quinta-feira, 4, junho, 2026, 01:36
CAMPINASPOLÍCIA

Polícia Civil de Paulínia faz operação contra cinco agressores de mulheres

PAULÍNIA – A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Paulínia realizou uma série de diligências para dar cumprimento a mandados de prisão contra homens acusados de crimes graves praticados contra mulheres. A ação faz parte da operação “Ano Novo, Vida Nova – Sem Violência”, coordenada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo.

A mobilização policial tinha como objetivo cumprir cinco mandados de prisão em aberto na cidade.

No entanto, após um dia intenso de investigações e buscas, nenhuma prisão foi efetivada.

A equipe policial descobriu que um dos procurados está morto, outro já se encontra preso há meses e os demais estão em local incerto e não sabido.

OPERAÇÃO COORDENADA

A operação foi desencadeada após a Delegacia de Defesa da Mulher de Paulínia receber uma planilha da 1ª Seccional de Polícia Civil de Campinas contendo informações sobre mandados de prisão pendentes de cumprimento na região.

A análise do documento revelou que cinco homens procurados pela Justiça por crimes contra mulheres tinham possível paradeiro em Paulínia.

A equipe policial, composta pelo investigador-chefe Wilneimar de Castro e pelos investigadores Rodrigo e Alessandra, todos da DDM de Paulínia, saiu em campo para verificar os endereços cadastrados e tentar localizar os foragidos.

RESULTADOS DAS DILIGÊNCIAS

Durante as buscas realizadas ao longo da operação, os investigadores descobriram uma série de situações que inviabilizaram o cumprimento dos mandados de prisão:

O primeiro procurado, de 41 anos, já está morto. A equipe policial localizou um boletim de ocorrência registrado em 2024 que confirma o falecimento do homem. Com isso, o mandado de prisão contra ele será naturalmente extinto pela Justiça.

Um segundo suspeito, de 26 anos, já se encontra preso há mais de quatro meses no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Hortolândia. A informação surpreendeu os investigadores, que constataram falha na comunicação entre as unidades prisionais e o sistema judicial, uma vez que o mandado continuava em aberto mesmo com o homem já custodiado.

TRÊS FORAGIDOS EM LOCAL INCERTO

Os demais três procurados não foram localizados durante as diligências. Um homem de 35 anos não reside mais no endereço constante do mandado de prisão, nem tampouco no endereço que aparece nas pesquisas criminais realizadas pela polícia. Vizinhos e pessoas próximas não souberam informar seu paradeiro atual.

Outro suspeito, de 42 anos, mudou-se do endereço registrado no mandado. A atual moradora da residência confirmou aos policiais que ele não reside mais no local há algum tempo. As pesquisas policiais realizadas em bancos de dados não encontraram nenhum novo endereço associado ao procurado.

O quinto homem, de 38 anos, também não foi localizado. Segundo informações obtidas pela equipe policial com um vizinho, ele teria se mudado para Ribeirão Preto, no interior paulista, há mais de um ano. A equipe chegou a verificar um segundo endereço vinculado ao procurado em Paulínia, mas também não o encontrou. Novas pesquisas policiais não revelaram endereços atualizados em Ribeirão Preto ou em outras localidades.

RELATÓRIO À JUSTIÇA

Diante dos resultados infrutíferos das diligências, a delegada titular da DDM de Paulínia, Barbara Monteiro Vitorino, elaborou relatório circunstanciado sobre as tentativas de cumprimento dos mandados de prisão.

O documento será encaminhado à 1ª Seccional de Campinas e aos respectivos juízos que expediram as ordens de prisão.

No relatório, a autoridade policial informa que, apesar do emprego das diligências cabíveis e da realização das devidas pesquisas em bancos de dados policiais, não foi possível dar cumprimento aos mandados listados na planilha recebida.

A delegada ressalta, no entanto, que a unidade policial permanece à disposição para realizar novas diligências caso sejam obtidas informações atualizadas sobre o paradeiro dos foragidos.

ATUALIZAÇÃO DE CADASTROS

O caso evidencia um problema recorrente no sistema de justiça criminal brasileiro: a desatualização de endereços e a dificuldade em localizar foragidos da Justiça.

Especialistas em segurança pública apontam que muitos mandados de prisão deixam de ser cumpridos porque os procurados mudam de endereço e não há um sistema de rastreamento.

No caso do homem que já estava preso em Hortolândia, a situação revela falhas na comunicação entre unidades prisionais e varas criminais.

Quando alguém é preso em cumprimento de um mandado, essa informação deveria ser automaticamente comunicada aos demais juízos que expediram ordens de prisão contra a mesma pessoa, evitando que mandados permaneçam ativos desnecessariamente.

OPERAÇÃO ESTADUAL

A operação “Ano Novo, Vida Nova – Sem Violência” é uma iniciativa da Polícia Civil paulista realizada anualmente no período de festas de fim de ano, quando estatisticamente há aumento nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher.

A ação envolve todas as Delegacias de Defesa da Mulher do estado e tem como objetivos principais o cumprimento de mandados de prisão pendentes contra agressores, a intensificação da fiscalização do cumprimento de medidas protetivas já concedidas pela Justiça e o atendimento prioritário às vítimas de violência doméstica.

Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram que durante feriados prolongados e datas festivas há incremento significativo nos registros de agressões contra mulheres, muitas vezes associado ao maior consumo de álcool e ao convívio intensificado em ambiente familiar.

A polícia solicita que qualquer pessoa que tenha informações sobre a localização dos homens procurados entre em contato com a Delegacia de Defesa da Mulher de Paulínia ou utilize canais anônimos de denúncia, como o Disque-Denúncia 181. O sigilo das informações é garantido por lei.