terça-feira, 2, junho, 2026, 18:30
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Jundiaí tem aumento de até 27% nos casos de virose

As cidades do litoral, como Guarujá, Praia Grande e Santos, registraram nos últimos dias surto de virose, provocando uma série de problemas na rede hospitalar e a falta de medicamentos em farmácias. Curiosamente, em Jundiaí a rede municipal de Saúde também vem registrando alta no número de atendimentos em emergências, de até 27%.

O clínico geral do Hospital São Vicente de Paulo, doutor Ariovaldo Batista da Silva Júnior, disse que as causas estão associadas à má preparação de alimentos ou condições precárias de higiene, muito comuns nas praias.

O Hospital, que é responsável pelos Pronto Atendimentos (P.As) de Jundiaí, registrou aumento de até 27% nos casos de viroses entre o mesmo período de dezembro e o de janeiro.

No Centro da cidade foram 194 casos só neste ano, entre os dias 1 e 6.

Já na Ponte São João foram 129 atendimentos de viroses.

No bairro do Retiro foram 112 casos e no Pronto Atendimento da Vila Hortolândia, que é o recordista da cidade, foram 235 atendimentos.

Ao todo, só na rede municipal atendida pelo São Vicente foram 670 pacientes.

O médico Ariovaldo detalha mais sobre a gastroenterite: “que é uma gastroenterite causada por infecções bacterianas, virais ou parasitárias, frequentemente associadas às condições ambientais e higiênicas nas áreas do Litoral. As causas estão associadas, principalmente, à contaminação da água do mar, seja pelo esgoto, lixo ou a própria atividade humana. A transmissão está relacionada com o consumo de alimentos contaminados, crus ou mau cozidos e o contato com superfícies contaminadas. A falta de higienização, ou seja, a falta de autocuidado e de limpeza das mãos também pode ser uma forma de transmissão.”

Quais cuidados devem ser redobrados nesta época do ano?

A prevenção passa por cuidados básicos de higiene e pela atenção redobrada na manipulação e no consumo de alimentos e bebidas.

Confira algumas medidas recomendadas por infectologistas:

– Prefira sempre água filtrada, fervida ou envasada em garrafas lacradas;

– Evite consumir alimentos de origem duvidosa ou preparados em condições precárias de higiene, especialmente frutos do mar;

– Cozinhe bem os alimentos antes de consumi-los;

– Observe se a praia escolhida apresenta sinais de poluição, como esgoto visível ou mau cheiro.

– Dê preferência a locais com monitoramento regular da qualidade da água;

– Lave bem as mãos após o uso do banheiro, antes do preparo de alimentos e antes de se alimentar;

Carregue consigo um frasco de álcool em gel, para higienização em lugares sem acesso à água ou sabão.

 

Saiba como se prevenir

PATRÍCIA PASQUINI

(FOLHAPRESS) – Os casos de virose se multiplicam pelas cidades litorâneas paulistas e os serviços de saúde operam com capacidade acima do normal em decorrência do surto. Além de Guarujá, moradores e turistas de Santos e Praia Grande, na Baixada Santista, e de São Sebastião, no litoral norte, também relatam sintomas gastrointestinais.

Guarujá aguarda o resultado de análises encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz para esclarecer a origem do surto.

O QUE É VIROSE?

É qualquer doença provocada por um vírus. Catapora, Aids e gripe são exemplos. A diarreia que atinge turistas e moradores no litoral é uma virose. Os médicos, principalmente os de pronto-socorro, chamam de virose as doenças com características de serem provocadas por vírus e que não é possível definir uma causa. Vírus diferentes podem dar sintomas muito parecidos.

No outono e no inverno prevalecem os vírus respiratórios como o influenza, o rinovírus, o VSR (vírus sincicial respiratório).

No verão, são comuns os enterovírus, com transmissão por meio da ingestão de água e alimentos contaminados. “São vírus que nós eliminamos nas fezes.

Eles contaminam o ambiente e outras pessoas. Alguns vírus não são sazonais, como os da hepatite e o HIV, por exemplo. A transmissão deles acontece o ano inteiro, porque não dependem tanto de fatores ambientais, mas mais de contato entre as pessoas”, explica o médico.

QUAIS OS SINTOMAS DA VIROSE QUE ATINGE O LITORAL?

São típicos de uma virose intestinal. Cólica, náusea, vômito, diarreia, mal-estar e fraqueza. Alguns pacientes relatam coriza e nariz entupido.

QUANDO PROCURAR UM SERVIÇO DE EMERGÊNCIA?

Se os sintomas forem leves e possíveis de serem controlados com hidratação e remédio simples para enjoo, não é necessário procurar um hospital.

Extremos de idade (crianças pequenas e idosos), doentes crônicos -principalmente no caso de diabetes-, cardíacos, imunossuprimidos e as pessoas com doenças autoimunes e aquelas cujos sintomas não regridem com o tratamento caseiro convencional devem buscar ajuda médica porque precisam de uma avaliação.

