Ciesp celebra 70 anos com foco no futuro da indústria e na educação do presente

Depois de dois anos adiada por conta da pandemia, a celebração do aniversário de 70 anos do Ciesp de Jundiaí foi realizada na noite de quinta-feira (19) com a presença de autoridades e convidados. Atualmente com 72 anos, a entidade aproveitou a data para entregar a reforma da sede, celebrar o mês da indústria – cuja data é no dia 25 de maio – e também apresentar uma palestra do presidente do Ciesp, Rafael Cervone, sobre as principais mudanças que deverão impactar o mercado e a sociedade até 2040.

“Essa comemoração tripla é uma oportunidade para ressaltar a importância da entidade. O Ciesp foi criado como delegacia regional e ao longo dos últimos 72 anos desenvolveu um papel importante para a cidade e para os empresários. O evento preparado para 2020 precisou ser adiado. Estávamos com uma estrutura montada, com a presença da Orquestra Bachiana com o maestro João Carlos Martins, mas a pandemia não permitiu a realização da série de eventos que programamos. Dois anos depois, conseguimos voltar para celebrar sete décadas do Ciesp, aproveitar o evento para entregar a sede revitalizada e ainda trouxemos o presidente do Ciesp para uma palestra sobre as tendências do futuro na indústria e na economia”, ressaltou o diretor titular do Ciesp Jundiaí, Marcelo Cereser.

Sobre a reforma da unidade, foram feitas melhorias de modernização dos espaços. “Melhoramos as infraestruturas das salas, preparamos equipamentos para reuniões virtuais, com estrutura de câmeras e microfones, nos adequando aos encontros híbridos, tanto usados durante a pandemia.” O diretor ainda ressaltou que esse tipo de estrutura chegou para ficar. “É uma tendência que deve ser mantida no futuro, com reuniões presenciais e à distância. Por isso o Ciesp preparou toda sua estrutura para essa nova realidade”.

Ainda falando do futuro, o presidente do Ciesp, Rafael Cervone, apresentou uma palestra aos empresários e autoridades convidadas sobre as Macrotendências Mundiais para 2040. O levantamento elaborado pelo Ciesp e pela Fiesp mostra o quanto as mudanças tecnológicas irão causar impacto no consumo. O Macrotendências também é uma ferramenta de auxílio às empresas para mapear oportunidades de negócios e novos investimentos.

“O foco está nos impactos que os setores da economia irão enfrentar ao longo dos próximos anos com base nos bancos de dados da indústria, da economia e do mercado externo. Os impactos diretamente na macrorregião de Jundiaí abrangem números em que a cidade cresceu mais que o Estado e vice-versa. Com essas análises podemos redescobrir novas vocações da indústria e complementar o setor para que a cadeia de produção ande junto ao progresso. Isso pode trazer melhorias significativas para o incremento da inovação e da tecnologia dentro da indústria 4.0. Atualmente estamos encarando o auge da manufatura avançada e da indústria 4.0. Uma das discussões que devemos fazer agora é quais serão as vocações das indústrias, das regiões como a de Jundiaí, para enfrentar essa questão ao longo dos próximos anos.”

Segundo Cervone, as entidades têm imenso banco de dados, com o uso de inteligência artificial e a ativa participação do corpo técnico. Os dados são compilados para que virem ferramentas práticas de tomada de decisão e de análise de gestão. “O estudo nos mostra o impacto das megatendências: crescimento populacional, qualidade de vida, mudanças do perfil das cidades, retorno da população da cidade para o campo, alimentação, saúde, energia. Tudo isso será ferramenta para cidades inteligentes. Tenho visitado pessoalmente municípios, levando aos prefeitos e secretários os dados do relatório de Macrotendências 2040 para discussões sobre as potencialidades locais e regionais.”

Foco no ensino, resultado na indústria
Para Cervone, Jundiaí tem uma história industrial bem diversificada e muitos projetos acabam sendo desenvolvidos de forma piloto na cidade. “Esses projetos servem de modelo para o país em muitos casos.” Ele ressaltou ainda que é importante integrar as cidades da região à políticas que se complementem, com foco na educação. “Os resultados do Saresp, por exemplo, apontam que os estudantes de 3º ano possuem percepção de 8 anos de atraso. Os alunos da rede Sesi, apesar de terem ficado apenas 15 dias sem aulas no início da pandemia, também apresentaram uma perda de dois anos. Por isso em parceria com o Sesi e Senai vamos buscar mais tutores e contratações, retreinar professores, oferecer MBA para diretores, para melhorar o ensino em escala”, destaca ainda para que essa melhora resulte em profissionais capacitados no mercado de trabalho.

