Grupamento dos Bombeiros de Jundiaí faz evento para homenagens
O 19º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Jundiaí promoveu uma cerimônia especial para homenagear seus soldados de destaque e reconhecer colaboradores que contribuíram com a instituição. O evento aconteceu no teatro do Sesc, localizado na Avenida Antônio Frederico Ozanan, no Jardim Botânico.
Durante a solenidade, foram entregues as tradicionais Challenger Coins do Grupamento para colaboradores e autoridades que, de alguma forma, apoiaram as atividades da corporação ao longo do ano. A Challenger Coin é uma moeda comemorativa que simboliza pertencimento, reconhecimento e gratidão aos parceiros dos Bombeiros.
História centenária
O 19º Grupamento de Bombeiros tem sede em Jundiaí, no bairro da Chácara Urbana, mas a história da corporação na cidade é bem mais antiga.
O Posto de Bombeiros de Jundiaí teve início em 12 de novembro de 1946, após um incêndio que destruiu um armazém de alimentos na Rua Dr. Torres Neves.
Naquela época, a sociedade se mobilizou para a formação da unidade, sendo a primeira a ter Posto mantido pelo Governo do Estado.
A primeira turma foi composta por 12 homens e duas viaturas.
Todos trabalhavam no Depósito Municipal da Prefeitura, que ficava atrás do Ginásio de Esportes Dr. Nicolino de Lucca, o “Bolão”, no bairro do Anhangabaú, bem próximo ao Parque da Uva, onde hoje funcionam os restaurantes durante as festas no Parque Comendador Antônio Carbonari.
Em 14 de dezembro de 1971 foi oficialmente inaugurado o atual prédio em que está instalado o Posto de Bombeiros de Jundiaí, na Rua João Batista Curado, 120, no Anhangabaú.
Já em 27 de novembro de 2008, por meio do Decreto Estadual n.º 53.733, foi criado o 19º Grupamento de Bombeiros, com sede em Jundiaí e que atende 28 municípios da região.
Estrutura regional
O 19º Grupamento é dividido em dois subgrupamentos: o 1º SGB, com sede na Rua João Batista Curado, 120, na Chácara Urbana, em Jundiaí; e o 2º SGB, em Bragança Paulista.
Na área do 1º SGB estão os postos de Jundiaí, Valinhos, Vinhedo e a base de Itupeva, enquanto na área do 2º SGB estão os postos de Bragança, Atibaia, Amparo, Lindóia e Serra Negra.
Personalidades marcantes
O Corpo de Bombeiros de Jundiaí cresceu significativamente ao longo dos anos.
Alguns personagens se destacaram pela dedicação à corporação.
O coronel João Osório Germano Gimenez é um dos exemplos. Em sua passagem pela unidade, lutou para que a cidade tivesse uma sede adequada e do porte que Jundiaí merece. Ao se aposentar, assumiu o comando da Defesa Civil, onde atua até hoje.
Também teve atuação brilhante o então comandante Adilson Gutierrez, que fazia questão de estar presente nas grandes ocorrências para coordenar o trabalho das equipes.
Ele era bastante operacional e apesar de cuidar da parte administrativa, estava sempre ao lado dos soldados para tudo o que viesse. Também lutou muito por viaturas novas e pela expansão do Corpo de Bombeiros para cidades da região.
Em sua passagem pelo Corpo de Bombeiros de Jundiaí, o tenente-coronel Eli Tavares também se preocupou em reivindicar mais viaturas, uma nova sede para a corporação e para equipar a unidade local. Foram muitas reuniões com o então prefeito Luiz Fernando Machado, buscando apoio.
O jundiaiense Eli Tavares teve forte ligação com o Corpo de Bombeiros da cidade. Antes, ele foi instrutor na Escola de Bombeiros de Franco da Rocha, sendo responsável pela formação de milhares de soldados que servem em todo o Estado.
