quarta-feira, 22, julho, 2026, 01:21
CIDADESVARIEDADES

William Bonner se despede do “Jornal Nacional”

William Bonner se despediu do ‘Jornal Nacional’ nesta sexta-feira, 31, após 29 anos à frente do telejornal, sendo 26 deles também como editor-chefe. Bonner foi o âncora que ficou mais tempo à frente do telejornal e, no final de sua última edição, ele e sua parceira de bancada, Renata Vasconcellos, receberam no estúdio César Tralli, que assume oficialmente o posto de apresentador, ao lado de Renata, a partir da próxima segunda-feira, 3 de novembro. Na função de editora-chefe, assume Cristiana Sousa Cruz, até então editora-chefe adjunta do JN e parceira de Bonner há seis anos. Em 2026, Bonner se junta a Sandra Annenberg na apresentação do ‘Globo Repórter’.

A passagem de bastão contou ainda com registros da trajetória de Tralli no jornalismo. Ao longo de 32 anos na Globo, César Tralli atuou como repórter em coberturas para telejornais locais e da rede, repórter investigativo, correspondente internacional em Londres e apresentador. Foi titular do ‘SP1’, do ‘Edição das 18’, da GloboNews e do ‘Jornal Hoje’, antes de assumir oficialmente a bancada do ‘Jornal Nacional’, onde já atuava eventualmente. Algumas de suas coberturas mais marcantes ao longo de três décadas são a morte de Ayrton Senna (1994) e da Princesa Diana (1997), terremoto na Turquia (1999), os atentados terroristas em Nova York (2001), Copa do Mundo da Alemanha (2006), greve de ônibus em São Paulo (2017) e de caminhoneiros (2018), Guerra na Ucrânia (2022), as enchentes no Rio Grande do Sul (2024) e a eleição do novo papa Leão XIV (2025), entre muitas outras.

Entrevista com William Bonner

Depois de quase 40 anos no telejornalismo diário, qual a expectativa de seguir um caminho inédito no ‘Globo Repórter’?
Minhas expectativas são todas muito energizantes. Atuar como repórter, na contramão do que foi minha carreira profissional – que, por sua vez, foi na contramão do que é habitual para âncoras. O começo na reportagem é mais comum do que chegar à TV já como apresentador. Outra expectativa é sobre a própria apresentação, ao lado da Sandra. O ‘Globo Repórter’ difere de telejornais diários por não ter a adrenalina das hard news. É um convite à contemplação, de uma forma bem mais relaxada. Espero que a nossa postura combine com esse clima – o que significa uma mudança bem sensível naquilo que tenho feito ao longo de 40 anos. E tenho a expectativa de usufruir da agenda menos ocupada do que aquela que a apresentação e a chefia da edição do JN exigiram nesses anos todos.

O que o público pode esperar de você nesse novo formato?
A energia, o prazer de trabalhar e o orgulho de um profissional que desejava há muito tempo encontrar o público do ‘Globo Repórter’.

Além de apresentar o ‘Globo Repórter’ com a Sandra Annenberg, você também fará reportagens para o programa. Já pensa em temas ou territórios que gostaria de explorar?
Já sugeri dois temas e foram bem recebidos. Um deles já está em fase de pré-produção. Não penso em territórios específicos a explorar. Mas tenho um anseio enorme de encontrar pessoas e conversar com elas diretamente.

Com tantos anos dedicados ao jornalismo diário e absoluto compromisso com o jornalismo profissional, que mensagem você gostaria de deixar para o público do ‘Jornal Nacional’ e já antecipar para quem acompanha o ‘Globo Repórter’?
Ao público do ‘Jornal Nacional’, eu agradeço imensamente a confiança nesses 29 anos em que tive a honra de integrar aquela equipe. A quem me aguarda no ‘Globo Repórter’, peço paciência com meu aprendizado, porque me sinto como se eu estivesse iniciando uma carreira nova. E a todos os telespectadores manifesto a convicção de que nós, integrantes do jornalismo da Globo, temos a noção exata da nossa responsabilidade no exercício dessa profissão tão bonita e tão necessária.

Entrevista com César Tralli

O que representa para você estar à frente do principal telejornal do país?
Representa uma tremenda responsabilidade e uma imensa felicidade ao mesmo tempo. Eu me sinto muito grato pela oportunidade. Tenho absoluta noção do quanto eu vou ter que me dedicar para honrar essa camisa chamada JN. Mas me sinto muito preparado e pronto para essa missão.

Você tem ampla bagagem como correspondente, repórter, repórter investigativo, apresentador de telejornais. Que aprendizados você leva para essa nova etapa?
A perseverança do cotidiano, a determinação e humildade. Eu brinco que no jornalismo não tem saldo de gols. Então, todo dia você começa do zero a zero. Você pode fazer uma edição histórica, marcar um golaço e no dia seguinte começa tudo de novo, com a preocupação em não errar e em fazer o jornalismo mais bem aprofundado possível. É essa lição que eu levo para o JN: da perseverança, determinação, humildade e vontade de fazer bem-feito.