Cervone destacou ainda que as pesquisas apontam que a região de Campinas, por exemplo, perde muitos profissionais para mercados externos. “A perda diária de profissionais da área de T. I. para empresas de fora – que os contratam para trabalho home office no Brasil, com salário pago em dólar ou Euro – tem sido um problema real. Esses profissionais, que poderiam compor o mercado local, acabam sendo atraídos pela facilidade do sistema remoto. Os dados apontam que muitos profissionais da região de Campinas são atraídos por empresas canadenses. Já na Grande São Paulo, empresas da União Europeia e dos Estados Unidos contratam esses profissionais, que atuam de forma remota”, explicou.

“A defasagem de profissionais atualmente é de 450 mil no Estado. Já estamos pensando no futuro para formar 300 mil profissionais no Estado com essa parceria entre Sesi e Senai, melhorando ainda mais o ensino, trazendo mais participação da robótica, ensino computacional, ampliando as vagas. Um dos projetos da Fiesp/Ciesp, já fechado com a Cisco, com a Amazon, Google, Microsoft e Oracle, em parceria com o Senai, é capacitar 200 mil jovens na área de tecnologia da informação. O prazo é de quatro anos, mas queremos baixar para dois. Esse é um ponto importante pois essa integração de esforços prepara mais seres humanos para o mercado de trabalho, com novos skills, maior resiliência, capacidade de atuar sob pressão, maior versatilidade, entre tantos outros ganhos para os alunos e consequentemente a indústria ganha com profissionais melhores capacitados”, destacou.

A capacitação inclui armazenamento na nuvem, inteligência artificial, cyber segurança, entre tantos outros pontos desse setor. “Ao formarem-se, os participantes recebem certificado de abrangência mundial fornecido pelas empresas envolvidas no projeto. É um certificado que vale ouro no mercado. Já fizemos um piloto desta formação no Senai e 99% dos nossos alunos conseguiram esta certificação. Além disto, capacitaremos 200 formadores de professores do Senai para a continuidade. Temos que preencher este gap que há entre oferta e demanda.”
Ainda sobre a formação de novos profissionais com foco na indústria, Cervone aponta que há um trabalho em conjunto entre Ciesp e Fiesp para tirar o atraso provocado pela Covid no campo da educação. “Colocamos à disposição a estrutura do Sesi e do Senai para ajudar o poder público a reduzir este gap, juntamente com as melhores fundações do país como Ayrton Senna, Roberto Marinho, Lemann, Natura e Boticário. Juntos podemos traçar ações conjuntas, já que individualmente, cada uma desenvolve um trabalho importante, mas que pode ter um ganho ainda maior e mais eficiente quando feito em rede.”

Mercado externo
Com relação aos próximos 20 anos, Cervone destaca que em reuniões na ONU (Organização das Nações Unidas), no grupo B20 (grupo de diálogo Business 20 – que integra o setor privado), a guerra comercial futura não será política e nem econômica. “Essa guerra será industrial. As cadeias produtivas atuais foram impactadas pela pandemia e a guerra da Ucrânia, causando desabastecimentos comerciais. Por isso vale destacar que o Brasil tem um papel importante no futuro pois possui uma segurança alimentar e energética importante. A discussão sobre a descarbonização, como foco no carro elétrico por exemplo, é importante desde já.”

Cervone ainda destacou a importância de discutir as macrotendências até 2040. “Isso ajuda o empresário, o poder público e a sociedade a se planejarem para o futuro; entender as transformações que essas tendências vão trazer no nosso dia a dia, as mudanças dos modelos de negócio, as mudanças na percepção da capacitação das pessoas e como a gente tem que interagir melhor com o setor público para buscar as novas vocações de cada região e novas oportunidades de desenvolvimento regional. Se a gente fizer isso em todas as regiões do estado, tem um plano para o estado de São Paulo e um projeto de indústria que ajude o Brasil a crescer”, finalizou.

Durante o evento, um vídeo institucional dos 70 anos do Ciesp foi mostrado para os convidados. Confira abaixo:

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