Alguns profissionais deixaram saudades no Posto de Bombeiros de Jundiaí, como o cabo Piovesana.
Sozinho ao telefone, ele recebia dezenas de chamadas, distribuía as viaturas para as ocorrências e buscava o máximo de informações para subsidiar as equipes por meio de rádio. Tudo nos tempos em que não havia telefone celular nem rastreamento por GPS.
Era no conhecimento das ruas da cidade e informações via rádio, que direcionava as viaturas. Piovesana conhecia Jundiaí e região como a “palma da mão”. Os bombeiros na época eram responsáveis por salvamentos em todas as cidades da região e também dos acidentes nas rodovias.
Herói do Joelma adotou Jundiaí
O capitão PM Augusto Carlos Cassaniga adotou Jundiaí onde constituiu família. O seu nome representa o que há de momento mais marcante na história do Corpo de Bombeiros no Estado de São Paulo.
Ele disse certa vez ao “Jornal da Região” que tinha 33 anos quando pulou de uma altura de três metros em direção ao topo de um edifício em chamas.
Era o incêndio no Edifício Joelma que deixou 187 mortos e marcava a vida não só das vítimas, amigos e familiares, mas também das equipes que participaram do resgate – e evitaram uma tragédia ainda maior.
Cassaniga, que na época morava no quartel em São Paulo, estava de folga no dia do desastre, mas não hesitou em atender ao chamado daquele que seria o maior incêndio da Capital, e um dos maiores do País. Ele foi o primeiro bombeiro a entrar no topo do prédio, localizado na região central de São Paulo.
O capitão relembra aquela que foi a ocorrência que mudou a sua vida.
“Eu fiquei no meio daquelas vítimas e percebi que estavam em pânico, elas viam as línguas de fogo e corriam de um lado para outro, algumas caíam e saltavam. Eu consegui usar psicologia de massa e fazer com que todos ficassem no centro do telhado, onde as chamas não iam alcançá-los. Com a minha chegada lá, ninguém mais saltou lá de cima”, lembra.
“Uma moça, que tinha entrado entre a telha e a laje, puxei com muita dificuldade, ela estava com o corpo quente e mexia os lábios tentando dizer ‘não me deixe morrer’. Fiz de tudo: reanimação, massagem cardíaca, mas não teve jeito. Ela morreu nos meus braços, sinto até hoje. Tinha muita gente, mas essa moça não conseguimos salvar”, lamenta o capitão ao relatar aquele como o pior momento para ele.
O incêndio trouxe comoção nacional e a necessidade de se debater tecnologia e o código de obra para que não houvesse outras tragédias deste tipo. Depois do incêndio, não teve outro igual em perdas de vida.
Para o capitão Augusto Cassaniga, o que fica de lição é o valor à vida. “A melhor lição que nós temos, dar valor à vida, agradecer todos os dias o ar que respiramos, a água que bebemos, a alimentação que nós temos, é isso que ficou de lição”, finalizou.
Modernização
Jundiaí não é mais sede do telefone 193, que foi transferida para uma central em Campinas.
Atualmente, os atendentes do Posto dos Bombeiros em Jundiaí recebem as solicitações por essa central de Campinas, que faz os despachos das viaturas.
O sistema está mais moderno e integrado, embora frequentemente os bombeiros que ficam no Posto de Jundiaí nem saibam dos detalhes das ocorrências quando as viaturas saem para atendimentos, quando a Imprensa entra em contato com o quartel.
Nova sede a caminho
A Prefeitura de Jundiaí, por meio do prefeito Gustavo Martinelli, oficializou recentemente a doação de um terreno municipal para a construção da tão sonhada nova sede do 19º Grupamento de Bombeiros.
A nova estrutura permitirá a unificação das instalações operacionais e administrativas, proporcionando mais eficiência ao serviço prestado à população.



FOTOS: MOTOBOY XORORÓ


