quinta-feira, 24, setembro, 2026, 19:33
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Lula vai ao Rio, cobra STF, coloca Pezão em saia-justa e sai em carreata com Eduardo Paes

YURI EIRAS E ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O presidente Lula (PT) voltou a cobrar nesta quinta-feira (24), no Rio de Janeiro, investigações contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) vinculados ao Banco Master. Ele também atacou indiretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário nessas eleições, por “compromisso com miliciano”.

O petista ainda provocou uma saia justa ao apontar as prisões de ex-governadores do Rio de Janeiro como sinal da crise do estado. Ele estava ao lado do prefeito de Piraí, Luiz Fernando Pezão (MDB), detido no fim de seu mandato no Palácio Guanabara.
As declarações foram dadas em duas agendas no Rio de Janeiro, uma institucional em Nova Iguaçu, em visita às obras da BR-116, e outra de sua campanha à reeleição em São Gonçalo.

Na agenda de campanha, ao lado de Eduardo Paes (PSD), candidato ao Governo do RJ, Lula cobrou investigações amplas sobre o Master e seu vínculo com políticos e magistrados.

“Falta muita gente a ser preso. O processo está apenas está começando. Eu quero saber quem participava das putarias deles. Porque era muita coisa errada, era muita festa. Era gente que vinha do estrangeiro. Cada vez aparece o nome de uma pessoa. E essa gente precisa ser investigada”, afirmou.

“Não podemos permitir que a Suprema Corte brasileira fique sob suspeita. A verdade tem que vir a público. Vamos deixar todo mundo ser investigado para que a gente possa punir de acordo com os crimes que cometeram.”

O caso Master também foi citado durante a agenda em Nova Iguaçu. “Quem é amigo do presidente é o povo, não é o Vorcaro. Não é o dono do banco Master”, disse em referência a Daniel Vorcaro, preso e suspeito de fraude bancária bilionária.

Lula também fez menções indiretas a Flávio nas duas agendas, mencionando políticos com vínculos com milicianos.

Em Nova Iguaçu, o tema foi citado quando o presidente elogiava o desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro.

“Embora não tenha sido eleito, ele já pode dizer que é o governador de mais credibilidade na história do Brasil. Porque ele está fazendo aquilo que se dispôs a fazer. Porque o cara que é eleito que fica assumindo compromisso com criminoso, fazendo compromisso com o crime organizado, fazendo compromisso com miliciano, entregando medalha para assassino… Ele não. Ele veio para cumprir uma missão: moralizar o estado do Rio de Janeiro.”

Investigação da Polícia Federal apontou que uma assessora de Flávio tratou, em 2023, da liberação de emendas parlamentares enviadas pelo senador com o miliciano Robson Calixto, conhecido como “Peixe”. Ele foi condenado em fevereiro deste ano pelo STF sob acusação de integrar a milícia que encomendou a morte da vereadora Marielle Franco.

Quando era deputado estadual, Flávio também condecorou o ex-PM Adriano da Nóbrega, acusado de comandar uma milícia, atuar como assassino de aluguel e controlar a exploração de máquinas caça-níqueis na zona sul do Rio.

Em São Gonçalo, o tema foi retomado pelo presidente. “No Palácio do Planalto não cabe a representação de miliciano lá dentro.”

GAFE COM O ALIADO PEZÃO

Lula também protagonizou uma gafe ao mencionar a prisão de ex-governadores do Rio de Janeiro ao elogiar a atuação de Ricardo Couto à frente do Palácio Guanabara.

“Como aqui já foram presos seis governadores no Rio de Janeiro, ele assumiu interinamente. É impressionante como esse homem está despertando no povo do Rio de Janeiro a ideia que tem gente série no Rio de Janeiro. […] Ele tem economizado por ano mais de R$ 1 bilhão de roubo de gente, das quadrilhas que governavam esse estado e roubava dinheiro”, disse.

Pezão, atualmente prefeito de Piraí, estava ao lado de Couto na cerimônia e não se manifestou.

O ex-governador foi preso em novembro de 2018 nos últimos dias de sua gestão, sob acusação de integrar o grupo criminoso atribuído ao ex-governador Sérgio Cabral. Pezão foi, anos depois, absolvido da acusação que o levou à cadeia preventivamente.

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foto> Eduardo Anizelli/Folhapress