Polícia investiga aborto em Campinas. Mulher está na UTI da Unicamp
Uma mulher de 31 anos foi internada em estado grave no Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas, após sofrer complicações decorrentes de um aborto provocado. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil como crime de aborto provocado, ocultação de cadáver e fraude processual.
A paciente deu entrada no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM) da Unicamp, apresentando hemorragia vaginal grave, instabilidade hemodinâmica e sinais de choque hipovolêmico.
De acordo com o relatório médico do Dr. João Renato Bennini Jr., a mulher foi atendida pela equipe ginecológica, que realizou manobras para reversão da inversão uterina.
Após os procedimentos de emergência, ela foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O drama começou quando familiares da mulher foram buscá-la em casa após ela não comparecer a um encontro.
Ao chegarem ao apartamento no bairro Techno Park, encontraram a porta trancada e ninguém atendeu.
A filha da vítima, de 12 anos, chegou ao local acompanhada do pai e abriu a residência.
Dentro do imóvel, depararam-se com uma cena chocante: muito sangue espalhado pelo quarto e banheiro, e a mulher desacordada e nua dentro do box do banheiro.
Socorro e investigação
Diante da gravidade da situação, a família acionou o SAMU, mas devido à demora do socorro, pediram ajuda a vizinhos para transportar a vítima até o hospital em veículo particular.
Enquanto alguns familiares permaneceram no hospital, uma irmã da vítima retornou ao apartamento para fazer a limpeza do local.
Segundo seu depoimento, ela não encontrou vestígios do feto durante a limpeza.
Evidências encontradas
A Guarda Municipal foi acionada pelo hospital e, ao realizar buscas no apartamento, encontrou materiais suspeitos no ralo do banheiro que aparentavam ser placenta e sangue coagulado.
Durante a perícia no local, os investigadores encontraram uma cartela vazia do medicamento Cytotec, conhecido por ser usado em abortos clandestinos, além de amostras de sangue. Os materiais foram apreendidos para análise.
Segundo a equipe médica, os achados obstétricos eram compatíveis com abortamento ou parto recente, com ausência do produto de concepção ou recém-nascido.
O feto, que não foi encontrado, provavelmente tinha seis meses ou mais de gestação.
De acordo com informações da equipe médica do CAISM, a paciente estava evoluindo para óbito em razão das lesões e do sangramento excessivo.
Seu quadro permanece grave na UTI.
Investigação policial
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Campinas, que tipificou o crime como:
- Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento (art. 124 do Código Penal)
- Destruição, subtração ou ocultação de cadáver (art. 211 do Código Penal)
- Fraude processual (art. 347 do Código Penal)
A perícia técnica foi realizada no local dos fatos, e o caso foi encaminhado para a delegacia da área para dar continuidade às investigações.
Contexto legal
O aborto no Brasil é crime, sendo permitido apenas em casos específicos: quando há risco de vida para a gestante, quando a gravidez resulta de estupro, ou quando o feto é anencefálico.
O uso de medicamentos como o Cytotec para provocar aborto é considerado crime e pode resultar em graves complicações de saúde, como demonstrado neste caso.
As autoridades continuam investigando as circunstâncias do caso e procurando pelo paradeiro do feto.
Doação é legal
As mulheres que não querem ficar com os filhos podem fazer a doação à Justiça. A medida é legal e recebe todo amparo e acompanhamento médico, para garantir o bem-estar da mulher e da criança.
As mulheres que quiserem fazer a doação de bebê podem entrar em contato com a Vara da Infância e Juventude do Fórum mais perto de casa.


