quarta-feira, 3, junho, 2026, 22:59
JUNDIAÍ

UniTerreiros esclarece sobre lixo deixado na cachoeira da Toca

A UniTerreiros – União das Comunidades de Terreiro de Jundiaí e região – emitiu nota a respeito da matéria publicada pelo JR com a reclamação de um leitor sobre lixo deixado na cachoeira da Toca. Segue a íntegra do esclarecimento:

 

Nota de esclarecimento

 

Em atenção à reportagem divulgada por este veículo no dia 24/11/2019, em que um leitor se queixou do lixo deixado na Cachoeira da Toca, localizada no Bairro do Caxambu, na cidade de Jundiaí, onde buscou-se atribuir a responsabilidade do descuido a supostos praticantes de religiões de matriz africana, vimos a público esclarecer alguns fatos relevantes quanto à reportagem, especialmente aos comentários tecidos pelos leitores:

  1. As religiões de matriz africana, especialmente a Umbanda e o Candomblé, cultuam aos Orixás e tem por princípio o respeito à natureza, a fé e a caridade entre os seus praticantes e para com todos os seres;
  2. Cultuar aos Orixás, para nós, é cultuar a natureza, uma vez que cada Orixá é o detentor dos poderes de um elemento desta natureza e a ela representa, portanto, não é só o culto, mas também o cuidado com cada um dos espaços naturais é que revela o respeito, o amor e a devoção aos Orixás e ao Sagrado.
  3. Preocupados com a preservação e respeito ao meio ambiente, base das nossas práticas religiosas, a UniTerreiros vem desenvolvendo há mais de um ano um trabalho de educação ambiental, promovendo o diálogo entre os praticantes das Religiões de Matriz Africana e o Poder Público Municipal, a fim de esclarecer dúvidas, orientar os praticantes das religiões quanto às formas de utilização do espaço natural e principalmente desmistificando a religião para as comunidades de moradores dos entornos da Serra do Japi e também para os representantes do município de Jundiaí, para que todos possam entender o que realmente é Culto aos Orixás e aquilo que jamais representará as nossas religiões, pois o Sagrado é a Natureza e todos os cultos devem sim respeitar integralmente o meio ambiente, sendo vedadas quaisquer práticas que causem danos a estes elementos sagrados.
  4. Deve-se registrar que Jundiaí e Região contam com quase 300 casas de Umbanda e Candomblé, o que torna relevante a continuidade do trabalho desenvolvido em vistas da imensa quantidade de praticantes e adeptos.
  5. Quanto às fotos publicadas e atribuídas a um possível culto realizado no local, frisamos ser impossível saber o que realmente aconteceu, se houve ou não algum culto de qualquer natureza no local, tão pouco se foram praticantes de religião de matriz africana ou não, até porque vivemos um momento de oportunidades e não é possível saber se o que se busca é causar uma falsa interpretação de fatos desconhecidos, situações infelizmente comuns contra as nossas práticas religiosas.
  6. Para aqueles que não conhecem o Candomblé, religião que registra mais de 5.000 anos de história, tão pouco a Umbanda, religião cristã tipicamente brasileira nascida neste país há 111 anos completados no último dia 15/11, sugiro que busquem informações e conhecimentos em fontes confiáveis e jamais julguem os atos daqueles que sequer sabem a história ou ocorrido naquele exato local.
  7. Referências pejorativas às religiões de Matriz Africana são consideradas crimes, passíveis não só de prisão, mas também do pagamento de multa pecuniária pela prática do ato criminoso!
  8. A melhor saída sempre será o respeito mútuo, o amor entre todos e a certeza de que sempre haverá bons e maus praticantes em todas as religiões, não cabendo a nós, humanos, este julgamento! Só o conhecimento é capaz de libertar a todos! Que nosso Pai Oxalá abençoe a todos! Axé!

Leitor reclama do lixo deixado em culto