Presença obrigatória de alunos nas escolas divide opiniões dos pais

GABRIELA BONIN

(FOLHAPRESS) – A presença dos alunos voltou a ser obrigatória nas escolas estaduais e particulares de São Paulo nesta segunda-feira (18). A decisão do governo estadual, gestão João Doria (PSDB), de obrigatoriedade das aulas presenciais, todavia, divide opiniões entre pais e responsáveis.

O esquema de revezamento de alunos segue funcionando até dia 3 de novembro, quando todos os estudantes passam a estar presentes simultaneamente em sala de aula. A partir dessa data, o distanciamento mínimo de um metro entre alunos não será mais obrigatório.

A partir desta segunda-feira, no entanto, já há risco de reprovação por falta caso o estudante não passe a frequentar as aulas presencialmente, mesmo em esquema de rodízio.

Na Escola Estadual Alfredo Bresser, em Pinheiros (zona oeste da capital), os alunos podem voltar a frequentar as aulas todos os dias presencialmente a partir desta segunda-feira.

Segundo pais de alunos da unidade, o esquema de rodízio não é mais obrigatório. Até o dia 3 de novembro, aqueles que quiserem, no entanto, podem continuar vindo somente nos dias estipulados pela rotatividade.

A doméstica Gideilda Vieira dos Santos, 43, tem um filho de seis anos que estuda na escola e estava frequentando as aulas presencialmente três vezes por semana. Agora, a partir desta segunda, irá todos os dias.

Para ela, a volta obrigatória é benéfica. “Eles vão aprender mais. Em casa, eu estava dando meu melhor, mas, na escola, é bem diferente. Eu fiz o que eu pude, mas dá trabalho ensinar”, relata.

Todavia, Gideilda acredita que seu filho pode ter dificuldades no retorno. “Com dois dias em casa, ele conseguia descansar. Voltar no final do ano, depois desse tempo todo em casa, é puxado”, argumenta.

Na opinião da doméstica Maria Fernanda Veras, 29, a presença obrigatória nas aulas é importante para seu filho de sete anos, que também estuda na E.E. Alfredo Bresser. “Super concordo com a volta das aulas. Se ele não estivesse vindo para a escola, ele não estaria 24 horas dentro de casa, então poderia pegar [o vírus] no mercado, em qualquer outro lugar”, diz.

“Não é totalmente seguro, mas a gente não está seguro em nenhum lugar”, complementa a doméstica.

Já o servidor público Edilson Santos, 46, acha que o retorno obrigatório veio muito cedo. “Eu acho que o saldo de voltar às aulas é mais negativo. O ideal, na minha opinião, seria fazer isso no próximo ano”, defende.

O risco da reprovação por faltas fez com que Edilson, que é pai de um aluno de dez anos, acatasse ao retorno. “Como o governador disse que, se não trouxer as crianças, vai perder a matrícula, estou trazendo”, relata.

Dados de agosto da Secretaria Estadual de Educação mostram que apenas 24% das escolas estaduais têm capacidade de acolher 100% dos estudantes e garantir o distanciamento entre eles.

Questionado sobre a informação, o chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Educação, Henrique Pimentel, afirma que, com o retorno obrigatório a partir desta segunda-feira, será possível levantar e atualizar o número de quantas escolas conseguirão retornar com a totalidade dos alunos.

“O que as escolas têm feito para conseguir comportar 100% é, por exemplo, utilizar salas de leitura para dividir turmas um pouco maiores. Escolas um pouco menores ou com alta demanda mantêm o revezamento nas próximas semanas e, no dia 3, voltam com todo mundo”, complementa Pimentel.

A escola Cesar Martinez, em Moema (zona sul), é uma das 1.251 unidades estaduais que conseguem receber todos os alunos. Assim, o esquema de rodízio não está mais sendo adotado e, nesta segunda-feira, todos os alunos estavam presentes simultaneamente.

Silmara Gregorio, 49, é professora do 5º ano da unidade e diz que os alunos estão animados em estar totalmente de volta às salas de aula. “A gente percebe que alguns pais ainda têm receio e ficam ‘será que devo ou não devo [levar para a escola]’, mas uma boa conversa resolve”, explica.

De acordo com Silmara, os professores estão preparados para o retorno presencial simultâneo de todos os alunos. “O ensino é uma espiral. Devido ao que eles passaram, vai haver a necessidade de ir e voltar, retomar conteúdos. Eles precisam conseguir entender o que está sendo ensinado”, relata.

Já na Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros (zona oeste), o rodízio de alunos segue acontecendo até dia 3. Por enquanto, a obrigatoriedade de presença não mudou a quantidade de estudantes em sala de aula. Nesta segunda-feira, de acordo com estudantes da unidade, havia dez do total de dezesseis alunos de uma das salas de ensino médio, número semelhante às semanas anteriores.

Um dos alunos da escola relata estar receoso com o retorno completo e simultâneo em novembro. Na opinião do estudante, ao liberar 100% dos alunos juntos, é possível que eles deixem de seguir outros protocolos, como uso da máscara e álcool em gel.

Nas escolas municipais de São Paulo, a partir de 25 de outubro, não haverá mais revezamento de alunos nas aulas presenciais. A partir dessa data, as unidades de Ensino Fundamental e Médio poderão receber 100% dos alunos sem a necessidade de distanciamento. Mas, ao contrário das escolas do governo do estado, os pais podem optar por manter seus filhos em ensino remoto.

%d blogueiros gostam disto: