Universidades se preparam para volta às aulas presenciais

PAULO RICARDO MARTINS

(FOLHAPRESS) – Universidades privadas do Estado de São Paulo estão se preparando para abandonar o modelo híbrido e online. Em Jundiaí, a UNIP e a UniAnchieta confirmaram o retorno das aulas presenciais. A UNIP ainda não definiu a data do retorno dos alunos. Na UniAnchieta será no dia 03 de março. Para o Ensino Médio e Fundamental será no dia 31 de janeiro. A Anhanguera marcou retorno presencial para 03 de março.

A FGV (Fundação Getúlio Vargas) adiou o retorno das aulas presenciais para 14 de fevereiro.

Os estudantes da FGV-Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo) estão divididos sobre a decisão, afirma o presidente do diretório acadêmico da FGV e aluno de administração pública, Gabriel Domingues, 19.

De acordo com ele, aqueles que estão em períodos mais avançados preferem continuar de forma online, pois é mais fácil para conciliar outras tarefas, como estágios, por exemplo.

Para os calouros, entretanto, é frustrante ainda não poder frequentar o prédio da instituição regularmente.

Um estudante de administração de empresas que preferiu não se identificar reclama que as únicas vezes que pôde frequentar a sala de aula foi durante a adoção do modelo híbrido, no final do ano passado. Mas o período não foi como o esperado. Isso porque era dada apenas uma aula presencial e, na sequência, tinha uma online. O tempo que levava para se deslocar da faculdade até sua casa o fazia perder alguns minutos da segunda disciplina.

Na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), a previsão é que a volta ao presencial ocorra em 3 de março para a graduação e pós-graduação, com exceção de medicina, que começa antes. Por enquanto, o calendário está mantido.

“Até lá esperamos que a situação da pandemia fique estável e seguiremos as determinações das autoridades competentes”, diz a universidade, por meio da assessoria.

Para a tesoureira do Centro Acadêmico 22 de agosto, que representa os alunos de direito do campus de Perdizes, Andréia Passos de Oliveira Campos, 19, ainda é cedo para dizer se a nova variante pode adiar os planos. É necessário seguir as autoridades de saúde, diz, mas reforça que o ensino a distância não é bem-vindo entre os alunos, principalmente devido aos obstáculos que impõe à permanência estudantil.

“Quem sai tem cor e classe social. Quando a gente fala de ir para a universidade, não é somente para ir para a sala de aula. Você aprende tanto dentro da sala de aula quanto fora [dela].”

Adiar as aulas presenciais devido ao avanço da ômicron é uma boa justificativa, afirma Pedro Hallal, coordenador do Epicovid-19, o maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil. Entretanto, o professor universitário diz que a onda da nova variante deve ser curta e, logo após sua atenuação, a retomada deve ser urgente.

“Não faz sentido termos os jovens nas festas e fora da sala de aula. Houve oportunidade de vacinação para todos, então a volta é necessária.”

Além da FGV e da PUC-SP, o Insper e a ESPM anunciaram aulas presenciais para o dia 14 de fevereiro. No Insper, só poderão frequentar o campus aqueles que apresentarem o esquema vacinal completo contra a Covid. A ESPM ainda está debatendo a medida internamente.

O Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) também tem previsão de retornar ao presencial no próximo mês, mas, em nota, disse que o formato pode ser ajustado caso necessário. Por enquanto, as aulas da pós-graduação já voltaram, em formato híbrido.

Já a Universidade Presbiteriana Mackenzie decidiu dar início às atividades de ensino de forma remota, no dia 1º de fevereiro. A justificativa é o atual cenário da pandemia, somado aos efeitos do surto de gripe.

Governo do Estado

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de São Paulo diz que as aulas presenciais podem acontecer, com recomendação de protocolos de segurança, como uso obrigatório de máscaras em todas as dependências, aferição da temperatura, higienização constante das mãos com água e sabão, utilização de álcool em gel, ventilação nas salas de aula e escalonamento de intervalos.

A suspensão das aulas fica a cargo de cada instituição de ensino, que pode avaliar medidas em possíveis surtos de Covid.

O Ministério da Educação se pronunciou na última terça-feira (18) sobre o replanejamento para adesão às aulas presenciais e deixou a cargo das instituições a escolha de continuar ou não com o ensino a distância.

No comunicado, o órgão pediu cautela na adoção de medidas restritivas em escolas, universidades e institutos. Tais decisões impactam na vida de estudantes mais vulneráveis, que já foram muito afetados durante o longo período de lockdown impostos em 2020 e 2021, diz o texto.

Anhanguera

“A Faculdade Anhanguera informa que o retorno das aulas presenciais de todos os cursos, previsto para 03/03/2022, e de todas as atividades acadêmicas, bem como atividades administrativas, segue as regras do Decreto Estadual nº 65.849/21 e do plano de biossegurança da instituição, podendo ser alterado conforme deliberação do poder público através das informações da Secretaria de Saúde. Para preservar a saúde de todos, a instituição manterá um rígido protocolo de segurança, com higienização, medidas de proteção e distanciamento, conforme recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e Ministério da Saúde. Entre essas medidas estão: uso obrigatório de máscaras, checagem de temperatura, disponibilidade de álcool gel para higienização das mãos e tapetes desinfetantes na entrada dos ambientes. Os alunos serão comunicados sobre o início do ano letivo com antecedência por meio dos canais oficiais, assim como todos os protocolos e medidas preventivas.”

 

%d blogueiros gostam disto: