhando as aulas online.

“As famílias estão receosas, mas também solidárias. Muitas disseram se preocupar com os funcionários que têm de se deslocar até a escola ou de aumentar a circulação na cidade em um momento tão crítico. Há uma preocupação com o coletivo”, disse a orientadora Márcia Almirall.

Os colégios Mary Ward, no Tatuapé, e Franciscano Pio XII, no Morumbi, também recomendaram aos pais para manter os filhos em casa nesse período.

Todas essas unidades seguem protocolo de segurança elaborado por unidades de saúde renomadas, como o Hospital Israelita Albert Einstein e o Hospital Oswaldo Cruz. A avaliação é de que, por mais robustas que sejam as medidas para evitar a transmissão dentro dos colégios, ainda há riscos, sobretudo em um momento de maior gravidade da pandemia.

O colégio Palavra Viva, com três unidades na zona norte da capital paulista, suspendeu as aulas presenciais dos alunos do ensino fundamental e médio após casos confirmados e suspeitos de Covid-19. Uma professora de ciências morreu no último sábado (27) após ficar internada para tratar a doença.

Segundo funcionários, a professora Tamiris, que dava aula para alunos do ensino fundamental, apresentou sintomas da Covid-19 cerca de dez dias depois do início das aulas presenciais. Ela foi diagnosticada com a doença e precisou ser internada.

Com outros casos suspeitos na escola, inclusive com afastamento de mais professores, as aulas presenciais foram suspensas no último dia 22, ficando apenas o ensino remoto. Já os alunos da educação infantil, que pertencem a uma unidade diferente, continuam com atividades presenciais.

Em algumas postagens em redes sociais, professores de outras unidades citam que a escola teve 28 casos confirmados da doença, o que é negado pela instituição.

Tamiris –que tinha cerca de 30 anos, segundo colegas– morreu no último dia 27, deixando marido e filhos.

O Colégio Palavra Viva, informou, por meio de nota, lamentar profundamente a morte da professora e que tem prestado suporte à família. A escola afirma que todos funcionários se submeteram a testes para detectar Covid-19 em 5 de fevereiro, antes do retorno das aulas, e que atualmente atende alunos do ensino infantil e integral, com limite de 35% -como determinado no Plano São Paulo- e cumprindo todos os protocolos de segurança.

O colégio ainda afirma que reitera o “dever e a obrigação em cuidar com carinho de todos aqueles que acreditam na instituição” e diz estar sendo alvo de informações falsas veiculadas na internet.

Com o recrudescimento das regras de contenção da pandemia no estado, o colégio Augusto Laranja, em Moema, na zona oeste, afirmou que somente a partir da próxima semana vai voltar a atender 35% dos alunos. Apesar de não ter sido permitido pela Prefeitura de São Paulo, a unidade estava recebendo 50% dos estudantes na unidade.

“Estávamos em um processo de aumentar gradativamente os alunos, mas essa situação nova nos fez voltar para a proporção do início de fevereiro, com apenas 35%”, disse Gustavo Laranja, gestor da unidade.