Última pesquisa Datafolha aponta Flávio com 51% e Lula 49%
Por Igor Gielow, Folhapress, 24/10/2026, 18h37 (horário de Brasília)
(FOLHAPRESS) – A campanha presidencial mais acirrada desde a redemocratização brasileira, em 1985, chega ao fim neste domingo (25) com um segundo turno eletrizante: o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 51% dos votos válidos e o presidente Lula (PT), 49%, segundo o Datafolha.
A pesquisa foi realizada na sexta-feira (23) e neste sábado (24), ouviu 4.050 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Voto válido é o critério adotado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a divulgação dos resultados do pleito. Ele exclui os votos em branco e nulos e, na pesquisa, os indecisos.
Na quinta-feira (22), na rodada anterior do Datafolha, havia empate, com ambos os candidatos marcando 50% dos válidos em números arredondados. No começo da campanha do segundo turno, a distância entre Flávio e Lula era de quatro pontos nos votos válidos.
Abstenção
Com a disputa parelha, detalhes em microgrupos fazem a diferença, assim como o vital fator da abstenção, que chegou a 21,08% no primeiro turno.
A tentativa de convencer o eleitor a ir votar é um dos motores da campanha de Lula no segundo turno, já que os grupos que tendem a escolher o petista são usualmente os que mais faltam às urnas.
Um dado da abstenção no primeiro turno, porém, chamou a atenção: o grupo em que ela mais cresceu foi o de jovens de 21 a 24 anos, chegando a 1/4 deles. Assim, a guinada da campanha do PT em direção às redes sociais e à mobilização puxada por estudantes nas ruas é algo a ser observado.
Reta final
O crepúsculo da campanha foi marcado por intensa movimentação em torno do TSE e pelo debate presidencial da noite de sexta na Globo.
O tribunal foi instado a se posicionar sobre um estratagema lançado por Lula no debate do domingo (18), na Band, quando desafiou Flávio e sua família a abrir o sigilo em troca do mesmo do lado dele. Houve um bate-boca, e o senador acabou aceitando a iniciativa de forma condicional.
O TSE resolveu a questão dizendo que ambos eram livres para fazer o que quisessem, sem interferência judicial. Nada passou de uma artimanha, até pelo tempo exíguo para levantar dados e analisá-los de forma séria, com prejuízo político maior a Flávio.
Nesta sexta, um ministro da corte também decidiu que, a despeito das dúvidas colocadas na véspera pelo presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, o TSE não poderia suspender o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, motor da virada digital da campanha petista.
Debate na Globo
O debate na Globo ocorreu sob forte expectativa, após o agressivo encontro na Band. Teve mais ataques mútuos do que propostas, mas foi bastante mais comedido que o anterior.
O senador foi novamente grosseiro com o presidente, chamando-o de “nove dedos”, e acabou perdendo o controle de sua bandeira de rigidez na área de segurança pública, com a presença e a citação da mãe da menina Ana Clara, morta por um policial que Flávio defendeu como advogado.
Ficha técnica
A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo e está registrada no TSE sob o código BR-09540/2026.

