quinta-feira, 4, junho, 2026, 12:44
JUNDIAÍ

Jundiaí recebe exposição Cidadela, da artista visual para as infâncias Maria Ezou

No dia 14 de dezembro chega à Galeria de Exposições Olga de Brito, em Jundiaí, Cidadela, a exposição individual da artista visual Maria Ezou, que convida o público para uma experiência imersiva no universo das infâncias, suas sensações e subjetividades.

A Cidadela é uma instalação interativa, que materializa uma cidade imaginária e biocêntrica, uma fortaleza onírica onde os seres humanos, seus corpos, as casas e o restante da natureza são partes de um mesmo sistema: harmônico e fantástico.

Ao chegar na exposição, o público se depara com um portal de entrada, que se assemelha à uma trama de raízes aéreas de mangue e à silhueta de uma montanha. A estrutura, que leva o nome de “estufa”, tem suportes que guardam pequenos vasos biodegradáveis com matéria orgânica, mudas de plantas nativas dos biomas originais da cidade de Jundiaí, a Mata Atlântica e o Cerrado, e lápis e papel. Ali o público pode realizar suas primeiras interações com a obra, seja pelo plantio de mudas que serão destinadas à restauração ambiental ou realizando um autorretrato que integrará a galeria de novos “habitantes” da Cidadela.

Ao adentrar um pouco mais, descortina-se a cidade formada por 15 “casas-corpos” – esculturas feitas a partir do molde do tronco da própria artista, com diminutas janelas e portas em seu ventre, que dão acesso a minimundos imaginários. No interior de cada “casa-corpo”, o olhar curioso se depara com uma dramaturgia particular, dialogando com um aspecto diferente da infância, interconectado com o fluxo dos corpos e suas distintas emoções, o cotidiano das casas e as dinâmicas da natureza. Para contar cada história, o cenário e objetos, em miniatura, são animados por autômatos mecânicos e eletrônicos, pela transição de luzes e pela trilha sonora individual de cada casa, além de estímulos auditivos como o som das águas, do vento, do pisar na terra e do crepitar do fogo. Cada “casa-corpo” recebe também uma audiodescrição, que promove a acessibilidade.

O fio condutor das obras são as artes têxteis, que Ezou intersecciona com o teatro de animação, a arte eletrônica, o audiovisual, a literatura, as musicalidades e os autômatos artesanais. Ela ainda emprega técnicas auxiliares como marcenaria, serralheria artesanal e colagem e, por fim, as conecta a saberes como mecânica do movimento, arquitetura vernacular, biologia e agroecologia. Assim, Maria tece o enredo que resulta na narrativa maior, o mundo sonhado da Cidadela.

Para proporcionar uma experiência plena às crianças, a expografia respeita as dimensões dos pequenos, e os minimundos são localizados na altura do olhar da criança. Para os adultos, o convite é para que experimentem a Cidadela a partir do ponto de vista dos pequenos.

A exposição pretende reafirmar o corpo como espaço de autonomia e alteridade e, por isso, cada espectador escolhe sua trilha de visitação, descobrindo, em cada Casa, um universo particular e a temática inerente à infância daquela obra. Compõem a Cidadela as Casas Gestar; Infância; Memória; Amor, Raiva; Empatia; Espera; Afeto; Alegria; Proteção; Desafio; Preguiça; Liberdade; Medo e Tristeza.

Em Cidadela, o corpo de Maria Ezou é o corpo do universo. Raízes, corpo, montanha. Mulher-natureza, guiada por mapas, casas e seus interiores – cartografias que apontam para a direção coletiva. Cartógrafa dos afetos, parte das espacialidades e mergulha nas infâncias como um ato político. Onde o caminhar coletivo é o único possível.

Hoje as obras de Ezou estão situadas no campo das artes visuais, da performance e da instalação, mas, nos primeiros anos de sua trajetória, produziu muitos trabalhos para o campo das artes cênicas e com teatros de grupo, assim aprendeu e aprimorou seu ofício na lógica da colaboração e coletividade. Em a Cidadela, essa dinâmica segue presente. As obras da exposição têm a concepção e realização individual de Maria Ezou, mas contam com a colaboração de outros artistas e mestres de diferentes ofícios, que, convidados por Maria, trouxeram sua especialidade para o processo de preparação das obras. Entre os 17 convidados estão André Mehmari (produtor e intérprete musical); Heloisa Pires Lima (dramaturgia do movimento); Juliana Notari (dramaturgia do movimento); Mônica Cardim (fotografia artística); Leonardo Martinelli (composição musical); Willian Oliveira (desenvolvimento dos sistemas eletrônicos); Cristina Souto (desenho de luz), entre outros.

A exposição integra o projeto homônimo, Cidadela, que, em diferentes formatos, já passou, desde 2022, por Minas Gerais, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Ceará, somando mais de 64.000 espectadores.

Mais informações sobre o Projeto Cidadela clique aqui.

