POLÍTICA

Lula afirma que relações com a Venezuela foram retomadas

“Temos pressa de retomar as relações com a Venezuela e toda a América do Sul. Nossos ministros têm que conversar mais, empresários dos dois países devem conversar mais, universidades devem falar mais de ciência e tecnologia. É preciso que os empresários brasileiros voltem a investir na Venezuela e na América do Sul e restabelecer mecanismos auspiciosos de cooperação como já tivemos”.

Temos pressa de retomar as relações com a Venezuela e toda a América do Sul. Nossos ministros têm que conversar mais, empresários dos dois países devem conversar mais, universidades devem falar mais de ciência e tecnologia”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

Foi com essa mensagem, dita na presença de comitivas ministeriais dos dois países, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, nesta segunda-feira, 29/5, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

O encontro em Brasília reforça a retomada das relações diplomáticas com o país vizinho, interrompidas durante a gestão passada, em um processo de normalização das relações bilaterais que inclui a reabertura das respectivas embaixadas e setores consulares e a recente designação do Embaixador da Venezuela no Brasil.

JANELAS REABERTAS – Nicolás Maduro lembrou que o fechamento de portas por parte do Brasil implementado nos últimos anos dificultou o desenrolar de questões diplomáticas e comerciais entre os países. Agora, frisou, a Venezuela está preparada para investimentos em petróleo, gás e em petroquímica, em linha com as grandes reservas de que o país dispõe, além dos setores de agricultura e da indústria.

Maduro citou ainda sua preocupação com o avanço do desmatamento e da mineração ilegal na Amazônia. O presidente da Venezuela ressaltou as boas relações de seu governo com as câmaras de comércio e concordou com a necessidade de se restabelecer um grande plano de cooperação bilateral com o Brasil.

O primeiro compromisso do dia foi uma reunião entre Lula e Maduro. Na sequência, foi realizada uma reunião ampliada, com ministros e embaixadores dos dois países, além das primeiras-damas Janja Lula da Silva e Cilia Flores de Maduro. A agenda com Nicolás Maduro incluiu ainda uma entrevista coletiva e um almoço em homenagem ao presidente venezuelano e à sua esposa.

“Tínhamos levado a Embrapa, a ABDI, a Caixa Econômica, entre outros, para a Venezuela e tudo isso acabou porque tivemos um governo que considerou a Venezuela um inimigo”, lembrou Lula. Ele falou ainda sobre a importância de o Brasil assumir em dezembro a presidência do G20 e realizar o encontro da cúpula do grupo no ano que vem, e ressaltou planos para a Cupula da Amazônia, em agosto, e a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em 2025, em Belém.

O presidente brasileiro destacou que é premente a necessidade de controlar os crimes transfronteiriços e nas terras Yanomami. “Se a gente não tiver coragem política para fazer as coisas certas, vamos chegar ao fim deste século com os mesmos problemas econômicos e sociais que iniciamos”, alertou o presidente brasileiro.

AGENDA AMPLA – Vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin falou sobre necessidade de retomada das relações na área de comércio e investimentos, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, frisou a importância da complementariedade econômica e a retomada da integração entre os dois países. A ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, destacou o diálogo em prol da preservação do bioma amazônico compartilhado pelos dois países e a proteção das terras dos Yanomami.

Outro ponto relevante debatido foram os resultados da recente missão multidisciplinar à capital venezuelana, organizada pela Agência Brasileira de Cooperação, e que contou com representantes de mais de vinte órgãos governamentais brasileiros.

COMÉRCIO BILATERAL – Para o ministro das Relações Exteriores, a retomada da normalidade das relações diplomáticas, do diálogo e da cooperação com a Venezuela e de novos esforços de integração no âmbito sul-americano reforça a nova postura diplomática do Brasil. “Dois países fronteiriços não podem ficar sem dialogar”, afirmou Mauro Vieira.

O comércio bilateral entre Brasil e Venezuela totalizou cerca de US$ 1,7 bilhão em 2022, com exportações brasileiras de US$ 1,3 bilhão e importações de quase US$ 400 milhões. Esse intercâmbio comercial chegou a ser de US$ 6 bilhões em 2013, o que demonstra o potencial da relação e a importância do encontro para a retomada das parcerias econômicas.

PRESIDENTES SUL-AMERICANOS- O encontro com Nicolás Maduro integra uma ampla agenda diplomática do presidente Lula nesta semana. Na terça (30), o líder brasileiro recebe dez presidentes de países da América do Sul e um representante do governo do Peru para uma reunião no Palácio Itamaraty, em Brasília.

O objetivo é retomar a cooperação dentro do continente sul-americano, em particular no que se refere às áreas de saúde, infraestrutura, energia, meio ambiente e combate ao crime organizado.

Deverão participar do encontro os presidentes Alberto Fernández (Argentina), Luís Arce (Bolívia), Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia), Guillermo Lasso (Equador), Irfaan Ali (Guiana), Mário Abdo Benítez (Paraguai), Chan Santokhi (Suriname), Luís Lacalle Pou (Uruguai) e Nicolás Maduro (Venezuela). A atual presidente do Peru, Dina Boluarte, será representada pelo presidente do Conselho de Ministros, Alberto Otárola.

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