quinta-feira, 4, junho, 2026, 13:52
JUNDIAÍ

Dia do Ciclista: Escrever sobre a bicicleta é como falar de poesia

Escrever sobre a bicicleta é como falar de poesia. Uma poesia de Manoel de Barros que fala sobre a beleza das coisas simples da vida. Até o poeta chileno Pablo Neruda se rendeu a magrela e refletiu sobre os ciclistas em sua Oda a la bicicleta: “La bicicleta acerca a destinos; cada metro de rodada, es un viaje, una sensación y una brisa que eriza la piel y el alma”.

Não sou poeta, mas sim jornalista por isso é mais fácil tentar descrever as sensações que um pedal trás para a mente, o corpo e a alma. Também é mais simples descrever histórias vividas em cima da bike e também chamar a atenção para os problemas que os ciclistas enfrentam, porque até nessa parte as políticas públicas no Brasil não costumam ajudar.

Se não temos planejamento para conviver e viver sobre duas rodas sem motores, somos abençoados por trilhas em meio a natureza, por florestas ou áreas rurais. Um dia meu saudoso amigo Pica-Pau me disse que só conseguimos apreciar todos os detalhes de uma viagem caminhando ou, no máximo, de bicicleta. A bike tem esse poder de nos levar aos mais remotos lugares, com uma certa velocidade e ao mesmo tempo temos a oportunidade de aprecisar as belezas dos caminhos.

A nossa região de Jundiaí é um desses lugares no Brasil com muitos pontos incríveis para pedalar, um pedal na Serra do Japi que o diga, apesar que aos finais de semana é tanta gente junto, muitos ainda emporcalhando o caminho, que até perde o encanto. Mas existem muitos outros: Rota da Fazenda e Fim do Mundo, que são bem frequentados. Existem os caminhos escondidos por toda a região que são verdadeiros pontos sagrados, locais para recarregar a energia, conectar com a natureza, cuidar da saúde e ainda dar boas risadas com os amigos de pedal.

Porém ainda não temos uma discussão política avançada para implantar a bicicleta como meio de locomoção, por enquanto temos apenas projetos implantados de ciclovias voltadas para o lazer. Precisamos ultrapassar essa ideia de que a bicicleta é apenas para o lazer, ela é muito mais do que isso, é apontada como um dos meios de locomoção do futuro, por diversos motivos, inclusive, por não poluir o meio ambiente. O Pedala Jundiaí é um dos grupos ativistas pela bicicleta de maior respeito na cidade, mas ainda são poucos ouvidos. Acredito que eles poderiam colaborar bastante com esse debate.

Um dos meus maiores sonhos em nossa região era ver a construção de uma ciclovia que ligue Campo Limpo Paulista a Itupeva, pela margem do Rio Jundiaí, passando por Várzea Paulista e Jundiaí. Temos um terreno plano perfeito para conectar as cidades, com possibilidade de criar parques arborizadas. Dá para sonhar mais alto ainda, ligar Atibaia pela Estrada da Bragantina, utilizando a antiga linha de trem. Sonhar alto, é isso que a bicicleta trás depois de uns quilômetros pedalando e gerando endorfinas em nosso cérebro. O que não dá é continuar se arriscando para se locomover entre as cidades da região, entre carros, ônibus, caminhões e motos, na loucura do trânsito.

Andar de bicicleta é um estilo de vida, um esporte que gera bons cidadãos, pessoas conscientes e preocupados com o meio ambiente. Quando encontrar um ciclista na rua, avenida ou estrada, apenas respeite. Feliz Dia do Ciclista para todos nós!

Mauro Utida é jornalista que utiliza sua bicicleta até para cobrir pautas.