PARA QUEM NÃO FAZ PARTE DE GRUPO DE RISCO, QUAL É O MOMENTO DE BUSCAR AJUDA MÉDICA?

Se você tomou remédio para vômito, por exemplo, e não melhorou na segunda dose, é melhor passar por uma avaliação médica. “Mais do que a diarreia, o que preocupa muito a gente nessas viroses são os vômitos. Se a pessoa tiver diarreia e conseguir manter a hidratação, beber líquidos, isotônicos, soro de hidratação, tudo bem. Agora, se ela está vomitando, não consegue ingerir líquidos adequados e está com diarreia, o quadro pode rapidamente complicar”, alerta o infectologista.

DURANTE A CRISE, O DOENTE DEVE FORÇAR A ALIMENTAÇÃO? O QUE INGERIR?

Se a pessoa não tiver vômito e náusea deve comer o que o corpo tolerar. Não precisa de grande restrição dietética. A orientação é manter uma alimentação balanceada e muito líquido. Não adianta água pura. Para hidratar quando se tem diarreia, o paciente deve optar por isotônico, soro de hidratação, água de coco ou suco de fruta.

QUE ALIMENTOS DEVEM SER EVITADOS E QUAIS PRIORIZADOS?

Deve-se evitar os alimentos que estragam facilmente no calor, como maionese, cremes, os gordurosos, aqueles que levam muito creme de leite e leite. “No caso de uma situação de vírus como essa, o alimento que é mais arriscado é o que a gente não consegue limpar adequadamente, principalmente o cru. Prefira os alimentos cozidos. Priorize frutas, alimentos tipo purê, amido, mandioquinha, leguminosa, carne magra, frango, algo leve e fácil de digerir.”

“Se for comprar gelo, verifique a procedência. O mesmo vale para essas águas minerais de galão de cinco litros. Tem que ser água mineral de verdade e não de torneira que foi engarrafada. E esse galão tem que ser muito bem higienizado antes de ser colocado no filtro”, orienta Neubauer.

QUEM CONTRAIU VIROSE E MELHOROU PODE CONTINUAR COM BANHO DE MAR?

Ainda não sabemos se o vírus que causou o surto provoca imunidade. É preciso esperar o Adolfo Lutz identificar qual é o vírus para ter certeza se a pessoa está imunizada ou não por ter adquirido a doença.

VIROSE PODE SER CONFUNDIDA COM OUTRAS DOENÇAS?

As intoxicações alimentares têm sintomas muito parecidos e é difícil diferenciar. No verão, as intoxicações são comuns até porque no calor os alimentos se degradam mais depressa.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE ESSA VIROSE DO LITORAL E A DENGUE? É POSSÍVEL CONDUNDI-LAS?

A dengue é uma virose e tem uma evolução diferente. Na dengue, a febre intensa e a dor no corpo chamam muito a atenção. “Normalmente, é uma febre que começa de repente, já alta. Apesar de a dengue dar sintomas digestivos, vômitos não são muito comuns. Pode causar um pouquinho de diarreia também, mas a febre alta e a dor no corpo chamam muito mais atenção.

COMO PREVENIR A VIROSE?

Sempre lave as mãos em qualquer situação, principalmente depois do uso do vaso sanitário e antes de preparar os alimentos. Higienize os alimentos, principalmente se forem consumidos crus, como salada. Mergulhe em solução de hipoclorito de sódio (a 1%, dilua duas colheres de sopa para cada litro de água). Faça o mesmo com as frutas. Lave bem os utensílios domésticos. Hidrate-se. Evite consumir alimentos preparados em locais sem condições de higiene, de vendedores não autorizados ou de origem duvidosa.

“No caso de Guarujá, eu aconselhei alguns pacientes -principalmente de alto risco- a subirem a serra. Saiam daí, não esperem se contaminar. Enquanto esse surto não for controlado, a melhor maneira de se prevenir é evitar exposição. E, infelizmente, como parece que isso está em todo lugar, vão para a casa que é melhor. Perdem uns dias das férias, mas ganham em saúde.”

NÚMEROS DE JUNDIAÍ

O comparativo é dezembro de 2024 e janeiro de 2025.

Pronto Atendimento Central (PAC):
– 01/12 a 06/12: tivemos 143 atendimentos
– 01/01 a 06/01 tivemos 194 atendimentos = um aumento de 26%

Pronto Atendimento Ponte São João (PAP):
– 01/12 a 06/12 – tivemos 95 atendimentos
– 01/01 a 06/01 tivemos 129 atendimentos = um aumento de 26%

Pronto Atendimento Hortolândia (PAH):
– 01/12 a 06/12 – tivemos 184 atendimentos
– 01/01 a 06/01 tivemos 235 atendimentos = um aumento de 27%

Pronto Atendimento Retiro (PAR):
– 01/12 a 06/12 – tivemos 95 atendimentos
– 01/01 a 06/01 tivemos 112 atendimentos = um aumento de 15%