Quais são suas expectativas para essa nova fase no ‘Jornal Nacional’?
Quero me relacionar muito bem com todos da equipe, entender a dinâmica do JN, o funcionamento dele no cotidiano e, na medida do possível, contribuir o máximo que eu puder e agregar valor mesmo. Vamos seguir rigorosamente aquilo que o JN é tradicionalmente: um telejornal absolutamente reconhecido, vitorioso e cheio de credibilidade.

Que mensagem você gostaria de deixar para o público que acompanha o ‘Jornal Nacional’ diariamente?
Que elas continuem assistindo ao JN, que vão encontrar um apresentador que vai apresentar as notícias com muito amor, muita dedicação e honrando muito todo esse legado do ‘Jornal Nacional’.

Outras mudanças no Jornalismo da Globo

Roberto Kovalick se despediu do ‘Hora 1’, após seis anos à frente do telejornal que abre a programação diária de notícias da TV Globo. No final do jornal, Kovalick recebeu Tiago Scheuer, que assume oficialmente a apresentação do ‘H1’.

Na TV Globo desde 2011, Tiago Scheuer participou como repórter de coberturas importantes em São Paulo, como os protestos de 2013, a chacina de Osasco e o ataque a uma escola em Suzano, e as consequências do temporal que isolou São Sebastião, no litoral norte, em 2023. Se destacou por participações ao vivo, seja acompanhando os peregrinos até Aparecida, ou experimentando esportes radicais. Cobriu desfiles de escolas de samba, diversas edições dos festivais de música Lollapalooza e The Town e fez reportagens para o ‘Fantástico’ e para o ‘Globo Repórter’. Apresentou a previsão do tempo em jornais locais e de rede, antes de chegar ao ‘Bom Dia SP’, onde esteve até agora ao lado de Sabina Simonato, informando a população em tempo real sobre a mobilidade e previsão do tempo da maior região metropolitana do Brasil. A partir de sexta-feira, essa função no ‘Bom Dia SP’ passa a ser de Marcelo Pereira.

“Não poderia estar mais feliz em assumir a missão de dar bom dia aos brasileiros com as principais notícias do momento no telejornal que abre a nossa programação. O ‘Hora 1’ é aquele companheiro fiel de todo início de manhã para quem acorda cedo e quer saber como o Brasil e o mundo também estão acordando. Para mim, é uma grande responsabilidade continuar o legado desse jornal que há mais de dez anos informa de uma maneira dinâmica, conversada e com muita credibilidade. Estou ansioso e, ao mesmo tempo, tranquilo com esse desafio porque, ao meu lado, tem uma equipe incrível e engajada, sempre atenta a tudo: da previsão do tempo ao esporte, dos bastidores da política nacional ao que acontece do outro lado mundo. O ‘Hora 1’ está sempre em movimento, sendo plural e cheio de sotaques reunidos num grande bate-papo enquanto o dia está só começando”, conta o novo apresentador Tiago Scheuer.

César Tralli se despediu do ‘Jornal Hoje’ para assumir, ao lado de Renata Vasconcellos, o posto de âncora do ‘Jornal Nacional’, no lugar de William Bonner.

No fim de sua última edição no comando do ‘JH’, Tralli recebeu Roberto Kovalick, que passa a ancorar o telejornal a partir de agora.

A transição foi marcada por uma breve retrospectiva dos momentos mais marcantes da carreira de Kovalick.

Em 35 anos na Globo, Roberto Kovalick atuou como repórter e apresentador de telejornais locais e de rede, correspondente internacional por 10 anos em Nova York, Japão e Londres e repórter especial, antes de assumir como titular o ‘Hora 1’, telejornal matutino e o mais longo da grade. Entre as muitas coberturas das quais participou nessa trajetória, estão a chacina da Candelária; a morte de Ulysses Guimarães; o sequestro do menino Pedro Tiago de Orleans e Bragança, da Família Real; a transição para o plano Real; o sequestro do ônibus 174; reportagens sobre corrupção em Brasília; as eleições no Haiti; a eleição de Obama; tsunami no Japão; Crise na Ucrânia; o rompimento da barragem de Brumadinho, entre outras.

“O ‘Jornal Hoje’ tem um lugar de destaque na história da TV brasileira por ser aquele jornal que traz os fatos enquanto estão acontecendo. É o companheiro do almoço dos brasileiros. Antes eu tomava café da manhã com o público, agora vou almoçar com eles. Será um grande prazer e uma honra participar dessa conversa diária, dessa convivência de décadas, tentando contribuir com a minha experiência como correspondente e repórter. Quero poder mostrar a dimensão das notícias, o que elas representam na vida das pessoas e como o jornalismo profissional faz a diferença para que os brasileiros sejam bem-informados e tomem as melhores decisões. Isso o JH sempre fez e agora tenho o orgulho de levar adiante esse legado”, afirma o novo apresentador Roberto Kovalick.

 

Fotos: Globo/ Bob Paulino