Cresce procura de cães farejadores da GM por outras cidades

Cada vez mais requisitado por outros municípios, o Canil da Guarda Municipal de Jundiaí (GMJ) possui dois cães certificados para localização de pessoas, um feito inédito para a corporação e também na região. Na semana passada, a cadela bloodhound Live, de dois anos e meio, localizou o corpo de uma jovem de 19 anos que estava desaparecida desde 28 de fevereiro em Serra Negra (SP); e neste domingo (15), Live encontrou um idoso de 84 anos que estava desaparecido desde a última sexta-feira (13), em São Roque (SP).

O número de casos referentes ao desaparecimento de pessoas, com atuação direta do canil, vem aumentando. Durante todo o ano de 2019, foram realizados 340 atendimentos pelo Canil da Guarda Municipal, sendo sete deles relacionados ao encontro de pessoas, tanto em situação criminal quanto social.

Em 2020, até este domingo (15 de março), foram 61 atendimentos do Canil, sendo 12 deles relacionados a encontro de pessoas; só na primeira quinzena de março, foram 9 atendimentos do gênero, incluindo chamados de cidades da região.

Live e Sadan foram requisitados pela Guarda Municipal de São Roque no fim de semana para atuar nas buscas pelo idoso. Com a indicação de Live, ele foi encontrado em uma área de mata após uma trilha de aproximadamente 600 metros, feita pela equipe da GMJ, em 25 minutos do segundo dia de busca. Os cães conseguiram chegar até o local com o cheiro de uma sandália, fornecida pelos familiares. O idoso foi  encaminhado à Santa Casa do município para atendimento médico.

Ao lado de Sadan, um pastor malinois, Live compõe um seleto grupo de cães certificados oficialmente para esse trabalho, com o canil alcançando a marca de três cães treinados – contando Ozzy, o primeiro da GM, hoje aposentado.

Em pouco mais de uma semana, esta foi a quarta vez em que o Canil da GMJ foi chamado para trabalhar em buscas de pessoas desaparecidas. Este mês, Live também foi requisitada para contribuir nas buscas pela menina Isis, de 1 ano e 10 meses, que desapareceu em Itapira (SP), mas que ainda não foi encontrada.

 

Da raça bloodhound – de origem belga e inglesa, que inspirou os desenhos do Pateta e Pluto, da Disney – Live, porém, não é de brincadeira: chegou à GMJ ainda filhote, com quatro meses, e seu faro, aliado ao treinamento de primeira linha, impressiona.

Acompanhada pela GM Martins, Live faz busca e salvamento de desaparecidos, a partir do odor, que pode ser obtido de um sapato, roupa ou outro objeto pertencente à pessoa que está sendo procurada. “Tanto Live quanto Sadan seguem o rastro de pessoas vivas, farejando o odor exalado pelas células do corpo”, explica a GM Martins. “Em caso de pessoas mortas, como foi em Serra Negra, o cão chega até o último ponto em que a pessoa esteve antes de morrer, o que pode dar uma indicação bastante precisa de seu paradeiro”, explica a GM.

 

Treinamento

O cão Ozzy foi o primeiro a ser certificado em nível 3 para busca de pessoas pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), uma confederação cinófila sediada no Rio de Janeiro, e que estabelece padrões para criação, além de emitir registros e pedigrees. O nível 3 é o topo do treinamento para localização de pessoas. Sadan e Live são nível 1, e continuam os treinamentos para chegar a esse patamar.

Atualmente, só mais três cidades contam com cães certificados oficialmente para esse tipo de trabalho na região: Itu, Itupeva e Guarulhos. Campinas, Itapevi e Santana de Parnaíba possuem cães ainda em fase de treinamento, porém sem certificação.

O canil da GMJ, que no último dia 5 de fevereiro completou 16 anos de existência, possui hoje 17 cães adestrados e treinados para ações policiais, apresentações em escolas e praças e showdogs, inclusive em escolas e hospitais.

O Subcomandante da GMJ, Sandro Vilas Boas, destaca a importância da equipe especializada. “Temos em nosso Canil tratadores, adestradores e condutores de cães, empenhados em garantir a prestação de serviço à população”, afirma. Paulo Sérgio Giacomelli Stel, gestor de Segurança Municipal, ressalta a presença da GMJ fora da cidade. “Precisamos cada vez mais ter essa troca de ideias e compartilhar esse aprendizado com outras corporações”.