Maria Ezou – Artista Visual para as Infâncias
Premiada artista, performer e educadora, Maria Ezou é porta-voz do movimento das artes visuais para as infâncias e trabalha o universo onírico e fantástico contando histórias imersivas e sensoriais. Com Licenciatura em Educação Artística (UNESP), chegou a cursar parte do Bacharelado em Artes Plásticas (FAAP) e tem formação em Cenografia. Em uma infância de liberdade, experimentação e integralidade com a natureza, Maria foi uma criança curiosa e apaixonada pelo funcionamento das coisas, dos corpos, dos fluxos e dos lugares. Encantamentos que se tornaram estruturantes em sua obra. Filha de mãe arquiteta, entrou em contato com a arquitetura vernacular muito cedo e, ainda criança, viajou com a família pela América Latina, quando conheceu as cosmogonias Inca e Maia. O avô lhe transmitiu a paixão pelos autômatos, em seu “incrível quarto de invenções”. A cozinha de sua avó materna foi uma de suas primeiras inspirações para as manualidades artísticas e a máquina de costura, de sua outra avó, daria vida às suas primeiras criações têxteis. Ezou dialoga com o biocentrismo ancestral, de seu país e continente, e é possível identificar, em sua obra, o corpo biocêntrico; as espacialidades e seus fluxos, além do aspecto político. De modo não óbvio, reverencia aspectos culturais comuns aos povos originários do Brasil e da América Latina e revisita saberes desses povos para propor um diálogo das esperanças. A lida com o tecido, entremeada com o fazer artístico – lógica presente em culturas latino-americanas – é um dos exemplos em sua obra. Os campos de atuação de Maria Ezou são as artes visuais, a performance e a instalação, com a presença recorrente de autômatos e objetos sensíveis. Ela respeita os tempos e o corpo expandido e integral das infâncias, por isso desenvolve obras analógicas e na escala das crianças. A artista das infâncias decoloniais, contempla diferentes contextos das infâncias. Entre seus trabalhos estão: Projeto Cidadela [Exposições: Cidadela-Corpo – Sesc Pompeia (2022), Cidadela Fotos – Circulação Minas Gerais, Brasília e São Paulo (2023), Cidadela – CAIXA Cultural Fortaleza, 2023/24]; Quadro bordado “Janelas do Céu”- vencedor do CONTRASTES MAB FAAP (2003); Performance “Fauna InFesta“ – exposição Augusto de Campos, no Sesc Pompéia (2016); Direção de arte dos espetáculos “A Ciranda do Villa“ – indicado aos prêmios FEMSA e Cooperativa Paulista de Teatro; “Os Saltimbancos“, (2008)- indicado ao prêmio FMSA (2008); “O Príncipe Feliz“ premiado pelo 13º Festival Cultura Inglesa (2009); “Grandes Pequeninos” Indicado ao Grammy Latino de Música (2010); “Mário e os Marias“, premiado pelo APCA de Melhor Espetáculo de Rua para Crianças (2012) e “Coágulo” – performance videoarte premiada no RUMOS Itaú Cultural (2021).

O projeto Cidadela Arte e Natureza é uma realização do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas, contemplado no Edital Fomento Cultsp – Proac Nº 26/2024 – Circulação De Exposição De Artes Visuais, com produção da PlantaSonho Arte e Cultura.

Ficha técnica
Exposição Cidadela
Maria Ezou – Concepção e realização
Colaboradores convidados
Mônica Cardim – Fotografia Casa Memória
Heloisa Pires Lima – Dramaturgia do movimento e textos do site
Juliana Notari – Dramaturgia do movimento e textos do site
Gabriela Zuquim – Consultoria ambiental
Leonardo Martinelli – Composição musical
André Mehmari – Produção e intérprete musical
Marina Quintanilha – Animação da Casa Memória
Eduardo Salzane – Consultoria de arte mecânica
Willian Oliveira – Desenvolvimento dos sistemas eletrônicos
Cristina Souto – Desenho de luz
Fábio Luiz Souza Gomes e Joseane Natali Domingos – Serralheria
Rager Luan – Modelagem das peças em fibra de vidro
Alê Noguchi – Modelagem das peças em bambu
Rita De Cassia Martins – Confecção das roupas das Casas
Mônica Cristina Rocha – Confecção casulos

Itinerância
Maria Ezou – Idealização e Direção Artística
Débora Bruno – Produção Executiva
Caia Gusmão – Produção Local e montagem
Mirs Monstrengo – Montagem
Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis” MST – Plantio Estufa
Nany Gottardi – Locomotiva Cultural – Assessoria de Imprensa
Mônica Cardim – Fotos de Divulgação
Ana Muriel – Artes Gráficas
Kelly Gonçalves – Studio Âmago Mkt– Assessoria de redes sociais
Amoreiras – Comunicação Visual
Alves Tegam – Transportadora

Serviço
Exposição Cidadela – Arte e Natureza
Abertura: 14 de dezembro
Período da exposição: 14 de dezembro de 2025 a 01 de fevereiro de 2026.
Recesso do espaço de 21 de dezembro a 02 de janeiro.
Local: Galeria de Exposições Olga de Brito – Centro das Artes Prefeito Pedro Fávaro
Endereço: Rua Barão de Jundiaí, 1093 – Centro
Telefones:
Bilheteria – (11) 4589-6821
Administração – (11) 4589-6805
Classificação indicativa: livre
Entrada franca
Horário de funcionamento: de terça a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, domingo e feriados das 9h às 14h. Sujeito à alteração em datas de pontos facultativos e emendas (detalhes no site da Prefeitura).
Acessibilidade: A exposição conta com o recurso de audiodescrição e acessibilidade espacial para pessoas com deficiência

Programação Extra (sujeita à alteração):
Visita mediada com a artista e curadora Maria Ezou
Dia 13 de dezembro (horário a confirmar)
Dia 14 de dezembro, às 14h (neste dia a atividade inclui a Oficina de plantio ‘Territórios Livres’)
Dia 30 de janeiro, às 18h
Dia 31 de janeiro, às 15h
Agendamentos para grupos e escolas

Ciclo de Debates “Diálogos Transversais sobre Arte e Infância” – com a artista e curadora Maria Ezou e convidadas
Dia 30 de janeiro, das 14h às 18h
Dia 31 de janeiro,das 9h às 13h
Informações adicionais:
Site: https://www.exposicaocidadela.art/cidadela
Instagram:
@cidadela_arte_infancia
@maria_ezou