Menino de 11 anos mata o padrasto

Alenita Ramirez / Correio Popular

Para evitar que o irmão de 15 anos fosse enforcado, um menino com 11 anos matou a facadas o padrasto, um técnico em refrigeração de 43 anos, anteontem à noite, no Jardim Novo Maracanã, em Campinas. De acordo com a polícia, a tragédia aconteceu durante uma briga entre o homem e a mãe dos meninos, por conta de um furto de energia, que a mulher discordava. Enfurecido, o companheiro atacou o adolescente que foi defender a mãe.
O caso foi registrado na 2ª Delegacia Seccional de Campinas como violência doméstica, lesão corporal e lesão corporal seguido de morte. A mulher e os filhos prestaram depoimentos e liberados. Como envolve criança, o caso será acompanhado pelo Conselho Tutelar, que afirma não ter notificação.
A mulher, uma auxiliar de manutenção de 40 anos, e os filhos já sofriam agressão por parte do técnico em refrigeração. Segundo relatos dela para a polícia, o homem era ciumento e tinha o hábito de manter a família em cárcere privado. Além do adolescente e do menino, ela também é mãe de um jovem de 19 anos, que mora com a namorada em outro endereço, e de outro menino de 6 anos.
Na noite do crime, o mais velho não estava em casa, apenas os menores, que estavam deitados no quarto no andar térreo da casa. Conforme relatos dela para a polícia, o marido teria começado a briga em razão das contas da família. Ela teria discordado do fato de ele ter feito um “gato” na rede de energia elétrica, uma vez que o fornecimento na casa da família foi interrompido em razão da falta de pagamento.
O casal já estava preparado para se deitar, quando começou as agressões, com tapas e empurrões contra a mulher. Durante o espancamento, o técnico chegou a rasgar a roupa dela. O adolescente e o menino ouviram as agressões e correram para socorrer a mãe, momento que o homem atacou o adolescente e passou a enforcá-lo, com um dos braços. A mulher ainda tentou impedir a agressão contra o filho maior, mas não conseguiu tirá-lo das garras do marido, que apertava com força o pescoço.
Ao ver o irmão sendo esganado, a criança correu até a cozinha, pegou uma faca e golpeou o padrasto no pescoço. Depois de ser ferido, ele buscou pela chave da casa, onde escondia, correu para rua e morreu antes do socorro.
De acordo com a mulher e os filhos, está não foi a primeira vez que o técnico agrediu as vítimas. Apenas em um dos casos ela teve coragem de registrar ocorrência. A mulher alegou para a polícia que, mesmo sofrendo agressões, acreditava que o marido a amava. O casal se conhecia há pelo menos 20 anos, mas se casaram há dois anos, após dos dois se separarem de seus primeiros relacionamentos.
Até a tarde de ontem, o corpo do técnico em refrigeração seguia no necrotério, no Cemitério dos Amarais aguardando alguém da família para reconhecimento e tratamentos com a Setec para a liberação. No despacho, o delegado que atendeu a ocorrência escreveu “Esta autoridade Policial faz consignar que, pelo que se depreende das versões preliminares, com as oitivas circunstanciadas de todas as partes envolvidas, é notório pelo que foi até aqui apurado o real quadro de violência em âmbito doméstico, provocado pelo ora autor-vítima, este que reiteradamente praticava agressões contra a esposa e seus enteados, culminando com este fatídico evento na presente data, em que o próprio agressor tornou-se vítima, pois, ao que consta, a criança.”