Homem morre após “mata-leão” em instituição de Jundiaí
Um homem de 32 anos morreu após ser contido com um “mata-leão” por um cuidador do Abrigo Casa Santa Marta, no bairro Bom Jardim, em Jundiaí.
Tiago Aparecido da Silva havia retornado ao local após ser desligado da instituição e foi encontrado próximo aos botijões de gás, segurando um isqueiro e ameaçando atear fogo.
Durante a contenção, ele ficou desacordado e não resistiu.
O cuidador responsável pela contenção foi preso em flagrante por homicídio, com o auto lavrado pela delegada Fernanda Monteiro de Souza, do plantão do 1º D.P. de Jundiaí.
Como foi
A Guarda Municipal havia sido acionada mais cedo ao abrigo em razão do comportamento alterado de Tiago, que exigia medicamentos que não podiam ser fornecidos sem autorização médica.
Após receber advertência, ficou mais agressivo.
A Guarda Municipal compareceu ao local e solicitou que ele se retirasse, o que foi atendido naquele momento.
Tiago informou que retornaria no dia seguinte e saiu voluntariamente.
Contudo, ele retornou ao abrigo sem ser percebido e foi encontrado na área da cozinha, nas proximidades dos botijões de gás, com um isqueiro na mão, ameaçando provocar uma explosão.
Diante da ameaça, o cuidador o abordou, aplicando um golpe na região do pescoço — a técnica conhecida como “mata-leão” — e o puxou para afastá-lo do risco.
Durante a contenção, ambos tropeçaram em um desnível do piso e caíram, ficando o funcionário por cima da vítima, imobilizando-o.
Segundo o próprio indiciado em interrogatório, permaneceu nessa posição por cerca de 10 minutos enquanto aguardava a chegada da Guarda Municipal.
Uma testemunha, também funcionária do abrigo, saiu para chamar a Guarda.
Quando retornou com os agentes, Tiago já estava desacordado, com batimentos cardíacos baixos.
O SAMU foi acionado, mas diante da demora no atendimento, os funcionários decidiram transportá-lo ao pronto atendimento mais próximo em veículo do próprio abrigo, com escolta da Guarda Municipal.
Ao dar entrada na unidade de saúde, após procedimentos médicos, foi constatado o óbito.
Prisão em flagrante
A perícia técnica compareceu ao local, onde foram localizados e apreendidos, no compartimento de concreto que abriga o botijão de gás, uma faca de serra com cabo bege e um isqueiro BIC amarelo.
O monitor do abrigo informou que há apenas uma câmera instalada no interior da cozinha, porém ela não estava funcionando por falta de sinal de internet naquela parte do imóvel, o que inviabilizou a obtenção de imagens do ocorrido.
Em interrogatório, o indiciado afirmou trabalhar há cerca de duas semanas como cuidador no abrigo e disse que agiu para evitar uma tragédia maior, diante da ameaça de explosão.
Declarou não ter sofrido lesões e afirmou que o local não contava com equipe de segurança própria, sendo necessário acionar a Guarda Municipal em situações de risco.
O caso foi tipificado como homicídio, com base no artigo 121 do Código Penal.
O Ministério Público deve encaminhar a denúncia contra o funcionário para julgamento popular no Tribunal do Júri.
O corpo de Tiago foi recolhido ao Instituto Médico Legal (IML) de Jundiaí.


